| Sua Majestade! |
Desde que começou a brilhar no futebol, com a Copa de 1958, Pelé foi (e continua sendo) sinônimo de Brasil!
Foi aquela mola propulsora que, de maneira contundente, fez o país ser conhecido em todo o mundo.
Meu pai é oficial aposentado da Marinha Mercante e esteve em dezenas de portos e terminais petrolíferos em todos os continentes entre as décadas de 1960 e 90. Nas suas folgas, visitava lojas e restaurantes locais e sempre que perguntado, dizia que era do Brasil. Eram raras as situações em que as pessoas não lhe replicavam com um sonoro e sorridente "PELÉ"!
No próximo dia 23, o Rei do Futebol faria 86 anos! Escrevi um artigo aqui sobre seu aniversário de 70, ou seja em 2010: O QUE É PELÉ, 70 ANOS DEPOIS?
Logo após parar de jogar, em 1977, Pelé foi o convidado de um programa da TV Cultura de São Paulo, o Vox Populi, onde os entrevistados respondiam perguntas gravadas nas ruas, feitas por qualquer pessoa.
Assista a este trecho, quando Pelé respondeu sobre sua posição em relação ao racismo e de ser acusado de nunca ter sido incisivo em combatê-lo:
Durante sua gloriosa carreira, Pelé foi insultado, por diversas vezes, em praticamente todos os lugares em que jogou, sendo chamado de "macaco" e "crioulo", inclusive no Brasil. Ignorou a todos e sempre que perguntado sobre tais ofensas, elegantemente, dizia que não havia escutado nada a respeito.
Um dos temas mais recorrentes dentro do futebol atual, a luta contra o racismo une todas as pessoas de bem em seu pensamento, mas sobretudo, precisa unir em seu comportamento.
Em 2020, aos 80, em outra entrevista, Pelé declarou que o racismo no futebol não havia mudado muito até aquele momento mas a forma como a imprensa e a sociedade passaram a monitorar e dar visibilidade ao tema. Concordo.
Por mais que FIFA, Conmebol e todas as demais confederações e federações espalhadas pelo mundo promovam campanhas e protocolos de jogo contra o racismo, há um membro desse dito ecossistema que é personagem fundamental para que soluções surjam e sejam aplicadas: o próprio jogador, seja qual for a cor de sua pele. O respeito começa com a sua atitude dentro e fora de campo.
Bom jogador, o volante maranhense Thiago Mendes foi revelado pelo Goiás, aos 19 anos, em 2011. Boas atuações o levaram a ser contratado pelo São Paulo quatro anos depois e daí para o Lille e Lyon na França e Mundo Árabe. Desde o ano passado, defende o Vasco. É o atual capitão do time, aos 34 anos.
Anteontem, em grande atuação, o Vasco derrotou o Boca Juniors, em La Bombonera, no primeiro jogo semifinal da Copa Sul-Americana, por 1 a 0. Na euforia da vitória, torcedores vascaínos publicaram em redes sociais a imagem abaixo produzida por IA (sempre ela):
| Leite derramado... |
Seguramente contagiado pela mesma euforia da torcida, Thiago Mendes replicou a imagem na sua própria rede social. A reação dos argentinos, logo de argentinos, foi óbvia. Emojis e comentários racistas de todo o tipo. E ainda amplamente divulgado pela mídia de lá.
Depois, Thiago Mendes apagou a imagem, pediu desculpas e etc, etc e etc. Mas o leite já estava derramado. Não volta para o copo. A camisa que veste na imagem é a do Vasco!
Haverá o segundo jogo no Rio, na próxima terça, dia 20. É tradição que os torcedores argentinos viajem para acompanhar seus times, em maior quantidade que o número de ingressos concedidos como visitantes. Já deu para sentir como será o "clima"? E quando a bola rolar, já deu pra sentir quem será o "visado"? Tomara que eu esteja errado.
Não cometerei a heresia de comparar o Rei do Futebol (declaradamente torcedor do Vasco na infância) com qualquer outro jogador já surgido no mundo.
Mas majestade e elegância não são para qualquer um.
E não depende da cor da pele!









