Sem querer denunciar idade... já denunciando, as primeiras séries de TV a que assisti eram transmitidas na Rede Globo e na extinta Rede Tupi, ali pelo início dos anos 1970, após terem sido lançadas nos EUA, na década anterior: "Batman" (Adam West e Burt Ward), "Jornada nas Estrelas" (William Captain Kirk Shatner e Leonard Spock Nimoy), "A Feiticeira" e "Jeannie é um Gênio", estas últimas, minhas deusas de infância, respectivamente, Elizabeth Montgomery e Barbara Eden!
(Tudo bem! Também adorava o japonês Ultraman!)
Ao contrário de hoje, quando os streamings chegam a colocar dezenas de opções de idiomas para as legendas, todas as séries, desenhos animados e filmes de longa metragem na TV eram dublados em português. E não havia alternativa. Legenda? Só no cinema!
Assim, durante a abertura, sempre se ouvia um narrador falando, em português, os nomes dos atores principais, da produtora e, no final, o nome do estúdio responsável pela dublagem. Foram frases que ficaram famosas, envolvendo os dois maiores do país na época:
- "Versão Brasileira: Herbert Richers!" (No Rio)
- "Versão Brasileira: AIC São Paulo!"
Claro que os dubladores também passaram a ganhar notoriedade. Orlando Drummond (o Seu Peru da Escolinha do Prof. Raimundo) dublou Scooby-Doo e Popeye, Isaac Bardavid (Esqueleto do He-Man, Wolverine e Freddy Krueger), Nizo Neto (filho do Chico Anysio e o Seu Ptolomeu da Escolinha) dublou o Presto da Caverna do Dragão e Matthew Ferris Buller Broderick em "Curtindo a Vida Adoidado". E ainda hoje, talentos como Guilherme Briggs (Buzz Lightyear do Toy Story), Cecilia Lemes (Chiquinha do Chaves), Miriam Ficher (Drew Barrymore, Cate Blanchett e Nicole Kidman) e da galera do Anime; Wendel Bezerra (Goku) e Glauco Marques (Zoro do One Piece)!
(Parágrafo escrito com a colaboração direta de meu filho Pedro. Sabe tudo de dubladores...)
| Drummond Eterno |
Tem futebol neste texto? Tem!
De uns bons anos pra cá, as dezenas de câmeras (e seus zooms maravilhosos) espalhadas pelos estádios de todos os continentes passaram a registrar detalhes nunca antes atentados nas transmissões pela TV: a leitura labial de jogadores, treinadores, equipe de árbitros e todos que possam estar ali pelo gramado.
Ora, se tem leitura labial... tem dublador!
Hoje em dia, as redes sociais possuem uma capacidade impressionante de criar, com rapidez, novos e competentes profissionais em antigas ou novas funções. O primeiro a aparecer fazendo ótima leitura labial de jogos de futebol foi Gustavo Machado. Agora, surge o Gabriel Velloso ou simplesmente, Velloso! Ambos, merecidamente, com milhões de seguidores!
Há alguns jogadores brasileiros, sobretudo veteranos, que fazem estágio, dentro de campo, para se transformarem em futuros árbitros pois gostam de "apitar" o jogo, junto com o(a) árbitro(a) de verdade! No último fim de semana, o Santos empatou com o Mirassol na Vila Belmiro, pelo Brasileiro, em 1 a 1. O Peixe possui um destes "estagiários" que, durante este jogo, desferiu uma série de ofensas, impropérios e palavrões para a árbitra Édina Batista, pedindo faltas, cartões aos adversários e reprovando sua atuação de maneira grosseira e, na maioria das vezes, injustificada.
Todavia, a estratégia parece ter dado certo pois a fraca Édina expulsou erradamente um defensor do Mirassol, em lance justamente com o "estagiário" e deixou de expulsar o próprio, em lance que valia um segundo cartão amarelo. E pior: não relatou qualquer evento relacionado aos xingamentos que recebeu na súmula do jogo.
Culpa de quem? Do Velloso que fez leitura labial, na minha opinião, perfeita do "estagiário" que não gostou do que foi divulgado, acusando-o de distorcer o que falou. Com muita educação, o dublador retrucou, afirmando que a técnica não é uma ciência exata, pode haver alguma divergência, e solicitou que o "estagiário" apontasse em qual parte do vídeo houve erro.
Até o momento em que escrevo este texto, não se tem notícia de que possíveis erros tenham sido apontados.
Naturalmente, o "estagiário" deve ter falado algo como "Data vênia, sra. Édina, permita-me discordar de tua marcação. Afinal, parafraseando Voltaire, não concordo com nada que marcaste mas defenderei até a morte o direito que tens de fazê-lo"!
Velloso deve ter enlouquecido!
Não sei se Voltaire, célebre iluminista francês, salvará o "estagiário" de uma possível punição mais severa do STJD e muito menos se livrará Édina de pegar uma "geladeira", sem ser escalada por um bom tempo.
| Alexander Voltaire... |
| ... os salvará? |
Agora, imagine o que era dito quando a mão na boca não era punida...






