segunda-feira, 6 de abril de 2026

O DOSSIÊ BAGGIO

Roberto Baggio foi um dos grandes jogadores do futebol mundial!

Mesmo sem ter conquistado muitos títulos (mas dezenas de prêmios individuais), fez fama jogando em alto nível na Fiorentina, Juventus, Milan, Bologna, Inter, Brescia e, na Azzurra, muitas vezes, levando com gols e assistências, sua seleção a resultados relevantes e porque não dizer, surpreendentes. Com times "meia boca", a baggiodependência da Itália ficou latente na Copa do Mundo de 1994, mesmo tendo perdido aquele pênalti. Quatro anos antes, quando sediaram a Copa, ele tinha só 23 anos, sem muita responsabilidade, mas que não foi impeditivo de marcar um golaço contra a Tchecoslováquia. Em 1998, não estava bem fisicamente.

Perdeu o pênalti mas ganhou a idolatria!

Ao longo de 18 anos como profissional, Baggio fez quase 300 gols, além de 27 em 56 jogos pela Azzurra. Simpático, educado, humilde. Ídolo incontestável.

Em 2011, foi indicado para diretor técnico da Federação Italiana! Após a conquista do Tetra em 2006, a Itália não conseguiu passar às Oitavas de Final da Copa de 2010, na África do Sul. Três empates pífios contra Eslováquia, Paraguai e Nova Zelândia lhe valeram o último lugar no grupo. Vergonha!

Baggio reuniu cerca de 50 especialistas entre treinadores, preparadores físicos, administradores esportivos, engenheiros, arquitetos, professores. Objetivo era elaborar um plano de ação para recuperar o futebol italiano, em projeto semelhante ao que a Alemanha fez após a Copa de 2002, quando perdeu a final para o Brasil. Foco: uma nova formação para o jovem jogador!

Baggio sempre foi um crítico contumaz da maneira como sua seleção jogava, inclusive com ele em campo. Muitos atritos com o famoso treinador Arrigo Sacchi. Muita tática. Pouca técnica.

Entre as principais propostas, a criação de 100 centros de treinamento espalhados pelo país, geridos diretamente pela Federação. Milhares de jogos por ano para jovens de todas as idades. Formação de treinadores como um curso superior de graduação. Cada CT possuiria salas de aulas teóricas, academias de ginástica, piscinas, refeitório e hotel, além dos campos de jogo, claro. Grupos permanentes de estudo em medicina esportiva, fisioterapia, nutrição, marketing esportivo. A Itália deveria ser o exemplo de formação de jogadores. Aliar o dom natural ao aperfeiçoamento de fundamentos.

O documento foi finalizado com 900 páginas em aproximadamente um ano e entregue à Federação. Seu presidente à epoca, Giancarlo Abete, simplesmente o ignorou. 

Ele tentou!

"Tentei desempenhar o papel que me foi confiado mas não me permitiram. Trabalhei para reconstruir a partir das fundações para criar bons jogadores, boas pessoas. Apresentei meu projeto ... e ficou morto". 

Baggio entregou o cargo ainda em 2013, antes mesmo da Copa 2014. Após nova eliminação ainda na fase de grupos no Brasil, o novo mandatário da Federação, Carlo Tavecchio, tampouco se interessou. Em 2018, Gabriele Gravina assumiu o cargo e pareceu nem saber da existência do documento. Há quatro dias, pediu demissão após a eliminação da terceira Copa do Mundo consecutiva. Um recorde mundial negativo!

Gravina, o Fracasso no. 3!

Neste período de 12 anos, a Itália venceu surpreendentemente uma Eurocopa em 2021, que foi jogada em diversas cidades pelo continente. Na fase de grupos, atuou em casa, em Roma, venceu bem a Bélgica nas Quartas e, nos pênaltis, Espanha na semi e Inglaterra na Final em Wembley. Ganhou sem qualquer brilho. Aquele futebol chato. Marcação e contra-ataque. Tem sido assim há mais de 40 anos! Mesmo no Tetra em 2006, passou pela Austrália nas Oitavas com pênalti inventado no final do jogo. Jogou ótimo futebol apenas na semi contra uma jovem Alemanha e na Final, contra uma França muito mais técnica, precisou que o "troglodita" Materazzi xingasse a irmã do Zidane. Mesmo com um a mais durante a maioria esmagadora do jogo, só conseguiu vencer nos pênaltis.

Seu campeonato interno foi vencido pela Juventus por 9 anos consecutivos desde 2012, sem qualquer mínima disputa. A quantidade de estrangeiros aumentou de maneira relevante. Os de maior talento e categoria são minoria. A maioria deles está na Inglaterra.

Pela primeira vez, a seleção Sub20 da Itália chegou a uma final de Mundial da categoria em 2023, na Argentina. Acabou vice-campeã, perdendo para o Uruguai mas emplacou o Bola do Ouro do torneio: o meia atacante Casadei, revelado pela Inter e contratado pelo Chelsea, jogando a segundona inglesa pelo Reading. Além dele, outro meia atacante Pafundi, o zagueiro Guarino, o meiocampista Prati e o atacante Ambrosino também se destacaram. O que foi feito com esses jovens, quase três anos depois?

Onde está Casadei?

A Itália se afunda em desculpas esfarrapadas sobre regulamentos mas se esquece que perdeu para a Noruega nessas Eliminatórias em 2 jogos cujo placar agregado foi 7 a 1. Placar clássico, né? E foi beneficiada em sorteio para repescagem. Ter ficado com Irlanda do Norte, Gales ou Bósnia era muito mais acessível do que com Turquia, Romênia, Dinamarca, Polônia, Suécia, Tchéquia ou Ucrânia.

As notícias vazadas sobre as discussões relacionadas às premiações para classificação são desculpas que também não colam. Ora, todas as demais 15 seleções da repescagem também receberiam o acordado com suas federações mas nenhuma delas já foi campeã do mundo. Muito menos, por quatro vezes.

Não dá pra saber se o Dossiê, uma vez aplicado, seria a salvação do futebol italiano mas Roberto Baggio dorme tranquilo quando repousa a cabeça no seu travesseiro. Entretanto, compartilhará da mesma aflição e do mesmo desespero de seus tiffosi quando a bola rolar na abertura da XXIII Copa do Mundo de Futebol em junho próximo.

A Federação Italiana elegerá seu novo mandatário também em junho. Os clubes são os principais votantes. Ou o novo presidente dá aquele chamado choque de gestão ou então torce para que Gianni aumente o número de participantes para 2030! E olha que isto vem sendo veiculado por fontes próximas à FIFA.

Será que...? Não! Não creio...

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ELIMINATÓRIAS DA COPA: HABEMUS QUADRAGINTA OCTO


Parabéns à Suécia, Tchéquia e Turquia!

O Homem-Gol Gyokeres, após sucesso no Sporting Lisboa e agora no Arsenal, comandou os suecos, em casa, contra a Polônia, na despedida do seu veterano artilheiro Lewandowski. A Suécia jogou em 2018, quando derrotou a Alemanha ainda na fase de grupos, contribuindo para a precoce eliminação da então tetracampeã. Ano passado, fez péssima eliminatória europeia e somente obteve vaga nesta repescagem pelo ranking da UEFA, obtido na disputa da Liga das Nações do continente. É a seleção que mais enfrentou o Brasil na História das Copas e que podem se cruzar mais uma vez já na primeira fase de "mata-mata" (Como se diz antes das oitavas? Dezesseis Avos de Final? Que coisa horrível! Ai, ai, ai, Gianni!).

Os tchecos confiaram na torcida em Praga para vencerem a favorita Dinamarca nos pênaltis. A Tchéquia (e não mais República Tcheca) volta após 20 anos, quando tinha a excelente geração de Nedved, Poborsky, Baros e do goleiro Petr Cech! Não tem um grande destaque individual e vai confiar no conjunto e na tradição de dois vice-campeonatos mundiais (ainda como Tchecoslováquia) para ir o mais longe que conseguirem. 

Os turcos chegam com uma geração talentosa de jovens jogadores com ótima técnica, como Arda Guler do Real Madrid e Yildez da Juventus, muito bem liderados pela experiência de Çalhanoglu da Internazionale. Foi um jogo difícil em Pristina, contra Kosovo, vencido pelo placar mínimo mas olho nesse time que volta a disputar uma Copa após o surpreendente terceiro lugar em 2002.

Bósnia? Calma...

A RD Congo volta à Copa depois de 52 anos! Escrevi aqui quando ainda era o Zaire: O EX-ZAIRE

O jogo contra a Jamaica foi muito ruim. Parecia que ambas não queriam se classificar à Copa. Os "reggae boyz" tiveram dificuldade para vencer a Nova Caledônia por 1 a 0, dias antes. Os congoleses até tiveram mais posse de bola e obrigaram o goleiro jamaicano e fazer algumas boas defesas mas somente decidiram a vaga em um escanteio no segundo tempo da prorrogação. A conclusão foi de joelho mas entrou. Como diria Dadá Maravilha Peito de Aço, não existe gol feio, feio é não fazer gol! Festa em Kinshasa!

Iraque x Bolívia foi um duelo de jejuns em Copa somente menor que o da RD Congo! Os sul-americanos, desde 1994. Os asiáticos, 1986! Confesso que não aguentei e dormi no início do segundo tempo, quando o empate em 1 a 1 só valia pelos gols e a madrugada avançava. Futebol, muito pouco. Assisti aos poucos melhores momentos e, pelo jeito, o Iraque foi menos pior, vencendo por 2 a 1. Festa em Bagdá. O mais curioso, ou coincidente, é que as duas seleções que ficaram de bye acabaram classificadas. A Bolívia havia vencido o Suriname por 2 a 1. Uma de suas raras vitórias, longe da altitude...

Voltando para a Europa! Falarei do vencedor! O perdedor merece um texto específico.

A Bósnia é um time limitado e inferior ao que disputou sua única Copa aqui no Brasil, em 2014. Spahic e Pjanic formavam uma espinha dorsal de boa qualidade com o atacante Dzeko que, ainda hoje aos 40 anos, continua em atividade no alemão Schalke 04 (na série B), capitão do time e maior artilheiro de sua seleção. Dzeko inspira os jovens Demirovic, do alemão Stuttgart, e Bajraktarevic, do neerlandês PSV Eindhoven, a formar um time de garra e muita luta. Dzeko empatou um jogo em que a derrota parecia certa contra os galeses em Cardiff. A vitória bósnia nos pênaltis fez viralizar um vídeo no qual os jogadores italianos Dimarco (lateral esquerdo da Inter) e Vicario (goleiro do Tottenham) comemoram o fato de não terem que jogar lá, em uma clara alusão de que contra a Bósnia, mesmo fora de casa, seria mais fácil. A vitória italiana, em casa, contra a fraca Irlanda do Norte (2 a 0), foi quase que protocolar.

O estádio de Zenica, a segunda cidade do país, é acanhado: 15 mil lugares. E por conta de violentos confrontos entre torcedores bósnios e romenos, em jogo pela fase de grupos das Eliminatórias, a FIFA puniu os locais, proibindo a venda de 6 mil assentos. Ou seja, somente 8.500 torcedores puderam comparecer, além dos 500 italianos!

Menor que Laranjeiras, em 1919!

O gramado irregular e a pressão da torcida eram obstáculos difíceis para a Itália mas logo no início (com perdão do inevitável trocadilho), o goleiro bósnio Vassilj "vacilou", entregando a bola no pé do meia Barella que serviu o bom atacante Kean. 1 a 0.

A Azzurra mantinha razoável controle do jogo quando, no fim do primeiro tempo, o zagueiro Bastoni não teve outro recurso se não o de derrubar o atacante bósnio Memic, que entraria na área para empatar: corretamente expulso!

Fosse a Bósnia um time um pouco melhor e Donnarumma, um goleiro pior, os donos de casa não teriam somente empatado mas virado o jogo com muita facilidade. Muitas vezes, a qualidade dos jogadores e a organização de um time compensam uma inferioridade numérica. Não é o caso da Itália que ainda teve uma chance incrível de ampliar o placar com o mesmo Kean. Quem não faz...

A vitória bósnia nos pênaltis faz com que a Itália seja a portadora de um absoluto recorde negativo na História das Copas: um campeão eliminado de três edições consecutivas!

Dzeko, no centro, comemora com Demirovic (10) e Tabakovic, o cara do empate!

A Volta, 12 anos depois!


Sarajevo, a capital bósnia, já estava na História por 2 momentos extremamente tristes: o estopim que fez eclodir a Primeira Guerra Mundial e uma sangrenta guerra separatista com o fim da Iugoslávia.

Agora, feliz, a cidade pulsou durante toda a noite!

Enfim, Sarajevo feliz!


quarta-feira, 25 de março de 2026

É BRASA CANARY, MORA?

Em 1965, o Brasil já havia criado e exportado para o mundo afora um novo ritmo musical: a bossa nova!

Neste ano, dois jovens de 24 anos, um carioca da Tijuca e outro capixaba, começaram a fazer sucesso pelo Rio de Janeiro e São Paulo, compondo e cantando músicas de conteúdo quase adolescente, muito inspiradas na fase "iê iê iê" dos Beatles, que transitava entre namoros, meninas bonitas, um nova moda meio espalhafatosa e carrões! 

Eram canções despretensiosas mas que caíram no gosto popular, amplamente difundidas pelas rádios e pequenos shows em locais privados. A TV Record de São Paulo percebeu um oportunidade única e convidou os dois jovens, Erasmo Carlos e Roberto Carlos, para comandar um programa nas "jovens tardes de domingo": a Jovem Guarda!

(Pra quem não sabe, os idealizadores do programa criaram esse nome baseados em uma frase do revolucionário comunista russo Lênin, proferida em 1917: "O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada!")

Mais do que um programa de TV, a Jovem Guarda virou um movimento musical, cultural e mesmo de comportamento, criando uma série de modismos entre filmes de cinema, propaganda, novos artistas e muitas, muitas novas gírias que eram, inclusive, citadas nas canções!

A garota "papo firme" era maneira, de confiança. Se ainda fosse bonita, era um "broto"! Por sua vez, um garoto bonito era um "pão"! Um carro bacana era um "carango"! Uma festa legal era de "arromba" e não podia ter gente mais velha, os "coroas"!

E sem dúvida, a gíria mais usada era aquela sempre dita ao final de uma frase, como uma pergunta ou uma confirmação: "É brasa, mora?!". Ou seja, entendeu? ou ainda, é quente, vale a pena!

O programa acabou três anos depois quando Roberto Carlos decidiu seguir carreira solo, mantendo a parceria de composições com Erasmo. Neste mesmo ano de 1968, venceu o tradicional Festival de San Remo na Itália, o mesmo que depois revelaria gente como Eros Ramazzotti, Laura Pausini e Andrea Bocelli. Roberto cantou em italiano: "Canzone Per Te" e sua carreira decolou de vez!

Ora, mesmo que Erasmo Carlos tenha arrastado Roberto a torcer pelo seu Vasco, por que um blog de futebol está falando de Jovem Guarda?

Porque quero salvar essa moça, designer do marketing da NIKE, essa de franjinha e roupa de fazer inveja à Wanderleia (a "Ternurinha"), a anunciante da nova camisa da CBF para Copa do Mundo que se aproxima!


Assistam abaixo.

BRASA CANARY

Hahahahaha!

Só não consigo salvar o "Canary" para explicar a tonalidade do amarelo canarinho...

É Brasa Canary, Mora?

Depois você reclama que este blogueiro está chato e ranzinza!

Recuse Imitações!

Hahahahaha!



sexta-feira, 13 de março de 2026

A PAZ FIFA


No evento do sorteio dos grupos da Copa do Mundo no último dia 5 de dezembro nos EUA, o suíço Gianni Infantino anunciou um novo prêmio a ser entregue pela instituição que preside: a "PAZ FIFA - O Futebol Une o Mundo", para agraciar todo aquele que "promover esforços pela paz mundial"!

A FIFA sempre se orgulhou de sua óbvia e necessária neutralidade política. Possui mais filiados que a ONU há muito tempo e a designação do prêmio é coerente com seu objetivo histórico: o futebol unindo o mundo.

Os escândalos de 2015 abalaram a instituição até então vista pela maioria da opinião pública como exemplo de administração profissional, exitosa em finanças, marketing e primorosa em execução. Falei sobre isso aqui: FUTEBOL ESTÁ MORTO. VIDA LONGA AO FUTEBOL!

Ao longo destes dez anos e pouco, Infantino conseguiu tirar a FIFA das páginas policiais mas crise de credibilidade é algo muito complicado de se superar. Leva tempo. O aumento de prestígio e interesse das competições da UEFA tem sido um estorvo e a concorrência na busca por audiência e contratos de patrocínio está cada vez mais acirrada.

A Copa do Mundo de Clubes, cuja primeira edição foi realizada nos EUA, no ano passado, mostrou um novo patrocinador da FIFA, talvez seu mais poderoso em todos os tempos: PIF - Public Investment Fund!

Fundo de investimentos oficial do governo da Arábia Saudita, atualmente com ativos chegando a quase um trilhão de dólares. Embora não seja novo (criado em 1971), somente agora vem focando no esporte de maneira mais incisiva e não à toa, a FIFA já direciona a Copa Intercontinental de Clubes (o antigo Mundial) por lá e pelos Emirados Árabes Unidos há bastante tempo. Não custa lembrar que a última Copa do Mundo de Seleções foi no Catar e a de 2034 já está prometida para a mesma Arábia Saudita! Coincidência, claro!

Assim, é muito fácil afirmar que as relações da FIFA com o Mundo Árabe cresceram exponencialmente nos últimos vinte anos!

Voltando ao Prêmio PAZ FIFA...

A intempestividade da criação desse prêmio só não é mais absurda que o seu primeiro vencedor! Afinal, para que serve o Instituto Nobel?

O absurdo vai piorando à medida em que o Ministro dos Esportes do Irã afirma que sua seleção de futebol, classificada com méritos dentro de campo, não participará da Copa do Mundo de Futebol pois não há "clima" para uma delegação esportiva oficial de seu país passar algumas semanas no país do vencedor do Prêmio PAZ FIFA, responsável direto pelo assassinato de seu líder político e religioso!

(Atenção: é claro que não posso concordar com todas as atrocidades que o regime iraniano comete contra sua própria população desde 1979 mas apenas cito os fatos como vêm ocorrendo, sem qualquer conotação política-ideológica!)

Em resposta, o vencedor do Prêmio PAZ FIFA dá uma declaração contraditória em que, ao mesmo tempo, afirma que a delegação iraniana seria muito bem-vinda ao seu país, o principal anfitrião da Copa, mas que isso não seria muito seguro. Ué ?!?!

A História das Copas do Mundo não registra desistências de qualquer seleção. Em 1950, no Brasil, algumas não aceitaram convites. Era uma época de Pós-Guerra, plenamente justificável. Alemanha e Áustria destroçadas. Escócia, sem verba. Turquia e Índia, pela distância. Entretanto, a Itália compareceu mesmo com o desastre aéreo de 1949 que vitimou todo o time do Torino, base da seleção!

A FIFA prevê multa pesada para quem desiste, além de ser omissa quanto ao motivo, e não estabelece um critério para definir substituto ou ainda se haverá algum.

O Irã foi sorteado em um grupo com Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com jogos previstos para Los Angeles e Seattle. Transferir seus jogos para o Canadá ou México seria uma opção mas mudaria todo o planejamento e logística de seus adversários, além de jogos de outros grupos marcados para lá. Pouco provável.

O bom senso manda que a FIFA aguarde os jogos de repescagem no fim deste mês, onde haverá a participação do Iraque que vai esperar o vencedor de Bolívia x Suriname para decidir uma das vagas. Dependendo deste resultado, os Emirados Árabes Unidos poderiam se beneficiar, como a seleção mais bem qualificada nas Eliminatórias da Ásia, logo depois do Iraque.

Ou ainda, a FIFA pode deixar belgas, egípcios e neozelandeses em um grupo de somente três seleções.

Os mais radicais poderão pensar que o Irã não representa grande coisa no futebol mundial e que sua ausência não seria sentida. Pode ser mas participaram das últimas três edições da Copa. Maioria dos jogadores atua no próprio país. Cinco ou seis de destaque estão no exterior. Maior deles é o atacante Taremi que jogou na Internazionale de Milão por um bom tempo e hoje está no Olympiacos da Grécia, além do zagueiro Hosseini, do Kayserispor da Turquia. Outros atuam pelos Emirados Árabes e Arábia Saudita.

Como o Irã não confirma que não vai, o vencedor do PAZ FIFA não confirma que é seguro que o Irã vá e a FIFA ainda não se posicionou, o mundo do futebol espera com aflição o desfecho dessa crise absurda!

Ainda bem que a Venezuela não se classificou!

Gianni, Gianni... ai, ai, ai!

terça-feira, 3 de março de 2026

QUANDO A GOLEADA NÃO SALVA

Corria o ano da graça de 2001 e o Sport começava o campeonato pernambucano de maneira conturbada. Ainda mais em um ano que valia um Hexa!

Após perder o primeiro turno, treinador Levir Culpi foi demitido quando o time chegou à lanterna do segundo. Foi substituído por Hugo Benjamin que no ano anterior, estava no Íbis, o "pior time do mundo", tendo sido o comandante do "Pássaro Negro" em um resultado histórico: venceu o Náutico nos Aflitos por 1 a 0! Com 20 dias de trabalho no Leão da Ilha, seus resultados também não vinham sendo muito animadores, incluindo uma derrota em casa para o Santa Cruz, mas duas vitórias em sequência contra os times de Caruaru davam algum alento. O Porto foi derrotado por 3 a 1 e o Central tomou uma goleada histórica, de placar que viria a se tornar um clássico no futebol mundial, treze anos depois: 7 a 1!

Quando Hugo começava a respirar aliviado, foi sumariamente demitido pelo clube, sem qualquer explicação, substituído pelo gaúcho Julio Espinosa que não conseguiu conquistar o sonhado Hexa. O Náutico foi o campeão. Alguns dias depois, Hugo acabou internado de emergência com crise de hipertensão mas, felizmente, liberado logo depois. Seguiu sua carreira de também preparador físico no exterior e seu amor pelo Sport era tão grande que se ofereceu para treinar o time, de graça, em 2011, na série B do Brasileiro. Em vão! Hoje, aposentado, relembra esses dias com bom humor.

Força, Hugo!

Pulo rápido no tempo: Filipe Luis foi um lateral esquerdo revelado pelo Figueirense em 2003, aos 18 anos, onde atuou na equipe principal por somente uma temporada. Seu empresário, o maior da época no Brasil, o uruguaio Juan Figer, conseguiu uma transferência para o Ajax de Amsterdam, onde não se firmou. Acabou emprestado para o time onde Juan mandava em seu país natal, o pequeno Rentistas e depois para o time B do Real Madrid, chamado Real Madrid Castilla, onde, enfim, algumas boas atuações o levaram para o Deportivo La Coruña que acabou o contratando em definitivo, em 2008.

Início com Van Gaal e Köeman

Era um lateral muito mais defensivo do que ofensivo. Marcador duro, apesar de magro. Deu-se bem na Galícia, eleito melhor da posição da Espanha e cotado para a seleção brasileira na Copa de 2010 mas uma lesão após um choque com o goleiro do Atlético de Bilbao o tirou dos campos por alguns meses. Fratura do perônio! Em 2018, enfim, foi à Copa da Rússia como reserva de Marcelo.

O sucesso chegou no Atlético de Madrid, onde ficou por 8 temporadas, interrompidas por uma, exatamente no meio delas, quando defendeu o londrino Chelsea. Em Madrid, foi comandado por um treinador que, quando jogador, foi o mais nojento, o mais mau caráter, o mais violento, o mais sujo, o mais desleal, o mais "tudo de ruim" que eu tenha visto em um profissional em todos os meus anos acompanhando futebol: o argentino Diego Simeone.

Inexplicavelmente, Simeone está no mesmo cargo há 15 anos e é o treinador mais bem pago do mundo atualmente. Ganhou pouco no Atlético de Madrid que justifique essa condição. Vai entender! 

Antes de assumir como treinador do Flamengo, onde encerrou carreira como jogador, Filipe Luis foi entrevistado no Charla Podcast, em 2024, quando deu uma declaração, em tom de brincadeira, mais para humor negro, sobre as orientações que Simeone lhe dava para marcar Messi, a quem chamava pejorativamente de "Anão", em jogos contra o Barcelona. Na verdade, não era para marcar mas para fazer faltas, ainda que violentas, do jeito que Simeone fazia. Tomou cartão vermelho em duas oportunidades. Imagina se Messi não fosse argentino...

Confira: FILIPE LUIS NO CHARLA

"Elimine o Anão..."

"Sim, senhor!"

"Sim, senhor!"

"Eu cumpri ordens... Você não entende..."

Iniciou como treinador nas divisões de base do Flamengo e assumiu a equipe principal após a demissão do "Professoral" Tite em setembro de 2024. No ano passado, com o maior orçamento da América do Sul, ganhou o carioqueta, o Brasileiro e a Libertadores, tendo perdido a Copa Intercontinental nos pênaltis para o PSG. Durante o ano, foi derrotado com autoridade pelo Bayern de Munique nas oitavas da Copa do Mundo de Clubes, passou a mão na cabeça do "inocentado" Bruno Henrique, dando-lhe a braçadeira de capitão, colocou Pedro no banco por picuinha e vinha criando um aprendiz de Simeone e um pouco de si mesmo: o chileno Pulgar!

Já em 2025, de herói passou a vilão em dois meses, após perder a Super Copa do Brasil para o Corinthians e a Recopa Sul-Americana para o Lanus, cujo todo o time vale quase o que custou a contratação de outro craque "inocentado" das bets. Acrescentando, ainda, sua entrevista em que considerou mais um "episódio isolado" de racismo sofrido pelo "bom (ou mau) malandro" Vinicius Junior na Espanha!

A demissão de Filipe Luis ontem sacramenta o quanto dinheiro jorrando não representa profissionalismo. Após uma goleada de 8 a 0 numa semifinal mequetrefe contra o pequeno Madureira, fruto de um regulamento chinfrim de um campeonato ultrapassado cuja final será no próximo domingo, descobre-se que o português Leonardo Jardim já estava contratado. Logo ele que, após treinar o Cruzeiro no ano passado, com um ótimo terceiro lugar, jurou que não trabalharia mais no Brasil. Hahahaha! Além disso, o colunista Rodrigo Mattos divulgou hoje uma notícia de que Filipe havia feito contatos para treinar o Chelsea (ou o Estrasburgo, do mesmo dono) antes de renovar seu contrato com o Flamengo no ano passado. Ganhava 300 mil reais. Passou a 2 milhões! Muito bom!

Vejamos como Filipe Luis dará prosseguimento a carreira. Terá orçamento parecido no Brasil? Américas? Europa? Vai descansar um pouco?

Ao menos, uma coisa é certa!

Hugo Benjamin não está mais sozinho!


OBS: Parabéns, Zico! 73 anos, hoje! Exemplo de craque e profissional! Saudade de um tempo em que o trinômio "Jogador-Clube-Torcida" era valorizado!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

ENTRE O OLIMPO E O UMBRAL

Ontem, a Rainha Marta fez 40 anos!

Você pode não gostar de futebol feminino. É um direito seu. Só não pode contestar, muito menos menosprezar, suas conquistas coletivas e individuais. Menos ainda, negar seu extraordinário talento.

Desde quando saiu do interior de Alagoas, aos 13 anos, de ônibus para tentar a sorte no Rio de Janeiro, mais precisamente no Vasco, até hoje, Marta jamais deixou de ser campeã em todos os times em que atuou pelo Brasil, Europa e EUA, inclusive no próprio Vasco, campeã brasileira sub-19 em 2001, o primeiro de seus títulos!

Seis vezes, cinco consecutivas, eleita a melhor do mundo pela FIFA! Imbatível! Assim como a instituição criou o Prêmio Puskas para o gol mais bonito do ano no futebol masculino, Marta batiza o mesmo prêmio para o feminino. E mais: ela mesma ganhou o primeiro em jogo do Brasil contra a Jamaica, em 2024. Pedalou pra cima da marcadora e, de fora da área, mandou um balaço com sua refinada canhota no ângulo superior esquerdo da goleira! Golaço-aço-aço!

A Rainha Insuperável!

Gols, golaços, dribles, assistências e uma liderança nata que valeram medalhas olímpicas, Pan-Americanos e Copas América para a seleção brasileira! Além de honrosas participações em Copas do Mundo. Parcerias históricas da camisa amarela com Formiga, Christiane, Andressa, Thamires, entre tantas! Uma galera que continua uma luta árdua contra o preconceito, apesar de levar no peito e na mente, a bandeira do país! Pena!

Se Marta merece estar condenada à eternidade junto aos Deuses do Futebol no Olimpo (sim, eles também estão por lá), outros precisam passar por ferrenhas provações.

Lá... no Olimpo!

No espiritismo, existe o umbral.

É um estado de consciência, uma condição espiritual para aqueles que, após a desencarnação, ainda se mantêm fortemente ligados à culpa, ao medo, ao ódio, à inveja, às ilusões da vida material e cujo conflito com o remorso e o arrependimento pode, veja bem, pode livrá-los de algo perversamente ruim. O umbral é uma porta, uma passagem cujo destino é incerto.

Ontem, o Vasco de Rio Branco, no Acre, jogou contra o Velo Clube de Rio Claro, de São Paulo, pela primeira fase da Copa do Brasil, na Arena da Floresta, na capital do Estado.

Na tradicional foto da formação do time antes da partida, o Vasco-AC apresentou três camisas com os nomes de três jogadores ausentes, como forma de homenageá-los.

Homenagem...

Brian, Serpa e Lekinho (e mais um, não citado nas camisas) estão presos, acusados de estupro coletivo de duas mulheres, cometido na concentração do clube. Importante ressaltar que o caso ainda irá a julgamento e cuja sentença caberá recurso e tudo mais.

Se o amigo leitor prestou bem atenção na foto acima, o goleiro do Vasco-AC é ele mesmo: BRUNO. Após o empate em 1 a 1, na disputa de pênaltis, o goleiro defendeu dois, fez um gol mas não evitou a derrota para os paulistas por 3 a 2.

Bruno, aos 41 anos, cumprirá sua pena de homicídio triplamente qualificado até 2031, agora em liberdade condicional.

Próxima Parada... Umbral?

O eterno acreano de Xapuri, Armando Nogueira, mestre nas palavras do futebol, se revira no túmulo!

O futebol vai agitar o umbral...

sábado, 14 de fevereiro de 2026

AS NOVAS CORES DA NEVE

Lucas nasceu em abril de 2000, em Oslo, capital da Noruega, país natal de seu pai, Bjorn Braathen, que no ano anterior, em um voo para Miami, conheceu Alessandra Pinheiro, de Campinas! E aí...

Foi criado por lá! Vinha sempre ao Brasil, visitar a mãe e familiares, e acabou desenvolvendo uma natural paixão pelo futebol. Seus ídolos: Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho! Embalado pelo tricampeonato brasileiro consecutivo (2006/07/08), o garoto adotou o São Paulo como time para torcer! 

Entretanto, a vida não era no calor dos trópicos! Mesmo matriculado em escolinha de futebol, os longos e escuros meses de frio impediam sequência grande de treinos mas havia um outro esporte em que isso não era um problema: o esqui!

Lucas não gostava. Aos 9 anos, sentia frio e dores nos pés, com os calçados especiais sempre apertados! Chegava a fingir que estava doente para não praticar com seu pai, seu maior incentivador.

Aos poucos, foi se desenvolvendo. O ganho de massa muscular com a adolescência e o aprimoramento técnico o fizeram ser selecionado para a equipe oficial de esqui alpino da Noruega. E o sucesso não demorou. Vitórias e vários pódios em etapas de Copa do Mundo o elevaram à condição de ídolo nacional do esporte mais popular do país.

É importante ressaltar que a mentalidade esportiva nórdica é bem diferente da que estamos acostumados por aqui. Mesmo em um esporte individual como esqui alpino, o que vale mesmo é o sentimento de equipe. Seu consequente sucesso é sempre resultado da soma dos esforços individuais de seus membros. Ter a bandeira da Noruega subindo durante uma premiação qualquer é mais importante do que saber os nomes dos responsáveis diretos por isso. Uma essência altiva, nobre ou qualquer outro desses adjetivos bacanas que servem pra qualificar uma das nações do mundo onde a justiça social é praticada com competência e honestidade. Afinal, a Noruega tem o segundo maior IDH do mundo, empatada com a Suíça e atrás somente da Islândia (2025).

Contudo, a federação norueguesa de esqui vinha exagerando. Contratos comerciais e ações de marketing firmados à revelia dos atletas. Para Lucas, foi ainda pior. A tal condição de ídolo nacional não foi bem vista pelos "cartolas" que começaram a associar sua imagem ao egoísmo e à ganância.

Visivelmente abatido, em outubro de 2023, Lucas convocou uma entrevista coletiva de imprensa para anunciar sua aposentadoria, mesmo que precoce aos 23 anos. Pane geral na Noruega!

A aposentadoria não durou 6 meses. Suas paixões brasileiras; o futebol, o samba, a bossa nova, o surf nas praias, o pão de queijo e as churrascarias o convocaram. Em março de 2024, a federação brasileira de esqui anunciava seu novo atleta: Lucas Pinheiro Braathen!

Mesmo após despencar no ranking mundial, Lucas foi resiliente com a inatividade de um ano. Teve humildade e paciência para, aos poucos, retomar seu lugar de destaque e colocar novas cores na neve: o verde e o amarelo! Canais a cabo e streamings começaram a transmitir etapas de copa do mundo aqui para o Brasil e a preparar os apaixonados por esporte (como eu) para o que viria nos Jogos Olímpicos de Inverno, neste fevereiro de 2026, em Milão-Cortina D'Ampezzo, Itália.

(O que foi Laura Pausini cantando "Fratelli D'Italia", o hino italiano, na abertura?! Arrepiante!)

A medalha de ouro conquistada por Lucas (porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura), ainda há pouco, representa muito mais do que a primeira de um país latino americano ou somente a terceira de um do hemisfério sul, em evento cuja primeira edição aconteceu em 1924!

O próprio Lucas explica, em ótimo português: "Eu procuro sempre tentar o novo e isso eu tenho do meu lado brasileiro. O brasileiro arrisca mais, procura inovar, ele tenta, improvisa. Não existe medo. Meu lado brasileiro define quem eu sou, é grande parte de mim. É calor humano. Todo mundo ama, quer te conhecer, falar com você. É um sentimento mais próximo, sem julgamentos. Esse esporte precisa de outras cores, outras personalidades, do sentimento que a gente experimenta no Brasil com o futebol, este sentimento de alegria, de relação religiosa!"

O Futebol!
O Estilo

A Vitória
Ao subir no lugar mais alto do pódio, Lucas socou o ar!

O Secular Soco no Ar!
Lembrou de alguém?