segunda-feira, 31 de agosto de 2026

KICHUTE E INTOLERÂNCIA

Quando eu tinha 10 anos (1977), já respirava e transpirava futebol por todos os poros!

E sem videogame!

Como?

Ora, ouvindo jogos pelo rádio, assistindo a poucos pela TV, indo ao Maracanã, colecionando figurinhas, futebol de botão ou mesmo jogando em qualquer lugar: no colégio, clube, praia, no corredor de casa. Com qualquer tipo de piso, desde que se pudesse fazer um gol. Bola podia ser a própria, leve, pesada, costurada a mão, desbotada, de qualquer cor, de meia ou uma pequena amêndoa (tinha muitas no colégio que chamávamos de "coquinho")! Jogávamos de tênis, de preferência "kichute" (*), de chinelo ou descalço! Chuteira? Era difícil encontrar para comprar! E quando se encontrava; caríssima!

"Raiz"

(*) Deixava um perfume gostoso após o uso...

Mesmo torcendo para o Fluminense da Máquina Tricolor (Rivellino, Paulo Cézar, Gil, Edinho, Pintinho, Dirceu e depois Marinho Chagas), eu ficava encantado com o futebol jogado por Zico, Roberto Dinamite, Reinaldo, Falcão, Carpegiani, Nelinho, Toninho Cerezzo, Mendonça, Zé Sérgio, Palhinha, Ailton Lira, Dicá, Oscar, Amaral e dos goleiros Leão, Carlos e Waldir Peres! Poderia continuar...

Dicá, Roberto Dinamite, Zico, Falcão, Ailton Lira, Reinaldo...

Em 1977, meninos de 10 anos que cruzassem com algum ou alguns desses nomes na rua, ou ainda de outros não citados, fariam de tudo por um pedaço de papel e caneta ou lápis para conseguir algo equivalente, hoje em dia, a uma selfie: um autógrafo! Alguns mais fanáticos chegavam a ir até uma papelaria para plastificá-lo e "eternizar" aquele momento. Muita tecnologia.

Era véspera da Copa do Mundo 78. A primeira em que eu realmente entenderia a competição, conheceria melhor jogadores e seleções! A seleção brasileira era realmente o Brasil, que se classificou nas Eliminatórias após um primeiro triangular com Paraguai e Colômbia e depois um outro, jogado em Cáli, na Colômbia, vencendo Peru (1x0) e aplicando uma goleada histórica na Bolívia (8x0). O time era semelhante a esse aí abaixo, formado para um amistoso contra a Alemanha Ocidental, no Maracanã. Eu estava lá. Os então campeões mundiais fizeram 1 a 0 já no segundo tempo. Rivellino empatou no final! Veja se estava cheio...

Brasil 77: Zé Maria, Leão, Cerezzo, Amaral, Luis Pereira e Rodrigues Neto. Gil, Zico, Roberto Dinamite, Rivellino e Paulo Cézar.

O tempo passou! Quase 50 anos! Muitas coisas melhoraram no Brasil e no mundo. Não preciso citá-las! Você sabe. Outras pioraram. Você também sabe.

Mesmo assim, vou citar uma das que pioraram no âmbito do nosso futebol, claro! Já há alguns anos, os clássicos entre os quatro grandes em São Paulo são jogados sem a torcida visitante. Um notório atestado de incompetência ou talvez preguiça, descaso, ou todos combinados, do poder público em garantir segurança para todos.

Ontem, em Itaquera, indiretamente e sem qualquer culpa, Neymar acabou sendo a ferramenta pela qual outra coisa que piorou muito em nossa sociedade se manifestasse em sua plenitude: a intolerância. E sempre por motivos fúteis.

10 anos

Era um menino de 10 anos, como eu em 1977. Infelizmente, a decadência do futebol brasileiro não lhe permitiu que conhecesse craques às pencas como aquela galera que citei mais acima. Não quero comparar Neymar com eles, nem dentro, nem fora de campo. Entretanto, atualmente, é o único que poderia estar naquele seleto grupo. E já tem 34 anos, muito longe do ápice de suas formas física e técnica.

O jovem corintiano crescerá mas não sei quando verá algum jogador no seu ou em qualquer outro time, a quem poderá chamar de craque. Sinceramente, não sei.

Melhor fará se ficar no videogame, pedindo ajuda a seu pai ou avô para montar um time do tipo Brazil (com Z) Legends

Vai ganhar tudo!

Ficará no videogame?



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

VERSÃO BRASILEIRA

Sem querer denunciar idade... já denunciando, as primeiras séries de TV a que assisti eram transmitidas na Rede Globo e na extinta Rede Tupi, ali pelo início dos anos 1970, após terem sido lançadas nos EUA, na década anterior: "Batman" (Adam West e Burt Ward), "Jornada nas Estrelas" (William Captain Kirk Shatner e Leonard Spock Nimoy), "A Feiticeira" e "Jeannie é um Gênio", estas últimas, minhas deusas de infância, respectivamente, Elizabeth Montgomery e Barbara Eden! 

(Tudo bem! Também adorava o japonês Ultraman!)

Ao contrário de hoje, quando os streamings chegam a colocar dezenas de opções de idiomas para as legendas, todas as séries, desenhos animados e filmes de longa metragem na TV eram dublados em português. E não havia alternativa. Legenda? Só no cinema!

Assim, durante a abertura, sempre se ouvia um narrador falando, em português, os nomes dos atores principais, da produtora e, no final, o nome do estúdio responsável pela dublagem. Foram frases que ficaram famosas, envolvendo os dois maiores do país na época:

- "Versão Brasileira: Herbert Richers!" (No Rio) 

- "Versão Brasileira: AIC São Paulo!"

Claro que os dubladores também passaram a ganhar notoriedade. Orlando Drummond (o Seu Peru da Escolinha do Prof. Raimundo) dublou Scooby-Doo e Popeye, Isaac Bardavid (Esqueleto do He-Man, Wolverine e Freddy Krueger), Nizo Neto (filho do Chico Anysio e o Seu Ptolomeu da Escolinha) dublou o Presto da Caverna do Dragão e Matthew Ferris Buller Broderick em "Curtindo a Vida Adoidado". E ainda hoje, talentos como Guilherme Briggs (Buzz Lightyear do Toy Story), Cecilia Lemes (Chiquinha do Chaves), Miriam Ficher (Drew Barrymore, Cate Blanchett e Nicole Kidman) e da galera do Anime; Wendel Bezerra (Goku) e Glauco Marques (Zoro do One Piece)!

(Parágrafo escrito com a colaboração direta de meu filho Pedro. Sabe tudo de dubladores...)

Drummond Eterno

Tem futebol neste texto? Tem!

De uns bons anos pra cá, as dezenas de câmeras (e seus zooms maravilhosos) espalhadas pelos estádios de todos os continentes passaram a registrar detalhes nunca antes atentados nas transmissões pela TV: a leitura labial de jogadores, treinadores, equipe de árbitros e todos que possam estar ali pelo gramado.

Ora, se tem leitura labial... tem dublador!

Hoje em dia, as redes sociais possuem uma capacidade impressionante de criar, com rapidez, novos e competentes profissionais em antigas ou novas funções. O primeiro a aparecer fazendo ótima leitura labial de jogos de futebol foi Gustavo Machado. Agora, surge o Gabriel Velloso ou simplesmente, Velloso! Ambos, merecidamente, com milhões de seguidores!

Há alguns jogadores brasileiros, sobretudo veteranos, que fazem estágio, dentro de campo, para se transformarem em futuros árbitros pois gostam de "apitar" o jogo, junto com o(a) árbitro(a) de verdade! No último fim de semana, o Santos empatou com o Mirassol na Vila Belmiro, pelo Brasileiro, em 1 a 1. O Peixe possui um destes "estagiários" que, durante este jogo, desferiu uma série de ofensas, impropérios e palavrões para a árbitra Édina Batista, pedindo faltas, cartões aos adversários e reprovando sua atuação de maneira grosseira e, na maioria das vezes, injustificada.

Todavia, a estratégia parece ter dado certo pois a fraca Édina expulsou erradamente um defensor do Mirassol, em lance justamente com o "estagiário" e deixou de expulsar o próprio, em lance que valia um segundo cartão amarelo. E pior: não relatou qualquer evento relacionado aos xingamentos que recebeu na súmula do jogo.

Culpa de quem? Do Velloso que fez leitura labial, na minha opinião, perfeita do "estagiário" que não gostou do que foi divulgado, acusando-o de distorcer o que falou. Com muita educação, o dublador retrucou, afirmando que a técnica não é uma ciência exata, pode haver alguma divergência, e solicitou que o "estagiário" apontasse em qual parte do vídeo houve erro.

Até o momento em que escrevo este texto, não se tem notícia de que possíveis erros tenham sido apontados.

Naturalmente, o "estagiário" deve ter falado algo como "Data vênia, sra. Édina, permita-me discordar de tua marcação. Afinal, parafraseando Voltaire, não concordo com nada que marcaste mas defenderei até a morte o direito que tens de fazê-lo"! 

Velloso deve ter enlouquecido!

Não sei se Voltaire, célebre iluminista francês, salvará o "estagiário" de uma possível punição mais severa do STJD e muito menos se livrará Édina de pegar uma "geladeira", sem ser escalada por um bom tempo.

Alexander Voltaire...

... os salvará?

Agora, imagine o que era dito quando a mão na boca não era punida...

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADO

Ufa!

Praticamente um mês de férias! Eu daqui do blog e você de mim! rsrs

A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do mundo, superando os Jogos Olímpicos de Verão em audiência, mesmo tratando de um único esporte, obviamente por mais tempo e o mais popular de todos! E ainda reunindo menos países!

Assim que a Copa acabou, o calendário sul-americano não permitiu folga, como sempre, sobretudo com Brasil e Argentina, além das competições Conmebol. Os europeus ainda tiveram um respiro de vinte dias, começaram com amistosos e torneios tradicionais de pré-temporada, além de Supercopas nacionais que sempre costumam abrir oficialmente suas respectivas temporadas.

Nada disso é novidade para quem acompanha o futebol mundial. Novas datas-Fifa virão já no próximo mês. A Liga das Nações da UEFA vai começar com novo formato e a CBF já acertou três amistosos "importantes" para seu time iniciar o ciclo até a próxima Copa, na casa dos adversários: dois contra a Austrália e outro contra a... Índia! Não é rugby e nem cricket, ok? Viagens longas recheiam os programas de milhagens das companhias aéreas, né não?! (Como se os milionários astros estivessem preocupados com isso...)

Claro que se o centro financeiro do futebol está na Europa, além da importância de seu calendário, é razoável constatar que, por lá, times e seleções possam planejar suas temporadas de maneira extremamente profissional, sob todos os critérios: físico, técnico e, ao longo do tempo, logístico.

O longo prazo define etapas a cumprir no curto prazo, de acordo com o que se planeja, com flexibilidade para ajustes, conforme a realidade ou prática. Qualquer empresa que se preza, segue mais ou menos essa cartilha.

Continuidade mesclada a experiências aqui e ali. Testa um pouco e arrisca. Estresse controlado estimula produtividade. Confia em profissionais mais veteranos, oxigena com recursos oriundos de mercado e com os jovens, ávidos por conquistar espaço! Somente um vai ganhar mas os objetivos se alternam, conforme seus orçamentos.

Você pode estar pensando que desviei o foco do futebol e fui para o mundo corporativo... rsrs! Eu te entendo mas não fiz isso não!

Observe bem a imagem abaixo. Talvez não explique em sua totalidade o sucesso de um, muito menos o fracasso de outro e menos ainda, qualquer relação de causa ou efeito entre eles. Os nomes que estão em amarelo estiveram na Copa do Mundo de 2026.

Tirou sua conclusão?

Ainda não? 

Vou fornecer mais um dado importante para te ajudar: nesse jogo aí, há 5 anos, o time de amarelo venceu o de vermelho (2x1) e ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, disputado em 2021.

Agora já consegue! Escreva aí nos comentários!

Estamos de volta! Fique atento!

terça-feira, 21 de julho de 2026

COPA DO MUNDO 2026: RANKING HISTÓRICO ATUALIZADO

Saiu o novo ranking, com garantia de qualidade "Futblog dos Amigos"!

Com 48 seleções e 104 jogos, houve mudanças relevantes no sobe-e-desce. Além disso, fiz algumas correções, sobretudo no critério do somatório dos pontos. Lembrando que até a Copa de 1990, a vitória valia dois, passando a três, a partir de 1994, o que vinha gerando algumas distorções. Vale afirmar também que a prorrogação em "mata-mata" define o resultado final e disputa de pênaltis, em empate, após os 120 minutos.

Assim, atente para seleções que não jogam a Copa há algum tempo e outras que estiveram mais presentes em edições anteriores a 1994 para entender sua pontuação. Outra coluna interessante para analisar é a de Pontos Ganhos / Jogos. Foi a maneira que pensei para medir o aproveitamento, sem precisar fazer mais cálculos com essa questão de dois e três pontos por vitória, conforme a edição.

Os critérios de desempate em Pontos Ganhos seguem as normativas da FIFA:

1o. Maior participação em Copas;

2o. Maior número de vitórias;

3o. Maior saldo de gols;

4o. Maior número de gols marcados.

Então, vá buscar seus óculos, lupa ou qualquer outro instrumento ótico. Os mais jovens não precisam muito, né? rsrs. Clique na imagem que aumenta! São 84 seleções e não dá para fazer milagre de publicar a imagem em tamanho natural por aqui!

Brasil e Alemanha continuam e devem ficar absolutos por um bom tempo, mesmo sem boas campanhas recentes. Argentina, que já havia ultrapassado a Itália, se consolida em terceiro. Outra que também acaba de ultrapassar a ultrapassada Itália é a França que dificilmente deixará a quarta posição tão cedo. Para 2030, a briga será boa entre Itália (será que vai?), Espanha e Inglaterra, sem esquecer de Países Baixos que, mesmo sem nunca ter sido campeão (três vices), está muito a frente de um que já foi por 2 vezes, o Uruguai que, ao sucumbir com o "Loco" Bielsa, perdeu uma posição para a Bélgica e viu o México chegar! Repare, ainda, que Países Baixos possui a segunda melhor relação PG/J, atrás apenas do Brasil.

Na sequência, destaque para a performance positiva de Portugal, Croácia, Polônia, ainda a Rússia (que herdou histórico da URSS), Colômbia, além do crescimento dos EUA e Marrocos. Interessante verificar como o desmembramento da antiga Iugoslávia derrubou a Sérvia, que herdou seu histórico. Isso também ocorreu com a Tchéquia, após perder a Eslováquia. Um pouco mais abaixo, com somente três Copas disputadas, a Noruega aparece com performance positiva e ótima relação PG/J. Finalizando, confira o número de gols marcados pela Hungria (22o.), que não participa de Copa desde 1986! Voltem Puskas, Kocsis ...!

E divirta-se com os números a partir da 50a. posição. 

E tire sua conclusão! Escreva aqui nos comentários! Tire dúvidas e...

Até 2030 na...

Espanha - Portugal - Marrocos - Uruguai - Argentina - Paraguai!

Que loucura, Gianni! Precisava um centenário desse jeito? Imagina com 64...


segunda-feira, 20 de julho de 2026

COPA DO MUNDO 2026: OS DEUSES SEMPRE ESTIVERAM ATENTOS

Não era possível que os Deuses do Futebol não estivessem atentos ao que acontecia na Copa do Mundo de 2026.

Lembro do que a literatura mundial nos presenteia com Agatha Christie. Seu último romance policial "Cai o Pano" narra o derradeiro caso do célebre detetive belga Hercule Poirot, já idoso e em cadeira de rodas. Agatha o finalizou no início da Segunda Guerra mas não o lançou. O manuscrito original ficou guardado em cofre de um banco até um ano antes de sua morte em 1975. Não darei spoiler sobre o fim mas a analogia com essa Final de Copa é automática.

Final Surpreendente!

Elliot "Nessi", que é gênio, e seus intocáveis chegaram à Final muito bem (ou mal) conduzidos pela FIFA e promoveram o mesmo "espetáculo" dos outros sete jogos: faltas em sequência, muitas desleais ou violentas, raros cartões amarelos, que fará, vermelhos. Decisões favoráveis de VAR, com critérios distintos em lances idênticos aplicados a outras seleções. Um festival de aberrações e grosserias impunes de maneira que o mundo inteiro de olho na Copa não entendeu tamanha passividade de quem deveria impedir isso tudo.

"Nessi", que é gênio, e seus amigos não deram um único chute no gol na Espanha por quase 120 minutos! Por quê? Cansados? Não! Porque simplesmente o adversário é muito, mas muito, superior! E não somente com a bola rolando. Assim que o jogo terminou, alguns amigos de "Nessi", que é gênio, partiram para a agressão gratuita e no momento da premiação aos vencedores, a maioria esmagadora de seus amigos protagonizou uma cena grotesca, patética, vexatória mas que confirma bem todo o histórico de maus perdedores e de pretensa superioridade étnica dos autodenominados "europeus" da América do Sul: ficaram de costas para o palco e de frente para seus torcedores na plateia. Que vergonha! Que lamentável! Que ridículo!

Massacre

Vergonha

Assim, não era difícil prever que o mundo inteiro estaria com a Espanha. Mexicanos lotaram o Zócalo na capital e a Plaza Principal em Guadalajara. Apenas um exemplo. "Hermanos" reunidos em quiosque chamado "Buenos Aires" na Avenida Atlântica em Copacabana, na Praça Central em Búzios e no bairro da Mooca em São Paulo promoveram quebra-quebra e muita confusão. Como sempre! O mundo não é o bastante!

Ao mesmo tempo, e em sentido oposto, espanhóis lotaram praças centrais em centenas de cidades em seu país. Foi muito interessante observar nos diversos vídeos e fotos divulgados pelas redes sociais como o futebol consegue unir as diferenças e antagonismos das suas 17 regiões, ilhas e cidades autônomas. Desde a queda da ditadura de Franco em 1975, isso tem sido um grande desafio para a monarquia, o parlamento e todos os governos regionais. Na comemoração de ontem, alguns jogadores amarraram bandeiras de suas respectivas regiões, como uma espécie de saiote, para homenagear sua origens: Olmo e sua cidade na Catalunha, Baena na Andaluzia, Pedri nas Ilhas Canárias, Iglesias na Galícia, Pedro Porro na Estremadura e Ferran Torres, o homem do Gol, na Comunidade Valenciana!

Unindo um país!

Com a democracia restaurada desde esta época, o hino oficial, "A Marcha Real", voltou sem letra, uma vez que nada menos que cinco idiomas são falados em todo o território. Por isso, os jogadores espanhóis não cantam quando estão perfilados!

Parabéns Espanha! O futebol agradece!

Os Deuses do Futebol, às vezes, não ligam muito para injustiças.

Mas jamais deixam de estarem atentos!


OBS: No forno, o novo ranking histórico atualizado das Copas do Mundo!

sexta-feira, 17 de julho de 2026

COPA DO MUNDO 2026: O INTOCÁVEL DE FLEMING CONTRA O FUTEBOL DA FONTE

Você já leu aqui sobre a analogia que fiz entre Messi e o filme de Brian de Palma. Agora, o "Elliot" argentino tem nova inspiração: Ian Fleming! Curiosamente, nascido no país que acaba de ser "exterminado" por ele!

Na verdade, nem tão nova assim. Já na primeira partida, as travas de sua chuteira repousaram na panturrilha do zagueiro argelino sem qualquer punição.

Ian Fleming foi um militar e estrategista político durante a Segunda Guerra Mundial e depois, jornalista e escritor. Assista ao ótimo filme "O Soldado que Nunca Existiu" na Netflix, com Colin Firth. No final, há uma menção ao personagem famoso que Fleming criou: James Bond!

Como todos sabem, o Agente Secreto 007 tinha esses dois zeros que representavam, na agência oficial MI-6, uma classificação especial: Licença para Matar!

Nova Inspiração

Além da pobre Argélia, "Nessi" e seus amigos tiveram a complacência e a subserviência de árbitros, assistentes e VAR para fazerem o que bem entendessem ao longo de sete jogos até aqui. Todos as seleções contra as quais jogaram foram vergonhosamente prejudicadas, técnica e disciplinarmente. Também há uma mídia, a brasileira inclusive, que se derrete pela garra, pela raça, pela atitude de vencer dos "heróis" hermanos! Apenas se esquecem de que o pensamento de Maquiavel serviu como crítica aos poderosos de sua época mas nunca como justificativa ao sentido literal de sua execução.

Ele pode!

O Egito não pode! Ele pode!

Todos podem torcer para quem quiserem. "007 Nessi" é gênio mesmo. Uns lamentam, outros compreendem mas os fatos não podem ser distorcidos. Muito menos aqueles que nos mostram como o treinador alemão Tuchel foi covarde ao renunciar a um jogo em que seu time era - e é - superior, em vantagem no placar. Mancha a pesada camisa da Inglaterra e mantém um estigma doloroso de derrota. Jogadores como Kane, Bellingham, Rice, Stones e os jovens Spence, Gordon e Anderson merecem uma liderança mais alinhada à historia secular de seu futebol.  Não... eles não são perfeitos. Sua única conquista de Copa foi em casa e cercada de favorecimentos mas, sessenta anos depois, foram eliminados por quem recebeu da FIFA (e não do MI-6) a tal "licença para matar".

O sobrenome do treinador espanhol demonstra muito bem de onde sua seleção buscou o futebol que pratica: Da Fonte! Aquela do futebol-raiz que valoriza o jogo! Com atuações perfeitas do excepcional capitão Rodri, Ruiz, Cucurella e a dupla de zaga (Cubarsí e Laporte), a Espanha anulou o talento francês. O infantil pênalti cometido pelo Digne contribuiu bastante mas o domínio no meio de campo foi absoluto. Oyarzabal faz excelente Copa, com Yamal ainda discreto mas crescendo. Como esperado, não houve complicações de arbitragem, poucas faltas, jogo limpo, sem provocações e respeito mútuo entre as duas melhores seleções do mundo que deveriam ter feito a Final. O futebol foi o grande vencedor.

Espanha e Argentina se enfrentaram uma única vez em Copas. Em 1966, na fase de grupos, com vitória albiceleste por 2 a 1. No geral, absoluto equilíbrio: seis vitórias para cada e dois empates. No último confronto em 2018, massacre espanhol; 6 a 1 em amistoso, em Madri.

Se, em 1982, o ditador Leopoldo Galtieri tivesse "Nessi" entre seus generais, as Malvinas já seriam argentinas desde essa época como o cartaz que os jogadores mostraram ao final do jogo. Aliás, essa proibição está expressa no regulamento de competições da FIFA. Multas progressivas, perda de pontos, punições personalizadas, eliminações e perda de títulos! Essa eu quero ver...

Eles podem?

Prognóstico? Elliot "Nessi" explodiu minha bola de cristal. Usou um só tiro com uma Walther PPK, a famosa pistola do Bond, cedida pela FIFA.



Apenas torço para que os Deuses do Futebol estejam atentos a isso tudo.

Jogo de terceiro lugar? Poupe-me!

segunda-feira, 13 de julho de 2026

COPA DO MUNDO 2026: FALKLANDS OU MALVINAS?

O título do texto serve meramente para ilustrar a história do confronto entre Inglaterra e Argentina nas Copas do Mundo. Vale a pena buscar fatos que remontem à disputa das ilhas remotas no Sul do Atlântico. Não é meu objetivo aqui embora o conflito armado de 1982 tenha sido uma espécie de pano de fundo para o jogo entre as duas seleções na Copa de 1986.

Tudo começou na Copa de 1962, Chile. Estavam no mesmo grupo e na segunda rodada, a Inglaterra venceu por 3 a 1. A Hungria terminou em primeiro e os ingleses ficaram em segundo, eliminando a Argentina no saldo de gols. A Bulgária ficou em último. Nas Quartas, acabaram eliminados pelo Brasil (3x1), com um show antológico de Garrincha!

Chile 1962: Amigos... Por enquanto!

Em 1966, o início da ferrenha rivalidade. Quartas de Final. Argentina tinha ótimo time, comandada pelo meio-campista clássico e capitão Antonio Rattín. O empate sem gols persistia até os 35 minutos do primeiro tempo. O árbitro alemão Rudolf Kreitlen marcou uma falta de Rattín no meio de campo. Sem que o argentino falasse alemão ou o que o árbitro falasse castelhano, Rattín tentou indagar o árbitro sobre o motivo da marcação da falta. Não há imagens que registrem este momento, apenas o instante imediatamente após a expulsão do argentino, supostamente por reclamação. Nesta época, a expulsão de um jogador acontecia de maneira verbal ou gestual do árbitro. Depois daquele disse-me-disse tradicional, Rattín pediu a presença de um intérprete para esclarecer o lance. Sem ser atendido, se recusou a deixar o gramado de Wembley. Jogo ficou parado por 10 minutos e o argentino teve que ser escoltado pela Polícia para sair. Já de fora, percorreu lentamente todo o lado oposto da linha lateral do campo, enquanto o jogo já havia sido reiniciado. Ao chegar no escanteio, Rattín pegou a bandeira do Reino Unido no mastro e a amassou com raiva e desprezo! Continuou a caminhar e, mais adiante, sentou-se no tapete vermelho destinado exclusivamente à Rainha Elizabeth II! Educamente, foi convencido a levantar. Tampouco há registro disso. FIFA tratou de abafar! Com um a mais, a Inglaterra somente conseguiu marcar aos 33 minutos do segundo tempo, avançando à Semifinal. Após o incidente, a FIFA instituiu os cartões amarelo e vermelho para a Copa de 1970. Curiosamente, Rattín faleceu aos 82 anos, na véspera do jogo Argentina x Suíça, de anteontem. Os Intocáveis jogaram com uma faixa preta na manga da camisa. Os mais incautos das redes sociais acharam que era por conta do falecimento do jogador sul-africano Jayden Addams que esteve na Copa 2026. Muitos elogios do tipo "Viram? Somente os hermanos se lembraram disso!" Tolinhos...

Rattín não fala inglês...

... mas esmaga bandeiras!

Vinte anos depois, "La Mano de Dios"! A expressão foi dita pelo próprio Maradona, após a partida de Quartas de Final da Copa de 1986, México. O contexto do conflito armado das Falklands/Malvinas, quatro anos antes, ainda exercia forte pressão mas somente aos argentinos, os perdedores. Logo depois, Diego faria um gol antológico que, se houvesse VAR na época, sem qualquer manipulação escusa, teria sido, simplesmente, anulado. No momento em que a bola sobrou para Maradona ainda na intermediária defensiva argentina, o meio-campista Glenn Hoddle tinha a posse da bola e sofreu falta clara do volante Giusti. O árbitro tunisiano Abin Nasser nada marcou. Em conclusão fria, a Argentina venceu por 2 a 1, com dois gols irregulares! Mais ou menos como o gol do Egito anulado agora em 2026! Lembrou?

La Mano de Dios!

França, 1998. Oitavas de Final. O treinador inglês era exatamente Glenn Hoddle, que tinha Michael Owen e David Beckham como astros. Mas a Argentina tinha o mais mau caráter de todos os jogadores que conheci em meus 51 anos acompanhando futebol: Diego Simeone. Beckham caiu na sua armação e acabou expulso. Mesmo assim, o 2 a 2 foi o resultado final, após prorrogação, e a Argentina venceu nos pênaltis, com grande atuação do goleiro Roa.

Beckham, o Ingênuo!

Japão / Coreia 2002. Argentina e Inglaterra caíram no Grupo da Morte com Suécia e Nigéria. Na segunda rodada, a vingança de Beckham que cobrou um pênalti com violência mas no meio do gol, sacramentando a vitória dos ingleses. Na última rodada, os argentinos de Marcelo "El Loco" Bielsa, cheios de craques como Batistuta, Crespo, Ortega, Aimar, Zanetti, não conseguiram derrotar os suecos (1x1) e acabaram eliminados no saldo de gols.

Beckham, o Vingador!

São 5 jogos: 3 vitórias da Inglaterra, uma da Argentina e um empate. A Inglaterra levou o futebol à Argentina no final do século XIX mas sua influência por lá é sentida fortemente até hoje. Basta lembrar de alguns nomes: River Plate, Racing, Velez Sarsfield, Banfield, Newell´s Old Boys e todos os Juniors!

Kane, Bellingham e amigos contra Messi. Prevalecerá a brincadeira que fiz de Elliot "Nessi" e seus intocáveis ou teremos uma disputa do tipo "que vença o melhor"?