quarta-feira, 29 de abril de 2026

MAIS DESTRUTIVOS QUE O ÓDIO

Na semana passada, as mídias brasileiras soltaram uma notícia a cerca de uma pesquisa feita tradicionalmente desde 1994, pelo Instituto Datafolha, sobre o interesse dos brasileiros, homem ou mulher, a partir dos 16 anos, em assistir aos jogos da Copa do Mundo.

Antes da Copa em que o Brasil conquistou o Tetra, 56% dos brasileiros manifestaram interesse em assistir aos jogos. Considerando a população do país na época, algo em torno de 155 milhões de pessoas, a extrapolação simples da amostragem chega a quase 87 milhões. 

As pesquisas continuaram sempre por volta de dois meses antes das Copas seguintes, mantendo uma mesma metodologia de ouvir entre duas e três mil pessoas em todo o país. A evolução dos números é alarmante.

O percentual de interessados foi se reduzindo ao longo destes 32 anos. E não foi pouco. Após o desastre dos 7 a 1 de 2014, a Copa da Rússia, quatro anos depois, registrou um desinteresse de incríveis 53% dos entrevistados! Para o Catar 2022, houve pequena redução para 51% e agora para a Copa da América do Norte, um recorde negativo de 54% foi atingido!

Para comparar melhor esses números, os 56% registrados acima como interessados em 1994 caíram para irrisórios 17% agora em 2026, ano em que o Brasil tem por volta de 215 milhões de habitantes. Comparando agora, números absolutos, os 87 milhões de 94 diminuíram para 37 milhões, hoje!

A situação piora quando a pesquisa aponta que 31% não pretendem, de jeito algum, assistir a qualquer jogo do Brasil, ou seja, 67 milhões de pessoas, mais que os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro somados. Atente que em 1970, o fantástico ano do Tri, a população era de 90 milhões.

Mais um dado importante. Os maiores percentuais de interesse estão na faixa dos 16 aos 24 anos e mesmo assim, ainda diminutos: apenas 24%. Conforme a idade avança, o interesse cai: 20% entre 25 e 34, 13% entre 35 e 44, 14% entre 45 e 59 e 15% acima dos 60.

Se você acompanha alguns de meus textos por aqui, poderá encontrar alguns motivos que podem explicar este desastroso fenômeno que pulveriza o futebol brasileiro, contaminado pela política e pelo dinheiro público, pela parcialidade de decisões jurídicas esportivas, pela influência nociva e crescente de grandes conglomerados financeiros, de mídia manipuladora, de casas/sites de apostas, de empresários que dominam elencos desde as divisões de base nos clubes, muitos falidos que se travestem de SAF para encobrir sua incompetência administrativa, e, finalmente, de desrespeito ao torcedor, que até tinha um estatuto, meio fajuto, para chamar de seu, mas já substituído por uma chamada Lei Geral do Esporte em 2019 que, na prática, oficializa tudo de ruim que acabei de citar neste parágrafo.

Já escrevi aqui, lá em 2013, pouco antes da Copa das Confederações começar! Relembre aqui:

DAS FERAS DO SALDANHA AOS COADJUVANTES DA CBF

No ano seguinte, também escrevi aqui antes da Copa de 2014 começar!

VAI TER COPA? ONDE? QUANDO?

Estes textos estão nos livros de minha trilogia "Futebol em Milhares de Palavras". Se você ainda não os tem... tenha! Agora! Rsrs!

Aos 14 anos, meses antes da Copa de 1982, ajudei a pintar calçadas e a decorar a Rua Miguel Lemos, em Copacabana! Comprei os discos compactos do Junior (Voa, Canarinho, Voa), do Moraes Moreira (Sangue, Swing e Cintura) e do Luiz Ayrão (Meu Canarinho)! Sei cantar todas até hoje! Familiares e amigos se reuniam para torcer em residências, bares ou na rua. Éramos todos Pacheco ou Araquém. Um clima de festa e união! 

Rua Miguel Lemos, Copacabana, 1982

Rua Paissandu, Flamengo, 1982

Santa Teresa, 1982

Rua Antonio Basílio, Tijuca, 1982

"Mostra pra esse povo que és o Rei!"

"Essa tá no papo...!"

O Showman!

Fui para IA. Fizemos um debate filosófico sobre esta pesquisa. Entre réplicas e tréplicas, chegamos a um parágrafo conclusivo.

Indiferença é a falta de interesse, emoção ou cuidado, um estado neutro onde algo ou alguém perde relevância. O descaso é a negligência ativa, uma falta de compromisso e desrespeito com o impacto negativo gerado. A indiferença e o descaso, portanto, rompem conexões emocionais, sendo considerados mais destrutivos que o ódio por anularem a importância deste algo ou alguém!

Alô Professor Cortella! Ficou bom?


Fonte dos dados: exame.com de 20/04/2026, por Luiz Anversa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

UM FIO DA ESPERANÇA ESQUECIDA

Ontem, foi o aniversário de 20 anos da partida de Telê Santana para o Céu!

Atuava pelo Madureira no Carioca de 1962, na sua despedida como jogador, no Estádio de Laranjeiras. O Fluminense vencia por 5 a 0 quando foi lançado em uma bola longa. No gol tricolor, havia Castilho! Com a categoria que sempre desfilou, com um leve toque, encobriu o velho parceiro e amigo de onze temporadas e marcou o gol de honra do tricolor suburbano. Foi aplaudido de pé pelos torcedores de seu ex-clube! No fim do jogo, chorou pedindo desculpas pelo gol marcado contra seu time de coração!

Incontestável!

O mineiro de Itabirito Telê Santana da Silva atuou em 558 jogos pelo Fluminense, o terceiro na História do clube, marcando 163 gols, seu quinto maior artilheiro. Era ponta-direita e, depois, meia atacante. Habilidoso e oportunista. Toques rápidos. Corria por todo o campo o tempo inteiro. Acreditava em todos os lances. Seleção Brasileira? Hoje, jogaria facilmente mas nesses tempos, havia um certo Mané, Julinho Botelho, Joel...

Sua identificação com o Fluminense era tanta que o dirigente Benício Ferreira Filho procurou por Mário Filho, do Jornal dos Sports, para ajudá-lo a colocar em prática uma campanha, através de um concurso entre os torcedores tricolores, para criar uma alcunha para Telê. A magreza extrema e a fama de fazer gols decisivos no fim dos jogos talharam a vencedora: "Fio de Esperança"!

Foi no mesmo Fluminense que iniciou sua carreira de treinador nas divisões de base em 1967 e dois anos depois, assumiu a equipe principal, campeã carioca, base do time que seria campeão brasileiro em 1970 e novamente carioca no ano seguinte, já com Paulo Amaral e Zagallo, respectivamente, como treinadores.

É o treinador com maior número de partidas comandando o Atlético-MG: 434 aparições, incluindo o Brasileiro de 1971. E iniciou a Era de Ouro do São Paulo durante seis anos, entre 1990 e 96: campeão Paulista, Brasileiro, Libertadores, Mundial Interclubes, em 410 jogos, o terceiro maior do clube. Único a conquistar títulos estaduais (quando eram realmente importantes) nos quatro grandes centros do país pois também tirou o Grêmio da fila no Gaúchão, em 1977, após um octacampeonato do rival Internacional. 

Campeão Brasileiro 1971

Adorado no Olímpico, 1977

O Divisor de Águas do São Paulo FC

Duas Copas do Mundo, tendo comandado, talvez (ou seguramente), a mais talentosa seleção mundial após o Brasil de 1970. A Itália era melhor em 1982? Ou foi somente naquele jogo? A Tragédia do Sarriá é um dos jogos de Copa do Mundo mais buscados por aficionados de futebol que tentam entender o placar final. Alguns não conseguem acreditar. De qualquer maneira, aqui deixo novamente um vídeo feito por um inglês para homenagear o Brasil de Telê Santana naquela Copa! Você já deve ter visto. Veja de novo! Não segure a emoção! Pode chorar!


Eu sempre choro assistindo a este vídeo. Eu tinha 15 anos!

Mestre!

Hoje eu choro de tristeza e desprezo quando constato valores que Telê Santana fazia questão de enfatizar sendo jogados no lixo. Futebol bem jogado, fundamentos bem treinados, disciplina profissional, preparação física, respeito e identificação com o torcedor. Até a sua característica teimosia era tolerada por todos. Quando Telê falava, havia o que ouvir.

A esperança vai sendo esquecida e substituída pela ganância e arrogância. Afinal, na época de Telê, como jogador ou treinador, jogar na seleção brasileira era um sonho, uma meta!

Não é mais. Há muito tempo.

Será que ainda existe algum fio para puxar?

sábado, 18 de abril de 2026

A AMIZADE ENTRE UMA MÃO SANTA E OUTRA BOBA

A chegada de Oscar Daniel Bezerra Schmidt no Céu é um presente para Pedro, o Pescador!

No Céu

Dentre todas as alas de famosos que cuida lá por cima (artistas, escritores, inventores e a quase vazia de políticos íntegros), a dos esportistas é a mais legal! Não tenho dúvida.

Receber um brasileiro de mais de dois metros de altura, simpático, carismático, risonho, tagarela e pura resenha é sinônimo de festa e alegria.

E ainda por cima, muito talento.

O que Oscar fez dentro de uma quadra de basquete foi reconhecido por todo o mundo do esporte. Não prestava muito a atenção em tática de jogo, marcação, transição para o ataque, assistências mas fazia o que o torcedor gosta: cesta! Aliás, sem ela, não se vence jogo algum!

Dezenas de recordes e prêmios. Maioria deles, individuais. No Brasil e América do Sul, muitos títulos por clubes, o maior deles, o Mundial Interclubes em 1979, atuando pelo Sírio. Pela seleção brasileira, era muito difícil vencer os extraordinários times da URSS e da Iugoslávia mas os jogos eram duríssimos e o ápice veio naquela Final dos Jogos Pan Americanos de Indianápolis, em 1987, quando a sempre fortíssima seleção dos EUA, mesmo universitária, perdeu um jogo em casa pela primeira vez na História. Cinco anos depois, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, decidiram levar o que tinham de melhor não mais nas universidades mas na própria NBA. Indiretamente, Oscar, Marcel e companhia "criaram" o fantástico Dream Team!

OK, OK! O blog é de futebol!

Oscar atuou por aqui em clubes famosos pelo futebol: Palmeiras, ainda antes do Sírio, e depois de voltar da Europa, no Corinthians e Flamengo, onde encerrou sua carreira, em 2003, aos 45 anos. Entretanto, revelou ser torcedor do Fluminense, ainda morando em Natal-RN, onde nasceu, e depois em Brasília.

Passou treze anos de sua longa carreira atuando na Itália e Espanha. Os primeiros oito, de 1982 a 90, foram no time do Caserta, de mesmo nome da cidade a 40 quilômetros ao norte de Nápoles que, a partir de 1984, foi a residência de outro gênio do esporte: Diego Maradona!

El Pibe sempre foi um admirador de basquete. Quando soube que Oscar atuava tão perto, passou a assistir aos jogos do Caserta com frequência. Uma grande amizade surgiu. Veja fotos e vídeo abaixo.



Oscar sempre afirmou nas inúmeras entrevistas que concedia e nas palestras que ministrava após a aposentadoria das quadras que sua mão nunca foi santa mas treinada à exaustão!

Já o seu amigo "napolitano" usou a própria, inadvertidamente, por quatro vezes e aposto que nem treinou tanto para isso.

A primeira quando jogava no Barcelona, em torneio amistoso, contra o Fluminense, em Nova York, 1984. O árbitro viu o anulou o gol. Jogo terminou 2 a 2. Ele fez um dos gols (com o pé) e foi seu último jogo pelo Barça, antes de se transferir para o Napoli.

No ano seguinte, já pelo Napoli, enfrentou a Udinese de Zico e Edinho, em Údine. No primeiro tempo, fez golaço de falta. Depois, tomou a virada! No fim do jogo, pegou um rebote na trave e, literalmente, deu uma cortada de vôlei! Final: 2 a 2. Zico, enlouquecido, foi expulso por reclamação e suspenso por quatro jogos!


A terceira e mais famosa, na Copa de 1986, contra a Inglaterra. Essa, todos conhecem, né? "La Mano de Dios"!

A quarta e última, na Copa de 1990, no segundo jogo da fase de grupos contra a URSS. Após um escanteio dos soviéticos, tirou com a mão uma bola cabeceada. O árbitro não deu o pênalti. Não dá pra saber se entraria mas o jogo estava 0 a 0. A Argentina acabou vencendo por 2 a 0 e após perder na estreia para Camarões (0 a 1) e depois empatar com a Romênia (1 a 1), essa vitória acabou sendo fundamental para sua classificação às Oitavas de Final, quando eliminou o Brasil.

Teria Oscar passado, por engano, algum poder santificado de suas mãos ao hermanito

Agora é o momento dele chamar o amigo e fazê-lo prestar contas a São Pedro!

Esse papo será interessante!


quarta-feira, 15 de abril de 2026

A ÁGUIA PRECISA VOAR

Baseado em livro homônimo do aclamado escritor de romances de espionagem, o inglês Jack Higgins, o filme "A Águia Pousou" fez enorme sucesso no ano de seu lançamento, 1976. Dirigido por John Sturges ("Sete Homens e Um Destino") e estrelado por Michael Caine, Donald Sutherland e Robert Duvall, narra a história fictícia de um plano alemão para sequestrar e depois assassinar Churchill em solo inglês, sem o conhecimento de Hitler, em um momento em que os militares nazistas já previam perder a guerra. O apoio de um espião desertor norte irlandês que odiava a coroa britânica seria fundamental para o sucesso da operação que levava exatamente o nome do filme. Não contarei o desfecho... hahaha! Assista! É muito bom!

Muito Bom e... sem spoiler!

Uma outra águia, no futebol contemporâneo, já pousou e agora quer - e precisa - voar! Quanto mais para longe, melhor! De preferência, sumir de vista!

John Textor era CEO e foi afastado da Eagle Holding Football em fevereiro deste ano após dez eventos de inadimplência comprovados e vários meses de tentativas frustradas de negociação de dívidas, concluindo "má gestão consistente e falta de conformidade regulatória", segundo relatório da empresa. Daí, um "transfer ban" da FIFA e uma dívida de mais de 2 bilhões de reais para o time brasileiro que faz parte do grupo: a SAF Botafogo! As sanções também atingem o francês Lyon e o belga Brussels (antigo Molenbeek), os outros componentes.

Uma "Águia"!

Textor ainda está a frente da SAF Botafogo por meio de uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro. Neste mês de abril, quis injetar 125 milhões de reais no associativo do clube, que detém 10% da mesma SAF, mas o Conselho Fiscal  negou em clara demonstração que o clube não acredita mais nas intenções do homem que tirou o time da série B e, em 2024, foi campeão brasileiro (após jejum de 29 anos) e da Libertadores de maneira inédita, fazendo deste ano, portanto, o maior da História para seus torcedores. Hoje, sabe-se que contratou atletas como o argentino Almada e o brasileiro repatriado da Espanha Luis Henrique, as maiores contratações da história do futebol brasileiro até então, sem ter dinheiro para pagar! "Pendurou" a conta!

Ontem, as mídias brasileiras soltaram uma notícia a cerca de um anúncio publicado no prestigiado jornal inglês "Financial Times", pago pela empresa britânica Cork Gully, famosa por ser contratada para reestruturar financeiramente outras empresas à beira da falência ou em processo de insolvência. Atualmente, a Eagle é controlada por uma outra empresa chamada Ares, sua credora, e responsável por contratar a Cork Gully. Anúncio abaixo.

Brazil´s historic football club

Sim. Mesmo que o seu inglês não seja bom, está bem claro que o Lyon, o Brussels e o Botafogo, um dos mais históricos clubes de futebol do Brasil, estão à venda.

Seja lá quem enviar e-mail interessado na compra precisará tratar de duas questões que o anúncio não menciona. O imbróglio jurídico do Textor com o Associativo no Rio de Janeiro e um detalhe, eu diria bem importante: qual o valor para os três? Será possível comprar um só? Ou dois? 

De qualquer maneira, este texto não é para criticar por criticar, muito menos para provocar memes pejorativos a uma instituição centenária e importante para o futebol como o Botafogo mas chamar a atenção para um ponto de vista que eu defendo desde que as Sociedades Anônimas do Futebol apareceram no Brasil.

Se os vinte clubes da Série A, por exemplo, do Campeonato Brasileiro se converterem em SAF, um deles será campeão e quatro serão rebaixados à série B. Ou não?

Assim, fica claro que a SAF não pode e nem deve ser encarada como "salvação da lavoura" mas como uma maneira válida do futebol existir. Seja assim ou como associativo, uma gestão irresponsável, incompetente ou amadora poderá levar a instituição à falência. Como qualquer empresa ou organização. Estão aí os exemplos recentes das confusões em SAF do Cruzeiro e do Vasco.

EagleAssets@corkgully.com

Esse é o e-mail. Interessou?

Mas depois não diga que este blogueiro não avisou!

Veja lá onde essa águia vai pousar...

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O DOSSIÊ BAGGIO

Roberto Baggio foi um dos grandes jogadores do futebol mundial!

Mesmo sem ter conquistado muitos títulos (mas dezenas de prêmios individuais), fez fama jogando em alto nível na Fiorentina, Juventus, Milan, Bologna, Inter, Brescia e, na Azzurra, muitas vezes, levando com gols e assistências, sua seleção a resultados relevantes e porque não dizer, surpreendentes. Com times "meia boca", a baggiodependência da Itália ficou latente na Copa do Mundo de 1994, mesmo tendo perdido aquele pênalti. Quatro anos antes, quando sediaram a Copa, ele tinha só 23 anos, sem muita responsabilidade, mas que não foi impeditivo de marcar um golaço contra a Tchecoslováquia. Em 1998, não estava bem fisicamente.

Perdeu o pênalti mas ganhou a idolatria!

Ao longo de 18 anos como profissional, Baggio fez quase 300 gols, além de 27 em 56 jogos pela Azzurra. Simpático, educado, humilde. Ídolo incontestável.

Em 2011, foi indicado para diretor técnico da Federação Italiana! Após a conquista do Tetra em 2006, a Itália não conseguiu passar às Oitavas de Final da Copa de 2010, na África do Sul. Três empates pífios contra Eslováquia, Paraguai e Nova Zelândia lhe valeram o último lugar no grupo. Vergonha!

Baggio reuniu cerca de 50 especialistas entre treinadores, preparadores físicos, administradores esportivos, engenheiros, arquitetos, professores. Objetivo era elaborar um plano de ação para recuperar o futebol italiano, em projeto semelhante ao que a Alemanha fez após a Copa de 2002, quando perdeu a final para o Brasil. Foco: uma nova formação para o jovem jogador!

Baggio sempre foi um crítico contumaz da maneira como sua seleção jogava, inclusive com ele em campo. Muitos atritos com o famoso treinador Arrigo Sacchi. Muita tática. Pouca técnica.

Entre as principais propostas, a criação de 100 centros de treinamento espalhados pelo país, geridos diretamente pela Federação. Milhares de jogos por ano para jovens de todas as idades. Formação de treinadores como um curso superior de graduação. Cada CT possuiria salas de aulas teóricas, academias de ginástica, piscinas, refeitório e hotel, além dos campos de jogo, claro. Grupos permanentes de estudo em medicina esportiva, fisioterapia, nutrição, marketing esportivo. A Itália deveria ser o exemplo de formação de jogadores. Aliar o dom natural ao aperfeiçoamento de fundamentos.

O documento foi finalizado com 900 páginas em aproximadamente um ano e entregue à Federação. Seu presidente à epoca, Giancarlo Abete, simplesmente o ignorou. 

Ele tentou!

"Tentei desempenhar o papel que me foi confiado mas não me permitiram. Trabalhei para reconstruir a partir das fundações para criar bons jogadores, boas pessoas. Apresentei meu projeto ... e ficou morto". 

Baggio entregou o cargo ainda em 2013, antes mesmo da Copa 2014. Após nova eliminação ainda na fase de grupos no Brasil, o novo mandatário da Federação, Carlo Tavecchio, tampouco se interessou. Em 2018, Gabriele Gravina assumiu o cargo e pareceu nem saber da existência do documento. Há quatro dias, pediu demissão após a eliminação da terceira Copa do Mundo consecutiva. Um recorde mundial negativo!

Gravina, o Fracasso no. 3!

Neste período de 12 anos, a Itália venceu surpreendentemente uma Eurocopa em 2021, que foi jogada em diversas cidades pelo continente. Na fase de grupos, atuou em casa, em Roma, venceu bem a Bélgica nas Quartas e, nos pênaltis, Espanha na semi e Inglaterra na Final em Wembley. Ganhou sem qualquer brilho. Aquele futebol chato. Marcação e contra-ataque. Tem sido assim há mais de 40 anos! Mesmo no Tetra em 2006, passou pela Austrália nas Oitavas com pênalti inventado no final do jogo. Jogou ótimo futebol apenas na semi contra uma jovem Alemanha e na Final, contra uma França muito mais técnica, precisou que o "troglodita" Materazzi xingasse a irmã do Zidane. Mesmo com um a mais durante a maioria esmagadora do jogo, só conseguiu vencer nos pênaltis.

Seu campeonato interno foi vencido pela Juventus por 9 anos consecutivos desde 2012, sem qualquer mínima disputa. A quantidade de estrangeiros aumentou de maneira relevante. Os de maior talento e categoria são minoria. A maioria deles está na Inglaterra.

Pela primeira vez, a seleção Sub20 da Itália chegou a uma final de Mundial da categoria em 2023, na Argentina. Acabou vice-campeã, perdendo para o Uruguai mas emplacou o Bola do Ouro do torneio: o meia atacante Casadei, revelado pela Inter e contratado pelo Chelsea, jogando a segundona inglesa pelo Reading. Além dele, outro meia atacante Pafundi, o zagueiro Guarino, o meiocampista Prati e o atacante Ambrosino também se destacaram. O que foi feito com esses jovens, quase três anos depois?

Onde está Casadei?

A Itália se afunda em desculpas esfarrapadas sobre regulamentos mas se esquece que perdeu para a Noruega nessas Eliminatórias em 2 jogos cujo placar agregado foi 7 a 1. Placar clássico, né? E foi beneficiada em sorteio para repescagem. Ter ficado com Irlanda do Norte, Gales ou Bósnia era muito mais acessível do que com Turquia, Romênia, Dinamarca, Polônia, Suécia, Tchéquia ou Ucrânia.

As notícias vazadas sobre as discussões relacionadas às premiações para classificação são desculpas que também não colam. Ora, todas as demais 15 seleções da repescagem também receberiam o acordado com suas federações mas nenhuma delas já foi campeã do mundo. Muito menos, por quatro vezes.

Não dá pra saber se o Dossiê, uma vez aplicado, seria a salvação do futebol italiano mas Roberto Baggio dorme tranquilo quando repousa a cabeça no seu travesseiro. Entretanto, compartilhará da mesma aflição e do mesmo desespero de seus tiffosi quando a bola rolar na abertura da XXIII Copa do Mundo de Futebol em junho próximo.

A Federação Italiana elegerá seu novo mandatário também em junho. Os clubes são os principais votantes. Ou o novo presidente dá aquele chamado choque de gestão ou então torce para que Gianni aumente o número de participantes para 2030! E olha que isto vem sendo veiculado por fontes próximas à FIFA.

Será que...? Não! Não creio...

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ELIMINATÓRIAS DA COPA: HABEMUS QUADRAGINTA OCTO


Parabéns à Suécia, Tchéquia e Turquia!

O Homem-Gol Gyokeres, após sucesso no Sporting Lisboa e agora no Arsenal, comandou os suecos, em casa, contra a Polônia, na despedida do seu veterano artilheiro Lewandowski. A Suécia jogou em 2018, quando derrotou a Alemanha ainda na fase de grupos, contribuindo para a precoce eliminação da então tetracampeã. Ano passado, fez péssima eliminatória europeia e somente obteve vaga nesta repescagem pelo ranking da UEFA, obtido na disputa da Liga das Nações do continente. É a seleção que mais enfrentou o Brasil na História das Copas e que podem se cruzar mais uma vez já na primeira fase de "mata-mata" (Como se diz antes das oitavas? Dezesseis Avos de Final? Que coisa horrível! Ai, ai, ai, Gianni!).

Os tchecos confiaram na torcida em Praga para vencerem a favorita Dinamarca nos pênaltis. A Tchéquia (e não mais República Tcheca) volta após 20 anos, quando tinha a excelente geração de Nedved, Poborsky, Baros e do goleiro Petr Cech! Não tem um grande destaque individual e vai confiar no conjunto e na tradição de dois vice-campeonatos mundiais (ainda como Tchecoslováquia) para ir o mais longe que conseguirem. 

Os turcos chegam com uma geração talentosa de jovens jogadores com ótima técnica, como Arda Guler do Real Madrid e Yildez da Juventus, muito bem liderados pela experiência de Çalhanoglu da Internazionale. Foi um jogo difícil em Pristina, contra Kosovo, vencido pelo placar mínimo mas olho nesse time que volta a disputar uma Copa após o surpreendente terceiro lugar em 2002.

Bósnia? Calma...

A RD Congo volta à Copa depois de 52 anos! Escrevi aqui quando ainda era o Zaire: O EX-ZAIRE

O jogo contra a Jamaica foi muito ruim. Parecia que ambas não queriam se classificar à Copa. Os "reggae boyz" tiveram dificuldade para vencer a Nova Caledônia por 1 a 0, dias antes. Os congoleses até tiveram mais posse de bola e obrigaram o goleiro jamaicano e fazer algumas boas defesas mas somente decidiram a vaga em um escanteio no segundo tempo da prorrogação. A conclusão foi de joelho mas entrou. Como diria Dadá Maravilha Peito de Aço, não existe gol feio, feio é não fazer gol! Festa em Kinshasa!

Iraque x Bolívia foi um duelo de jejuns em Copa somente menor que o da RD Congo! Os sul-americanos, desde 1994. Os asiáticos, 1986! Confesso que não aguentei e dormi no início do segundo tempo, quando o empate em 1 a 1 só valia pelos gols e a madrugada avançava. Futebol, muito pouco. Assisti aos poucos melhores momentos e, pelo jeito, o Iraque foi menos pior, vencendo por 2 a 1. Festa em Bagdá. O mais curioso, ou coincidente, é que as duas seleções que ficaram de bye acabaram classificadas. A Bolívia havia vencido o Suriname por 2 a 1. Uma de suas raras vitórias, longe da altitude...

Voltando para a Europa! Falarei do vencedor! O perdedor merece um texto específico.

A Bósnia é um time limitado e inferior ao que disputou sua única Copa aqui no Brasil, em 2014. Spahic e Pjanic formavam uma espinha dorsal de boa qualidade com o atacante Dzeko que, ainda hoje aos 40 anos, continua em atividade no alemão Schalke 04 (na série B), capitão do time e maior artilheiro de sua seleção. Dzeko inspira os jovens Demirovic, do alemão Stuttgart, e Bajraktarevic, do neerlandês PSV Eindhoven, a formar um time de garra e muita luta. Dzeko empatou um jogo em que a derrota parecia certa contra os galeses em Cardiff. A vitória bósnia nos pênaltis fez viralizar um vídeo no qual os jogadores italianos Dimarco (lateral esquerdo da Inter) e Vicario (goleiro do Tottenham) comemoram o fato de não terem que jogar lá, em uma clara alusão de que contra a Bósnia, mesmo fora de casa, seria mais fácil. A vitória italiana, em casa, contra a fraca Irlanda do Norte (2 a 0), foi quase que protocolar.

O estádio de Zenica, a segunda cidade do país, é acanhado: 15 mil lugares. E por conta de violentos confrontos entre torcedores bósnios e romenos, em jogo pela fase de grupos das Eliminatórias, a FIFA puniu os locais, proibindo a venda de 6 mil assentos. Ou seja, somente 8.500 torcedores puderam comparecer, além dos 500 italianos!

Menor que Laranjeiras, em 1919!

O gramado irregular e a pressão da torcida eram obstáculos difíceis para a Itália mas logo no início (com perdão do inevitável trocadilho), o goleiro bósnio Vassilj "vacilou", entregando a bola no pé do meia Barella que serviu o bom atacante Kean. 1 a 0.

A Azzurra mantinha razoável controle do jogo quando, no fim do primeiro tempo, o zagueiro Bastoni não teve outro recurso se não o de derrubar o atacante bósnio Memic, que entraria na área para empatar: corretamente expulso!

Fosse a Bósnia um time um pouco melhor e Donnarumma, um goleiro pior, os donos de casa não teriam somente empatado mas virado o jogo com muita facilidade. Muitas vezes, a qualidade dos jogadores e a organização de um time compensam uma inferioridade numérica. Não é o caso da Itália que ainda teve uma chance incrível de ampliar o placar com o mesmo Kean. Quem não faz...

A vitória bósnia nos pênaltis faz com que a Itália seja a portadora de um absoluto recorde negativo na História das Copas: um campeão eliminado de três edições consecutivas!

Dzeko, no centro, comemora com Demirovic (10) e Tabakovic, o cara do empate!

A Volta, 12 anos depois!


Sarajevo, a capital bósnia, já estava na História por 2 momentos extremamente tristes: o estopim que fez eclodir a Primeira Guerra Mundial e uma sangrenta guerra separatista com o fim da Iugoslávia.

Agora, feliz, a cidade pulsou durante toda a noite!

Enfim, Sarajevo feliz!


quarta-feira, 25 de março de 2026

É BRASA CANARY, MORA?

Em 1965, o Brasil já havia criado e exportado para o mundo afora um novo ritmo musical: a bossa nova!

Neste ano, dois jovens de 24 anos, um carioca da Tijuca e outro capixaba, começaram a fazer sucesso pelo Rio de Janeiro e São Paulo, compondo e cantando músicas de conteúdo quase adolescente, muito inspiradas na fase "iê iê iê" dos Beatles, que transitava entre namoros, meninas bonitas, um nova moda meio espalhafatosa e carrões! 

Eram canções despretensiosas mas que caíram no gosto popular, amplamente difundidas pelas rádios e pequenos shows em locais privados. A TV Record de São Paulo percebeu um oportunidade única e convidou os dois jovens, Erasmo Carlos e Roberto Carlos, para comandar um programa nas "jovens tardes de domingo": a Jovem Guarda!

(Pra quem não sabe, os idealizadores do programa criaram esse nome baseados em uma frase do revolucionário comunista russo Lênin, proferida em 1917: "O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada!")

Mais do que um programa de TV, a Jovem Guarda virou um movimento musical, cultural e mesmo de comportamento, criando uma série de modismos entre filmes de cinema, propaganda, novos artistas e muitas, muitas novas gírias que eram, inclusive, citadas nas canções!

A garota "papo firme" era maneira, de confiança. Se ainda fosse bonita, era um "broto"! Por sua vez, um garoto bonito era um "pão"! Um carro bacana era um "carango"! Uma festa legal era de "arromba" e não podia ter gente mais velha, os "coroas"!

E sem dúvida, a gíria mais usada era aquela sempre dita ao final de uma frase, como uma pergunta ou uma confirmação: "É brasa, mora?!". Ou seja, entendeu? ou ainda, é quente, vale a pena!

O programa acabou três anos depois quando Roberto Carlos decidiu seguir carreira solo, mantendo a parceria de composições com Erasmo. Neste mesmo ano de 1968, venceu o tradicional Festival de San Remo na Itália, o mesmo que depois revelaria gente como Eros Ramazzotti, Laura Pausini e Andrea Bocelli. Roberto cantou em italiano: "Canzone Per Te" e sua carreira decolou de vez!

Ora, mesmo que Erasmo Carlos tenha arrastado Roberto a torcer pelo seu Vasco, por que um blog de futebol está falando de Jovem Guarda?

Porque quero salvar essa moça, designer do marketing da NIKE, essa de franjinha e roupa de fazer inveja à Wanderleia (a "Ternurinha"), a anunciante da nova camisa da CBF para Copa do Mundo que se aproxima!


Assistam abaixo.

BRASA CANARY

Hahahahaha!

Só não consigo salvar o "Canary" para explicar a tonalidade do amarelo canarinho...

É Brasa Canary, Mora?

Depois você reclama que este blogueiro está chato e ranzinza!

Recuse Imitações!

Hahahahaha!