segunda-feira, 18 de maio de 2026

QUE SIGNIFICA CATIVAR?


"Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas!"

Frase que o autor francês Antoine de Saint-Exupéry criou em "O Pequeno Príncipe", personagem épico, em 1943. Um dos maiores livros de todos os tempos já editados no mundo. Traduzido para dezenas de idiomas, ainda é um fenômeno de vendas, indicado para todas as idades, desde a formação de crianças até para treinamentos corporativos e de autoajuda para marmanjos. Antoine também desenhou as famosas aquarelas que ilustram não somente o livro mas toda uma gama de itens diversos que foram desenvolvidos pelo varejo ao longo de décadas, disponíveis para presentear àqueles que amamos!

Um marco da literatura contemporânea!

Esse sentimento de devoção sempre é demonstrado por torcidas de futebol que passam a adotar jogadores como grandes ídolos de sua História. Seja por títulos conquistados, por carisma, por identificação, por talento. Jogadores assim, cativam! Ainda mais, se forem craques!

Com apenas 1,68 m de altura, aos 16 anos, o capixaba Geovani Faria Silva já era titular da Desportiva Ferroviária, time mais popular de seu estado. O garoto mostrava um estilo clássico no meio de campo, muita habilidade, dribles curtos, lançamentos precisos, além de liderança nata. Um jeito bonito de tratar a bola. Olheiros do Vasco no estado não demoraram muito para descobri-lo e a transferência para São Januário foi rápida.

Do banco de reservas, aos 18, comemorou o título estadual de 1982, quando o Vasco venceu o Flamengo por 1 a 0. Durante a campanha, um fato curioso o marcou. Na decisão da Taça Guanabara contra o mesmo Flamengo, o sempre polêmico árbitro José Roberto Wright aceitou uma proposta da Rede Globo para esconder um microfone sob seu uniforme para registrar o que era falado durante o jogo. Rendeu muita confusão depois, sobretudo porque Geovani, titular neste jogo, parecia ser seu grande alvo: "Cala a boca, Geovani... Joga a tua bola... Cala a boca"! Pareceu uma intimidação totalmente desnecessária. O Flamengo venceu por 1 a 0. E nunca mais experiências assim ocorreram. Ainda bem! Já há problemas suficientes com o VAR, hoje em dia.

Giovane começou a fama mesmo no ano seguinte. O Sul-Americano de Seleções na Bolívia foi sua primeira vitrine para mostrar o talento de sua camisa 8, quando a competição passou a ser transmitida pela TV. A Final contra a Argentina foi vencida pelo Brasil por 3 a 2, com grande atuação e terminada com muita confusão e a tradicional briga generalizada entre os eternos rivais.

No meio do ano, o Mundial da categoria no México. A Final, no lendário Estádio Azteca, foi a mesma do Sul-Americano: Argentina. E, novamente, Geovani comandou o Brasil, marcando de pênalti, o gol do primeiro título mundial Sub20 e, de quebra, ainda foi o artilheiro da competição. Era um time que revelou gente como o lateral Jorginho (America-RJ), o volante Dunga (Internacional), o meia atacante Gilmar (Flamengo), o ponta direita Mauricinho (Comercial-SP), o atacante Bebeto (Vitória-BA) e o ponta esquerda Paulinho (Fluminense) que sofreu o pênalti decisivo. Treinados por Jair Pereira. Bons tempos em que grandes jogadores eram revelados.(*)

A partir de então, o torcedor do Vasco passou a se acostumar com seu "pequeno" craque do meio de campo. O bicampeonato carioca de 1987/88 fez o adjetivo ganhar um substantivo: "príncipe". Saint-Exupéry ajudou. Era um grande time com Roberto Dinamite, Romário, Dunga, Tita, Mauricinho...

1987: Paulo Roberto, Donato, Moroni, Dunga, Mazinho e Acácio. Mauricinho, Geovani, Tita, Roberto Dinamite e Romário!

Carlos Alberto Silva, então treinador da seleção principal do Brasil, não demorou a chamá-lo. O Brasil ainda não havia conquistado uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e Seul 1988 era mais uma chance. Junto a Romário e Taffarel no gol, a boa performance não foi suficiente e veio novamente a Prata, assim como em 1984, perdendo, agora, a Final para a URSS. O novo treinador, Sebastião Lazaroni, ainda o chamou na conquista da Copa América, aqui no Brasil, em 1989. Na reserva, em quase nada contribuiu.

Baixinhos Cativantes

A Europa era o caminho óbvio mas o desempenho não foi o esperado, embora  torcida do italiano Bologna tivesse reconhecido seu talento. Lesões e dificuldade de adaptação contribuíram para o insucesso. Nova tentativa no alemão Karlshurer, sem muita glória. A volta ao Vasco trouxe mais dois Cariocas em 1992/93 quando surgiu o México, com o Tigres, onde tampouco emplacou. Voltou ao Vasco em 1995, sem muito brilho. Foi para o interior de SP (XV de Jaú), ABC de Natal e decidiu voltar às origens, atuando por vários times capixabas até encerrar a carreira por lá, aos 38 anos, em 2002, sem antes ser campeão pelo Serra em 1999 e de tirar a sua Desportiva da fila do Capixabão, no ano 2000.

Infelizmente, o câncer o atingiu. Ao longo dos últimos anos, sua situação clínica foi piorando. Deu tempo de Pedrinho, atual presidente do Vasco, homenageá-lo com uma placa quando foi jogar em Cariacica recentemente, no estádio Kleber Andrade. Merecia mais.

Merecia mais...

Hoje, o "Pequeno Príncipe" de São Januário decidiu cativar mais torcedores no Céu! A esta altura, já deve ter ouvido de São Pedro umas boas-vindas, parafraseando Saint-Exupéry. Algo como...

... Parabéns pelo tempo que dedicou à bola e que a fez tão importante pois só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!


(*) Não percam ainda hoje às 17 horas. Os 26 de Ancelotti. Duvido que conheça todos ou onde jogam ou começaram a jogar! rsrsrs!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

AS DEZ MAIS DO IRÃ E AS QUARENTA E OITO DO GIANNI


Você já leu aqui sobre a confusão que o Presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o vencedor do primeiro prêmio Paz FIFA de 2025 precisam resolver exatamente a um mês do início da Copa do Mundo. Relembre aqui:

A PAZ FIFA

Demorou um pouco mas a Federação Iraniana de Futebol moveu sua peça no tabuleiro de xadrez, visando sua participação na Copa. Neste fim de semana, confirmou presença mas divulgou dez condições para estar nos EUA, onde sua seleção jogará a fase de grupos contra Bélgica, Egito e Nova Zelândia, nas cidades de Los Angeles e Seattle. A maioria delas bem óbvia e uma minoria muito sensível, indo de encontro a medidas internas já executadas pelo vencedor do Prêmio Paz FIFA, desde que assumiu o governo do país.

Entre as esperadas, segurança reforçada em aeroportos, hospedagem e deslocamentos terrestres previstos. Respeito aos símbolos nacionais, como bandeira e hino oficial, que sempre são expostos, sobretudo nos estádios onde as seleções jogam. Todas as delegações terão direito a isso mas, após toda essa crise de conhecimento de todos, é razoável que se preocupem com isso. Até aí, tudo bem. Não creio que haverá problemas.

A polêmica chega na questão dos vistos de entrada. EUA e Canadá consideram o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) uma organização terrorista. E alguns membros da delegação iraniana têm ou já tiveram algum tipo de ligação com a instituição, inclusive dois jogadores que seguramente estarão no grupo final de convocados: o lateral esquerdo Hajsafi, de 36 anos, e o atacante, capitão do time, e maior ídolo do país, Taremi, de 33! Ambos cumpriram serviço militar na CGRI, quando mais jovens.

Taremi, o  Capitão "Terrorista"

Hajsafi, o Lateral "Terrorista"

No último Congresso da FIFA, em Vancouver, as autoridades canadenses não permitiram a entrada da delegação iraniana em seu país. Todos os seus membros foram oficialmente convidados por Gianni e nem isso foi capaz de liberar seu acesso. Houve confusão com acusação de maus tratos e ânimos acirrados.

"Definitivamente, participaremos da Copa do Mundo de 2026 mas os anfitriões devem levar em conta nossas preocupações. Estaremos no torneio sem qualquer recuo em relação as nossas crenças, cultura e convicções (...) Nenhuma potência externa pode privar o Irã de participar de uma Copa para a qual se classificou com mérito."

De fato, as palavras do Presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, fazem sentido. Sua seleção fez bonito nas Eliminatórias da Ásia, com sete vitórias, dois empates e uma derrota. Uma classificação incontestável. Será sua terceira participação consecutiva. Taj apenas não pode se esquecer de que o Irã estará na Copa apenas para jogar futebol! Futebol! Assim como todas as demais 47 equipes!

Taj, o outro amigo do Gianni

Nosso amigo Gianni não tem apenas esse "probleminha" para resolver.

Os ingressos e a mobilidade para os estádios estão... assim... um pouco-muito-caros-demais-pra-caramba-à-beça! Corre o risco de apenas os familiares e amigos mais chegados dos jogadores de embates como Costa do Marfim x Curaçao ou Jordânia x Argélia estarem presentes e mesmo assim, com aquelas famosas cortesias que, neste caso, devem afugentar até mesmo cambistas experientes. E os que comprarem seguramente ainda terão orçamento para aluguel de veículos e estacionamentos. Ou o trem. Ou o ônibus. Ah! Avião também. Hotel, alimentação, souvenires. A vida de rico deve ser muito boa!

Só nos resta torcer (muito) para que Gianni e seu amigo vencedor do Prêmio Paz FIFA resolvam estas questões, mexendo com muito cuidado a próxima peça no tabuleiro! 

Amigos... amigos! Negócios... à parte?

Gianni, Gianni... De onde você tirou essas 48?

domingo, 3 de maio de 2026

COPAWAKABANA

Sim!

Shakira também é futebol! Ainda mais agora que uma nova Copa do Mundo se aproxima.

Em 2014, escrevi aqui antes da Copa dos 7 a 1 começar! Clique abaixo!

WAKA WAKA

(este texto também faz parte da trilogia "Futebol em Milhares de Palavras")

No momento em que escrevo este texto, o vídeo de "Waka Waka" tem mais de quatro bilhões e quinhentos milhões de visualizações no YouTube. Foi a canção oficial da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Aumente esse número agora!


Você deve ter reparado que alguns jogadores que disputariam aquela Copa participaram da produção. O zagueiro Gerard Piqué, do Barcelona, engatou o romance com a colombiana durante as gravações, mesmo dez anos mais novo. Dois lindos filhos! Além disso, Piqué ainda foi campeão com a Espanha! Dupla vitória.

Para a Copa de 2014, a FIFA havia feito um clipe insosso com Jennifer Lopez, Cláudia Leitte e o rapper Pitbull. Horrível. Lamentável. Decepcionante.

A péssima repercussão fez a FIFA apelar novamente para Shakira que salvou o show antes da Final no Maracanã, em nova canção composta especialmente para o evento.


Assim, Shakira será sempre lembrada por ter composto e performado duas canções que ligaram o futebol e a arte de maneira singular, em duas Copas do Mundo consecutivas. Sucessos estrondosos.

Infelizmente, o ótimo e técnico zagueiro acabou fazendo gol contra. Ao que consta pelas más línguas, traiu a mãe dos filhos com a babá! Jesus!

Torcedora declarada do Atlético Junior de Barranquilla (obviamente já esqueceu o Barcelona), sua cidade natal. Lá mesmo, em dezembro de 2023, foi inaugurada uma estátua de 6,5 metros de altura em sua homenagem, nova atração turística do Malecón, junto ao Rio Magdalena. Impressionante!

Ontem, não me lembro de algum artista internacional com a popularidade, o talento e o brilho de Shakira ter feito uma homenagem tão grandiosa à cultura brasileira, diante de uma multidão nas areias de Copacabana. Uma apresentação arrebatadora que fez história na combalida e maltratada atual cidade do Rio de Janeiro. Que momentos assim nos inspire a, pelo menos, tentar buscar algo melhor! Será que haverá espaço para um nova estátua ali na frente do Hotel Copacabana Palace?

Gracias, Loba!

Nos anos anteriores, os shows ficaram por conta de Madonna e Lady Ga Ga.

Coitadas!

quarta-feira, 29 de abril de 2026

MAIS DESTRUTIVOS QUE O ÓDIO

Na semana passada, as mídias brasileiras soltaram uma notícia a cerca de uma pesquisa feita tradicionalmente desde 1994, pelo Instituto Datafolha, sobre o interesse dos brasileiros, homem ou mulher, a partir dos 16 anos, em assistir aos jogos da Copa do Mundo.

Antes da Copa em que o Brasil conquistou o Tetra, 56% dos brasileiros manifestaram interesse em assistir aos jogos. Considerando a população do país na época, algo em torno de 155 milhões de pessoas, a extrapolação simples da amostragem chega a quase 87 milhões. 

As pesquisas continuaram sempre por volta de dois meses antes das Copas seguintes, mantendo uma mesma metodologia de ouvir entre duas e três mil pessoas em todo o país. A evolução dos números é alarmante.

O percentual de interessados foi se reduzindo ao longo destes 32 anos. E não foi pouco. Após o desastre dos 7 a 1 de 2014, a Copa da Rússia, quatro anos depois, registrou um desinteresse de incríveis 53% dos entrevistados! Para o Catar 2022, houve pequena redução para 51% e agora para a Copa da América do Norte, um recorde negativo de 54% foi atingido!

Para comparar melhor esses números, os 56% registrados acima como interessados em 1994 caíram para irrisórios 17% agora em 2026, ano em que o Brasil tem por volta de 215 milhões de habitantes. Comparando agora, números absolutos, os 87 milhões de 94 diminuíram para 37 milhões, hoje!

A situação piora quando a pesquisa aponta que 31% não pretendem, de jeito algum, assistir a qualquer jogo do Brasil, ou seja, 67 milhões de pessoas, mais que os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro somados. Atente que em 1970, o fantástico ano do Tri, a população era de 90 milhões.

Mais um dado importante. Os maiores percentuais de interesse estão na faixa dos 16 aos 24 anos e mesmo assim, ainda diminutos: apenas 24%. Conforme a idade avança, o interesse cai: 20% entre 25 e 34, 13% entre 35 e 44, 14% entre 45 e 59 e 15% acima dos 60.

Se você acompanha alguns de meus textos por aqui, encontrará alguns motivos que podem explicar este desastroso fenômeno que pulveriza o futebol brasileiro, contaminado pela política e pelo dinheiro público, pela parcialidade de decisões jurídicas esportivas, pela influência nociva e crescente de grandes conglomerados financeiros, de mídia manipuladora, de casas/sites de apostas, de empresários que dominam elencos desde as divisões de base nos clubes, muitos falidos que se travestem de SAF para encobrir sua incompetência administrativa, e, finalmente, de desrespeito ao torcedor, que até tinha um estatuto, meio fajuto, para chamar de seu, mas já substituído por uma chamada Lei Geral do Esporte em 2019 que, na prática, oficializa tudo de ruim que acabei de citar neste parágrafo.

Já escrevi aqui, lá em 2013, pouco antes da Copa das Confederações começar! Relembre aqui:

DAS FERAS DO SALDANHA AOS COADJUVANTES DA CBF

No ano seguinte, também escrevi aqui antes da Copa de 2014 começar!

VAI TER COPA? ONDE? QUANDO?

Estes textos estão nos livros de minha trilogia "Futebol em Milhares de Palavras". Se você ainda não os tem... tenha! Agora! Rsrs!

Aos 14 anos, meses antes da Copa de 1982, ajudei a pintar calçadas e a decorar a Rua Miguel Lemos, em Copacabana! Comprei os discos compactos do Junior (Voa, Canarinho, Voa), do Moraes Moreira (Sangue, Swing e Cintura) e do Luiz Ayrão (Meu Canarinho)! Sei cantar todas até hoje! Familiares e amigos se reuniam para torcer em residências, bares ou na rua. Éramos todos Pacheco ou Araquém. Um clima de festa e união! 

Rua Miguel Lemos, Copacabana, 1982

Rua Paissandu, Flamengo, 1982

Santa Teresa, 1982

Rua Antonio Basílio, Tijuca, 1982

"Mostra pra esse povo que és o Rei!"

"Essa tá no papo...!"

O Showman!

Fui para IA. Fizemos um debate filosófico sobre esta pesquisa. Entre réplicas e tréplicas, chegamos a um parágrafo conclusivo.

Indiferença é a falta de interesse, emoção ou cuidado, um estado neutro onde algo ou alguém perde relevância. O descaso é a negligência ativa, uma falta de compromisso e desrespeito com o impacto negativo gerado. A indiferença e o descaso, portanto, rompem conexões emocionais, sendo considerados mais destrutivos que o ódio por anularem a importância deste algo ou alguém!

Alô Professor Cortella! Ficou bom?


Fonte dos dados: exame.com de 20/04/2026, por Luiz Anversa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

UM FIO DA ESPERANÇA ESQUECIDA

Ontem, foi o aniversário de 20 anos da partida de Telê Santana para o Céu!

Atuava pelo Madureira no Carioca de 1962, na sua despedida como jogador, no Estádio de Laranjeiras. O Fluminense vencia por 5 a 0 quando foi lançado em uma bola longa. No gol tricolor, havia Castilho! Com a categoria que sempre desfilou, com um leve toque, encobriu o velho parceiro e amigo de onze temporadas e marcou o gol de honra do tricolor suburbano. Foi aplaudido de pé pelos torcedores de seu ex-clube! No fim do jogo, chorou pedindo desculpas pelo gol marcado contra seu time de coração!

Incontestável!

O mineiro de Itabirito Telê Santana da Silva atuou em 558 jogos pelo Fluminense, o terceiro na História do clube, marcando 163 gols, seu quinto maior artilheiro. Era ponta-direita e, depois, meia atacante. Habilidoso e oportunista. Toques rápidos. Corria por todo o campo o tempo inteiro. Acreditava em todos os lances. Seleção Brasileira? Hoje, jogaria facilmente mas nesses tempos, havia um certo Mané, Julinho Botelho, Joel...

Sua identificação com o Fluminense era tanta que o dirigente Benício Ferreira Filho procurou por Mário Filho, do Jornal dos Sports, para ajudá-lo a colocar em prática uma campanha, através de um concurso entre os torcedores tricolores, para criar uma alcunha para Telê. A magreza extrema e a fama de fazer gols decisivos no fim dos jogos talharam a vencedora: "Fio de Esperança"!

Foi no mesmo Fluminense que iniciou sua carreira de treinador nas divisões de base em 1967 e dois anos depois, assumiu a equipe principal, campeã carioca, base do time que seria campeão brasileiro em 1970 e novamente carioca no ano seguinte, já com Paulo Amaral e Zagallo, respectivamente, como treinadores.

É o treinador com maior número de partidas comandando o Atlético-MG: 434 aparições, incluindo o Brasileiro de 1971. E iniciou a Era de Ouro do São Paulo durante seis anos, entre 1990 e 96: campeão Paulista, Brasileiro, Libertadores, Mundial Interclubes, em 410 jogos, o terceiro maior do clube. Único a conquistar títulos estaduais (quando eram realmente importantes) nos quatro grandes centros do país pois também tirou o Grêmio da fila no Gaúchão, em 1977, após um octacampeonato do rival Internacional. 

Campeão Brasileiro 1971

Adorado no Olímpico, 1977

O Divisor de Águas do São Paulo FC

Duas Copas do Mundo, tendo comandado, talvez (ou seguramente), a mais talentosa seleção mundial após o Brasil de 1970. A Itália era melhor em 1982? Ou foi somente naquele jogo? A Tragédia do Sarriá é um dos jogos de Copa do Mundo mais buscados por aficionados de futebol que tentam entender o placar final. Alguns não conseguem acreditar. De qualquer maneira, aqui deixo novamente um vídeo feito por um inglês para homenagear o Brasil de Telê Santana naquela Copa! Você já deve ter visto. Veja de novo! Não segure a emoção! Pode chorar!


Eu sempre choro assistindo a este vídeo. Eu tinha 15 anos!

Mestre!

Hoje eu choro de tristeza e desprezo quando constato valores que Telê Santana fazia questão de enfatizar sendo jogados no lixo. Futebol bem jogado, fundamentos bem treinados, disciplina profissional, preparação física, respeito e identificação com o torcedor. Até a sua característica teimosia era tolerada por todos. Quando Telê falava, havia o que ouvir.

A esperança vai sendo esquecida e substituída pela ganância e arrogância. Afinal, na época de Telê, como jogador ou treinador, jogar na seleção brasileira era um sonho, uma meta!

Não é mais. Há muito tempo.

Será que ainda existe algum fio para puxar?

sábado, 18 de abril de 2026

A AMIZADE ENTRE UMA MÃO SANTA E OUTRA BOBA

A chegada de Oscar Daniel Bezerra Schmidt no Céu é um presente para Pedro, o Pescador!

No Céu

Dentre todas as alas de famosos que cuida lá por cima (artistas, escritores, inventores e a quase vazia de políticos íntegros), a dos esportistas é a mais legal! Não tenho dúvida.

Receber um brasileiro de mais de dois metros de altura, simpático, carismático, risonho, tagarela e pura resenha é sinônimo de festa e alegria.

E ainda por cima, muito talento.

O que Oscar fez dentro de uma quadra de basquete foi reconhecido por todo o mundo do esporte. Não prestava muito a atenção em tática de jogo, marcação, transição para o ataque, assistências mas fazia o que o torcedor gosta: cesta! Aliás, sem ela, não se vence jogo algum!

Dezenas de recordes e prêmios. Maioria deles, individuais. No Brasil e América do Sul, muitos títulos por clubes, o maior deles, o Mundial Interclubes em 1979, atuando pelo Sírio. Pela seleção brasileira, era muito difícil vencer os extraordinários times da URSS e da Iugoslávia mas os jogos eram duríssimos e o ápice veio naquela Final dos Jogos Pan Americanos de Indianápolis, em 1987, quando a sempre fortíssima seleção dos EUA, mesmo universitária, perdeu um jogo em casa pela primeira vez na História. Cinco anos depois, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, decidiram levar o que tinham de melhor não mais nas universidades mas na própria NBA. Indiretamente, Oscar, Marcel e companhia "criaram" o fantástico Dream Team!

OK, OK! O blog é de futebol!

Oscar atuou por aqui em clubes famosos pelo futebol: Palmeiras, ainda antes do Sírio, e depois de voltar da Europa, no Corinthians e Flamengo, onde encerrou sua carreira, em 2003, aos 45 anos. Entretanto, revelou ser torcedor do Fluminense, ainda morando em Natal-RN, onde nasceu, e depois em Brasília.

Passou treze anos de sua longa carreira atuando na Itália e Espanha. Os primeiros oito, de 1982 a 90, foram no time do Caserta, de mesmo nome da cidade a 40 quilômetros ao norte de Nápoles que, a partir de 1984, foi a residência de outro gênio do esporte: Diego Maradona!

El Pibe sempre foi um admirador de basquete. Quando soube que Oscar atuava tão perto, passou a assistir aos jogos do Caserta com frequência. Uma grande amizade surgiu. Veja fotos e vídeo abaixo.



Oscar sempre afirmou nas inúmeras entrevistas que concedia e nas palestras que ministrava após a aposentadoria das quadras que sua mão nunca foi santa mas treinada à exaustão!

Já o seu amigo "napolitano" usou a própria, inadvertidamente, por quatro vezes e aposto que nem treinou tanto para isso.

A primeira quando jogava no Barcelona, em torneio amistoso, contra o Fluminense, em Nova York, 1984. O árbitro viu o anulou o gol. Jogo terminou 2 a 2. Ele fez um dos gols (com o pé) e foi seu último jogo pelo Barça, antes de se transferir para o Napoli.

No ano seguinte, já pelo Napoli, enfrentou a Udinese de Zico e Edinho, em Údine. No primeiro tempo, fez golaço de falta. Depois, tomou a virada! No fim do jogo, pegou um rebote na trave e, literalmente, deu uma cortada de vôlei! Final: 2 a 2. Zico, enlouquecido, foi expulso por reclamação e suspenso por quatro jogos!


A terceira e mais famosa, na Copa de 1986, contra a Inglaterra. Essa, todos conhecem, né? "La Mano de Dios"!

A quarta e última, na Copa de 1990, no segundo jogo da fase de grupos contra a URSS. Após um escanteio dos soviéticos, tirou com a mão uma bola cabeceada. O árbitro não deu o pênalti. Não dá pra saber se entraria mas o jogo estava 0 a 0. A Argentina acabou vencendo por 2 a 0 e após perder na estreia para Camarões (0 a 1) e depois empatar com a Romênia (1 a 1), essa vitória acabou sendo fundamental para sua classificação às Oitavas de Final, quando eliminou o Brasil.

Teria Oscar passado, por engano, algum poder santificado de suas mãos ao hermanito

Agora é o momento dele chamar o amigo e fazê-lo prestar contas a São Pedro!

Esse papo será interessante!


quarta-feira, 15 de abril de 2026

A ÁGUIA PRECISA VOAR

Baseado em livro homônimo do aclamado escritor de romances de espionagem, o inglês Jack Higgins, o filme "A Águia Pousou" fez enorme sucesso no ano de seu lançamento, 1976. Dirigido por John Sturges ("Sete Homens e Um Destino") e estrelado por Michael Caine, Donald Sutherland e Robert Duvall, narra a história fictícia de um plano alemão para sequestrar e depois assassinar Churchill em solo inglês, sem o conhecimento de Hitler, em um momento em que os militares nazistas já previam perder a guerra. O apoio de um espião desertor norte irlandês que odiava a coroa britânica seria fundamental para o sucesso da operação que levava exatamente o nome do filme. Não contarei o desfecho... hahaha! Assista! É muito bom!

Muito Bom e... sem spoiler!

Uma outra águia, no futebol contemporâneo, já pousou e agora quer - e precisa - voar! Quanto mais para longe, melhor! De preferência, sumir de vista!

John Textor era CEO e foi afastado da Eagle Holding Football em fevereiro deste ano após dez eventos de inadimplência comprovados e vários meses de tentativas frustradas de negociação de dívidas, concluindo "má gestão consistente e falta de conformidade regulatória", segundo relatório da empresa. Daí, um "transfer ban" da FIFA e uma dívida de mais de 2 bilhões de reais para o time brasileiro que faz parte do grupo: a SAF Botafogo! As sanções também atingem o francês Lyon e o belga Brussels (antigo Molenbeek), os outros componentes.

Uma "Águia"!

Textor ainda está a frente da SAF Botafogo por meio de uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro. Neste mês de abril, quis injetar 125 milhões de reais no associativo do clube, que detém 10% da mesma SAF, mas o Conselho Fiscal  negou em clara demonstração que o clube não acredita mais nas intenções do homem que tirou o time da série B e, em 2024, foi campeão brasileiro (após jejum de 29 anos) e da Libertadores de maneira inédita, fazendo deste ano, portanto, o maior da História para seus torcedores. Hoje, sabe-se que contratou atletas como o argentino Almada e o brasileiro repatriado da Espanha Luis Henrique, as maiores contratações da história do futebol brasileiro até então, sem ter dinheiro para pagar! "Pendurou" a conta!

Ontem, as mídias brasileiras soltaram uma notícia a cerca de um anúncio publicado no prestigiado jornal inglês "Financial Times", pago pela empresa britânica Cork Gully, famosa por ser contratada para reestruturar financeiramente outras empresas à beira da falência ou em processo de insolvência. Atualmente, a Eagle é controlada por uma outra empresa chamada Ares, sua credora, e responsável por contratar a Cork Gully. Anúncio abaixo.

Brazil´s historic football club

Sim. Mesmo que o seu inglês não seja bom, está bem claro que o Lyon, o Brussels e o Botafogo, um dos mais históricos clubes de futebol do Brasil, estão à venda.

Seja lá quem enviar e-mail interessado na compra precisará tratar de duas questões que o anúncio não menciona. O imbróglio jurídico do Textor com o Associativo no Rio de Janeiro e um detalhe, eu diria bem importante: qual o valor para os três? Será possível comprar um só? Ou dois? 

De qualquer maneira, este texto não é para criticar por criticar, muito menos para provocar memes pejorativos a uma instituição centenária e importante para o futebol como o Botafogo mas chamar a atenção para um ponto de vista que eu defendo desde que as Sociedades Anônimas do Futebol apareceram no Brasil.

Se os vinte clubes da Série A, por exemplo, do Campeonato Brasileiro se converterem em SAF, um deles será campeão e quatro serão rebaixados à série B. Ou não?

Assim, fica claro que a SAF não pode e nem deve ser encarada como "salvação da lavoura" mas como uma maneira válida do futebol existir. Seja assim ou como associativo, uma gestão irresponsável, incompetente ou amadora poderá levar a instituição à falência. Como qualquer empresa ou organização. Estão aí os exemplos recentes das confusões em SAF do Cruzeiro e do Vasco.

EagleAssets@corkgully.com

Esse é o e-mail. Interessou?

Mas depois não diga que este blogueiro não avisou!

Veja lá onde essa águia vai pousar...