segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MEMÓRIAS DE UM KICHUTE TOLERANTE

Quando eu tinha 10 anos (1977), já respirava e transpirava futebol por todos os poros!

E sem videogame!

Como?

Ora, ouvindo jogos pelo rádio, assistindo a poucos pela TV, indo ao Maracanã, colecionando figurinhas, futebol de botão ou mesmo jogando em qualquer lugar: no colégio, clube, praia, no corredor de casa. Com qualquer tipo de piso, desde que se pudesse fazer um gol. Bola podia ser a própria, leve, pesada, costurada a mão, desbotada, de qualquer cor, de meia ou uma pequena amêndoa (tinha muitas no colégio que chamávamos de "coquinho")! Jogávamos de tênis, de preferência "kichute" (*), de chinelo ou descalço! Chuteira? Era difícil encontrar para comprar! E quando se encontrava; caríssima!

"Raiz"

(*) Deixava um perfume gostoso após o uso...

Mesmo torcendo para o Fluminense da Máquina Tricolor (Rivellino, Paulo Cézar, Gil, Edinho, Pintinho, Dirceu e depois Marinho Chagas), eu ficava encantado com o futebol jogado por Zico, Roberto Dinamite, Reinaldo, Falcão, Carpegiani, Nelinho, Toninho Cerezzo, Mendonça, Zé Sérgio, Palhinha, Ailton Lira, Dicá, Oscar, Amaral e dos goleiros Leão, Carlos e Waldir Peres! Poderia continuar...

Dicá, Roberto Dinamite, Zico, Falcão, Ailton Lira, Reinaldo...

Em 1977, meninos de 10 anos que cruzassem com algum ou alguns desses nomes na rua, ou ainda de outros não citados, fariam de tudo por um pedaço de papel e caneta ou lápis para conseguir algo equivalente, hoje em dia, a uma selfie: um autógrafo! Alguns mais fanáticos chegavam a ir até uma papelaria para plastificá-lo e "eternizar" aquele momento. Muita tecnologia.

Era véspera da Copa do Mundo 78. A primeira em que eu realmente entenderia a competição, conheceria melhor jogadores e seleções! A seleção brasileira era realmente o Brasil, que se classificou nas Eliminatórias após um primeiro triangular com Paraguai e Colômbia e depois um outro, jogado em Cáli, na Colômbia, vencendo Peru (1x0) e aplicando uma goleada histórica na Bolívia (8x0). O time era semelhante a esse aí abaixo, formado para um amistoso contra a Alemanha Ocidental, no Maracanã. Eu estava lá. Os então campeões mundiais fizeram 1 a 0 já no segundo tempo. Rivellino empatou no final! Veja se estava cheio...

Brasil 77: Zé Maria, Leão, Cerezzo, Amaral, Luis Pereira e Rodrigues Neto. Gil, Zico, Roberto Dinamite, Rivellino e Paulo Cézar.

O tempo passou! Quase 50 anos! Muitas coisas melhoraram no Brasil e no mundo. Não preciso citá-las! Você sabe. Outras pioraram. Você também sabe.

Mesmo assim, vou citar uma das que pioraram no âmbito do nosso futebol, claro! Já há alguns anos, os clássicos entre os quatro grandes em São Paulo são jogados sem a torcida visitante. Um notório atestado de incompetência ou talvez preguiça, descaso, ou todos combinados, do poder público em garantir segurança para todos.

Ontem, em Itaquera, indiretamente e sem qualquer culpa, Neymar acabou sendo a ferramenta pela qual outra coisa que piorou muito em nossa sociedade se manifestasse em sua plenitude: a intolerância. E sempre por motivos fúteis.

10 anos

Era um menino de 10 anos, como eu em 1977. Infelizmente, a decadência do futebol brasileiro não lhe permitiu que conhecesse craques às pencas como aquela galera que citei mais acima. Não quero comparar Neymar com eles, nem dentro, nem fora de campo. Entretanto, atualmente, é o único que poderia estar naquele seleto grupo. E já tem 34 anos, muito longe do ápice de suas formas física e técnica.

O jovem corintiano crescerá mas não sei quando verá algum jogador no seu ou em qualquer outro time, a quem poderá chamar de craque. Sinceramente, não sei.

Melhor fará se ficar no videogame, pedindo ajuda a seu pai ou avô para montar um time do tipo Brazil (com Z) Legends! 

Vai ganhar tudo!

Ficará no videogame?



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

VERSÃO BRASILEIRA

Sem querer denunciar idade... já denunciando, as primeiras séries de TV a que assisti eram transmitidas na Rede Globo e na extinta Rede Tupi, ali pelo início dos anos 1970, após terem sido lançadas nos EUA, na década anterior: "Batman" (Adam West e Burt Ward), "Jornada nas Estrelas" (William Captain Kirk Shatner e Leonard Spock Nimoy), "A Feiticeira" e "Jeannie é um Gênio", estas últimas, minhas deusas de infância, respectivamente, Elizabeth Montgomery e Barbara Eden! 

(Tudo bem! Também adorava o japonês Ultraman!)

Ao contrário de hoje, quando os streamings chegam a colocar dezenas de opções de idiomas para as legendas, todas as séries, desenhos animados e filmes de longa metragem na TV eram dublados em português. E não havia alternativa. Legenda? Só no cinema!

Assim, durante a abertura, sempre se ouvia um narrador falando, em português, os nomes dos atores principais, da produtora e, no final, o nome do estúdio responsável pela dublagem. Foram frases que ficaram famosas, envolvendo os dois maiores do país na época:

- "Versão Brasileira: Herbert Richers!" (No Rio) 

- "Versão Brasileira: AIC São Paulo!"

Claro que os dubladores também passaram a ganhar notoriedade. Orlando Drummond (o Seu Peru da Escolinha do Prof. Raimundo) dublou Scooby-Doo e Popeye, Isaac Bardavid (Esqueleto do He-Man, Wolverine e Freddy Krueger), Nizo Neto (filho do Chico Anysio e o Seu Ptolomeu da Escolinha) dublou o Presto da Caverna do Dragão e Matthew Ferris Buller Broderick em "Curtindo a Vida Adoidado". E ainda hoje, talentos como Guilherme Briggs (Buzz Lightyear do Toy Story), Cecilia Lemes (Chiquinha do Chaves), Miriam Ficher (Drew Barrymore, Cate Blanchett e Nicole Kidman) e da galera do Anime; Wendel Bezerra (Goku) e Glauco Marques (Zoro do One Piece)!

(Parágrafo escrito com a colaboração direta de meu filho Pedro. Sabe tudo de dubladores...)

Drummond Eterno

Tem futebol neste texto? Tem!

De uns bons anos pra cá, as dezenas de câmeras (e seus zooms maravilhosos) espalhadas pelos estádios de todos os continentes passaram a registrar detalhes nunca antes atentados nas transmissões pela TV: a leitura labial de jogadores, treinadores, equipe de árbitros e todos que possam estar ali pelo gramado.

Ora, se tem leitura labial... tem dublador!

Hoje em dia, as redes sociais possuem uma capacidade impressionante de criar, com rapidez, novos e competentes profissionais em antigas ou novas funções. O primeiro a aparecer fazendo ótima leitura labial de jogos de futebol foi Gustavo Machado. Agora, surge o Gabriel Velloso ou simplesmente, Velloso! Ambos, merecidamente, com milhões de seguidores!

Há alguns jogadores brasileiros, sobretudo veteranos, que fazem estágio, dentro de campo, para se transformarem em futuros árbitros pois gostam de "apitar" o jogo, junto com o(a) árbitro(a) de verdade! No último fim de semana, o Santos empatou com o Mirassol na Vila Belmiro, pelo Brasileiro, em 1 a 1. O Peixe possui um destes "estagiários" que, durante este jogo, desferiu uma série de ofensas, impropérios e palavrões para a árbitra Édina Batista, pedindo faltas, cartões aos adversários e reprovando sua atuação de maneira grosseira e, na maioria das vezes, injustificada.

Todavia, a estratégia parece ter dado certo pois a fraca Édina expulsou erradamente um defensor do Mirassol, em lance justamente com o "estagiário" e deixou de expulsar o próprio, em lance que valia um segundo cartão amarelo. E pior: não relatou qualquer evento relacionado aos xingamentos que recebeu na súmula do jogo.

Culpa de quem? Do Velloso que fez leitura labial, na minha opinião, perfeita do "estagiário" que não gostou do que foi divulgado, acusando-o de distorcer o que falou. Com muita educação, o dublador retrucou, afirmando que a técnica não é uma ciência exata, pode haver alguma divergência, e solicitou que o "estagiário" apontasse em qual parte do vídeo houve erro.

Até o momento em que escrevo este texto, não se tem notícia de que possíveis erros tenham sido apontados.

Naturalmente, o "estagiário" deve ter falado algo como "Data vênia, sra. Édina, permita-me discordar de tua marcação. Afinal, parafraseando Voltaire, não concordo com nada que marcaste mas defenderei até a morte o direito que tens de fazê-lo"! 

Velloso deve ter enlouquecido!

Não sei se Voltaire, célebre iluminista francês, salvará o "estagiário" de uma possível punição mais severa do STJD e muito menos se livrará Édina de pegar uma "geladeira", sem ser escalada por um bom tempo.

Alexander Voltaire...

... os salvará?

Agora, imagine o que era dito quando a mão na boca não era punida...

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADO

Ufa!

Praticamente um mês de férias! Eu daqui do blog e você de mim! rsrs

A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do mundo, superando os Jogos Olímpicos de Verão em audiência, mesmo tratando de um único esporte, obviamente por mais tempo e o mais popular de todos! E ainda reunindo menos países!

Assim que a Copa acabou, o calendário sul-americano não permitiu folga, como sempre, sobretudo com Brasil e Argentina, além das competições Conmebol. Os europeus ainda tiveram um respiro de vinte dias, começaram com amistosos e torneios tradicionais de pré-temporada, além de Supercopas nacionais que sempre costumam abrir oficialmente suas respectivas temporadas.

Nada disso é novidade para quem acompanha o futebol mundial. Novas datas-Fifa virão já no próximo mês. A Liga das Nações da UEFA vai começar com novo formato e a CBF já acertou três amistosos "importantes" para seu time iniciar o ciclo até a próxima Copa, na casa dos adversários: dois contra a Austrália e outro contra a... Índia! Não é rugby e nem cricket, ok? Viagens longas recheiam os programas de milhagens das companhias aéreas, né não?! (Como se os milionários astros estivessem preocupados com isso...)

Claro que se o centro financeiro do futebol está na Europa, além da importância de seu calendário, é razoável constatar que, por lá, times e seleções possam planejar suas temporadas de maneira extremamente profissional, sob todos os critérios: físico, técnico e, ao longo do tempo, logístico.

O longo prazo define etapas a cumprir no curto prazo, de acordo com o que se planeja, com flexibilidade para ajustes, conforme a realidade ou prática. Qualquer empresa que se preza, segue mais ou menos essa cartilha.

Continuidade mesclada a experiências aqui e ali. Testa um pouco e arrisca. Estresse controlado estimula produtividade. Confia em profissionais mais veteranos, oxigena com recursos oriundos de mercado e com os jovens, ávidos por conquistar espaço! Somente um vai ganhar mas os objetivos se alternam, conforme seus orçamentos.

Você pode estar pensando que desviei o foco do futebol e fui para o mundo corporativo... rsrs! Eu te entendo mas não fiz isso não!

Observe bem a imagem abaixo. Talvez não explique em sua totalidade o sucesso de um, muito menos o fracasso de outro e menos ainda, qualquer relação de causa ou efeito entre eles. Os nomes que estão em amarelo estiveram na Copa do Mundo de 2026.

Tirou sua conclusão?

Ainda não? 

Vou fornecer mais um dado importante para te ajudar: nesse jogo aí, há 5 anos, o time de amarelo venceu o de vermelho (2x1) e ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, disputado em 2021.

Agora já consegue! Escreva aí nos comentários!

Estamos de volta! Fique atento!