terça-feira, 6 de outubro de 2026

O QUE A URNA ENSINA À BOLA... E VICE-VERSA


Tempos de eleição! Que bom que temos!

Acostumamo-nos ao fato de ver jogadores, ex-jogadores, treinadores e, principalmente, dirigentes de futebol se aventurarem na Política. É um expediente usado há muito tempo sobretudo por profissionais desse esporte, após encerrarem suas carreiras dentro ou fora do campo.

E não é de agora!

O passado mais recente nos faz de lembrar de Roberto Dinamite, maior ídolo da História do Vasco, vereador no Rio de Janeiro. Mais ou menos pela mesma época, o sempre polêmico e "robusto" Eurico Miranda, todo-poderoso do mesmo clube por décadas, como deputado federal. Depois, ambos viraram inimigos políticos dentro do próprio Vasco! Alguém ganhou com essas brigas? Não! Alguém perdeu? Sim. O Vasco!

O lateral direito Zé Maria, ídolo do Corinthians, foi eleito vereador em São Paulo, em 1982, já aposentado dos gramados. Inspirou seu colega de time, o folclórico Biro-Biro, e um dos maiores de todos os tempos do rival Palmeiras: o célebre Ademir da Guia! Todos sem muita pompa! No Rio, o meio-campista Deley do Fluminense foi deputado federal por alguns mandatos, conseguindo verbas para programas esportivos em sua cidade, Volta Redonda. 

Antes deles, os mineiros Wilson PIAZZA (clique para lembrar) ídolo do Cruzeiro, e REINALDO (clique para lembrar) ídolo maior do rival Atlético, também se aventuraram na política do estado e de Belo Horizonte! Ambos desempenharam bom papel. Piazza, que ainda jogava em 1972, desenvolveu projetos de auxílio a ex-atletas e Reinaldo, no início dos anos 2000, boas iniciativas contra a dependência química de drogas, problema que ele mesmo sofreu na pele. Mais tarde, o ex-goleiro atleticano João Leite foi vereador em BH por vários mandatos, deputado estadual e secretário de estado, além de candidato derrotado à prefeitura da capital, por Alexandre Khalil, histórico presidente do seu Galo.

E Minas Gerais não começou com jogadores na Política com Piazza, Reinaldo ou João Leite! Outro goleiro do Galo, KAFUNGA (clique para lembrar), se elegeu vereador em BH (e depois deputado estadual) quando ainda estava na ativa, em 1947. Seu colega de time, o histórico volante ZÉ DO MONTE (clique para lembrar), alguns anos mais tarde, também foi eleito vereador enquanto jogava mas não passou de um mandato pois não gostou da experiência. Apesar de torcedor do América e simpatia pelo Cruzeiro, Juscelino Kubitscheck foi no rival buscar seus adeptos no futebol... Políticos...!

O polêmico dirigente José Maria Marin, foi um razoável ponta direita do São Paulo entre 1949 e 54. Eleito vereador na capital e depois governador "biônico" do Estado, chegou à presidência da CBF em 2013. Preso e condenado por corrupção, faleceu no ano passado aos 93 anos.

A linha do tempo do passado ainda não acabou e chega ao pioneiro. No Rio Grande do Norte, além do ABC e do América, Natal possui um outro time: o Alecrim, fundado em 1915, no bairro de mesmo nome, por um atleta potiguar que seria um dos primeiros goleiros de sua História, em 1918 e 19: João Fernandes Campos Café Filho. Ele mesmo. Café Filho foi Presidente do Brasil entre 1954 e 55, durante a crise de sucessão, logo após o suicídio de Getúlio Vargas até a conturbada posse de JK. Era Presidente do Senado e vice de Getúlio.

O pioneiro... e único!

Voltando aos tempos atuais, o baixinho Romário foi reeleito senador pelo Rio de Janeiro em 2022. Mandato só terminará em 2030, portanto. Teve alguns projetos aprovados em defesa de pessoas portadoras de necessidades especiais, uma vez que tem uma filha com Síndrome de Down. Candidatou-se ao governo do Rio em 2018, sem sucesso. Mas, a todos que me perguntam se gosto dele como senador, sempre respondo que tem algo que nenhum outro político neste país tem: 1.002 gols marcados!

Único senador com 1.002 gols!

É bem difícil entrar na cabeça de atleta ou ex-atleta de futebol para saber, de verdade, sobre suas intenções em um cargo público eletivo. Evidentemente que quanto maior for sua idolatria em um grande time de massa, maior será a possibilidade de se eleger, mesmo que seus discursos de campanha não fujam do trivial "esporte para combater as drogas e afastar nossos jovens do mundo do crime"! Você leu aqui em PAREI... E AGORA? , como é complexo continuar a vida, após pendurar as chuteiras, se o planejamento financeiro não for bem feito. A Política pode trazer dinheiro, a princípio e por conceito, honesto. É uma discussão interessante mas de argumentos, favoráveis ou contrários, não muito importantes para que os torcedores de futebol decidam eleger seus ídolos! São ídolos!

Fato é que, felizmente, as eleições vêm se repetindo por aqui. E cada vez menos, ex-atletas, treinadores e dirigentes vêm obtendo êxito em suas tentativas de vitória. Neste ano, a fama nos gramados e da cartolagem não garantiu festa para a grande maioria.

O "Pofexô" Vanderlei Luxemburgo tinha um "pojeto" para o Estado de Tocantins no Senado. Ficou em sétimo. O Corinthians estava na luta com Marcelinho Carioca, que tentou vaga de deputado distrital (Brasília), o atacante Dinei como deputado estadual e outro atacante Finazzi, como federal, ambos por São Paulo. Nada. Edmundo, ídolo do Vasco e Palmeiras, nada. Donizete "Pantera", campeão pelo Vasco e Botafogo... Nada. Luis Fabiano, ídolo do São Paulo... Nada. Sérgio, ex-goleiro do Palmeiras... Nada. Washington "Coração Valente", artilheiro no Athletico-PR, Fluminense, São Paulo... Nada. Cleo, meio-campista do Internacional e Flamengo... Nada. O mesmo Alexandre Khalil, citado ali em cima, quinto mais votado para governador em Minas Gerais. Bandeira de Mello, ex-presidente, e Marcos Brás, ex-dirigente, ambos do Flamengo... Nada!

Derrotados!

Nem tudo foi tristeza! O ex-goleiro do Grêmio, Danrlei, foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul e o meia-atacante Bobô (Bahia, São Paulo, Flamengo, Fluminense), deputado estadual na Bahia! Parabéns à dupla!

Pelo Povo e Para o Povo!

Mas então... os perdedores estão influenciando mal ou menos? Incompetência de seus marqueteiros políticos? Não conseguem passar credibilidade? Ou a capacidade de avaliação de torcedores-eleitores está mais atenta e crítica quanto à propostas e mesmo à ideologia dos partidos aos quais estejam vinculados?

Nas minhas discussões com a IA, educadamente (é preciso ser educado), a solicitei que citasse quem melhor definiu o termo "política", ao longo da História.

O grego Aristóteles, em "Política", afirmou que o homem é um animal político por natureza, mas que visava a felicidade coletiva e o bem estar de uma comunidade.

O florentino Maquiavel, em "O Príncipe", escreveu que a Política é a arte de conquistar, guiar e manter o poder, rejeitando a utopia de como uma sociedade deveria ser e mostrando como realmente é.

O alemão Weber, já no século XX, afirmou que Política é uma aspiração ao poder ou à influência sobre a sua distribuição. Para ele, o Estado Moderno se caracteriza pelo monopólio de uso legitimo da força para manutenção da ordem.

E aí, em qual dessas definições você considera que a boleirada está mais alinhada? (Será que eles conhecem estes três?)

Até 2028! Quantos boleiros serão eleitos prefeitos e vereadores?

terça-feira, 29 de setembro de 2026

DE PARETO A AILTON E TIMBU, A LIÇÃO ENGANOSA DAS BETS

No final do século XIX, a Itália estava recém unificada e com muitos problemas para gerar receita ao país. A unidade política tardia, tal como a Alemanha, dificultou sua participação na corrida europeia para a colonização da África e da Ásia, na busca por novos mercados. As tradicionais famílias ricas dos antigos reinos da região continuaram a deter poder e capital. Foi quando o economista de origem genovesa Vilfredo Pareto calculou que 80% das riquezas do novo país estavam concentradas em somente 20% da população!

Este cálculo inspirou o engenheiro estadunidense, descendente de romenos, Joseph Juran a aplicar tal conhecimento às empresas. Por volta de 1940/41, em plena Segunda Guerra Mundial, trabalhava como consultor na General Electric e comprovou, matematicamente, que 80% do faturamento das empresas dos EUA nesta época, dependia de um grupo de apenas 20% de grandes clientes. Estava criado o ainda hoje famoso conceito 80/20, materializado nos ainda famosos Princípio de Pareto e da Curva ABC.

Em 1978, os professores estadunidenses Jeffrey Pfeffer e Gerald Salancik publicaram um livro chamado "O Controle Externo das Organizações", criando a chamada Teoria da Dependência de Recursos, onde provam que quanto maior a receita gerada por um cada vez menor número de clientes, maior será a perda de autonomia estratégica que passa a ser controlada exatamente por esses clientes.

Calma, o futebol já vai chegar!

No ano seguinte, o professor Michael Porter, de Harvard (EUA), publicou seu clássico "As Cinco Forças (de Porter, claro!)". Uma delas foi chamada de "Poder de Barganha dos Clientes", letal para reduzir a lucratividade de uma organização, pois mercados com poucos clientes, mas grandes compradores, minam as margens de fornecedores!

A Administração Moderna!

Chegou o futebol!

Você deve estar acompanhando toda essa polêmica de proibição das casas de apostas no Brasil e como investem no futebol do país. Não entrarei em mérito de política, sobretudo nesta época de eleição, ainda mais porque, sob a ótica técnica, tais empresas estão regulamentadas após um processo que demorou aproximadamente dez anos para ser finalizado.

É bom frisar que até meados dos anos 1980, os clubes de futebol tinham basicamente duas receitas: a renda dos jogos (ou torneios e amistosos) e as mensalidades de seus sócios. Ao longo do tempo, juntaram-se a premiação por desempenho nas competições, cotas de TV, licenciamento oficial de produtos vendidos, contratos de fornecimento de material esportivo, royalties de lojas oficiais franqueadas, patrocínios em placas de publicidade em estádios e centros de treinamento e no uniforme oficial de jogo: peitoral (master), mangas das camisas, costas, calções e meiões! (Esqueci de algum?)

Então, presidentes e dirigentes vêm a público afirmar, com todas as letras, que passarão a ter sérias dificuldades para administrar seus respectivos clubes ou SAF pois a receita gerada pelas BETs são fundamentais para sua saúde financeira. Assinam um nota conjunta de apoio a elas, seus patrocinadores master, lembrando obrigações contratuais e clamando por segurança jurídica.

Os mais desavisados torcedores poderiam entender tudo isso, ainda mais se as conclusões de Pareto, Juran, Pfeffer, Salancik e Porter fossem efetivamente aplicadas aqui mas...

Não são!

A considerar os 20 times da Série A do Brasileiro deste ano, a média de receita com bets chega a somente 8% do total. Repetindo: 8%! O volume envolvido é alto, um pouco mais de 1 bilhão de reais, mas mesmo entre os times de maior captação, a receita não ultrapassa 13%.

O que isso significa? Ora, há vida nos clubes sem Bet! Foi assim até 2016. Há impacto financeiro óbvio e a saída deste tipo de patrocínio deveria ocorrer com melhor negociação, redução gradativa, com respeito aos contratos atuais.

A saúde mental de apostadores e consequente crise familiar com dívidas e dano a patrimônios é algo a ser discutido com maturidade na sociedade civil, assim como os vícios de entorpecentes, álcool e tabaco. Deveria ter sido assim há dez anos! Ninguém previu isso? Desta forma, este autor é contra qualquer propaganda de casas de apostas, em qualquer veículo de comunicação, muito menos naming rights de estádios e de competições oficiais, um gritante conflito de interesses, mas não contra sua existência, bem regulamentada e fiscalizada, geradora de impostos, exclusivamente voltados para a saúde e bem estar de cidadãos que desenvolvam dependência psíquica. Muito sonho, né?

Os cassinos foram proibidos no Brasil em 1946. Em 1984, a escola de samba carioca Império da Tijuca escolheu esse enredo para o Carnaval. O samba de autoria de Ailton e Timbu se chamava "9.215", o número da lei decretada pelo governo. Esse era o refrão:

"Corrida de cavalos, pode apostar

Loto e Loteria existem em todo o lugar

O palpite é Borboleta

No Bicho eu vou jogar!"

Ailton (e Timbu) transformam!

Que a moral e os bons costumes não sejam meros elementos de demagogia!

Chega de "tudo acaba em samba", apesar de seu "poder transformador"!

Viva o Futebol!

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

QUE PENINHA!

Em março de 2023, a FIFA instituiu uma "Super Data", que seria iniciada após a Copa de 2026. Ao invés de contemplar dois jogos das seleções (em 9 dias), como vinha sendo o costume, o período foi alargado (16 dias) para que até quatro pudessem ser marcados, sejam amistosos ou por torneios oficiais das confederações, sempre ao final de setembro e início de outubro, durante todo o ciclo até a Copa de 2030. 

A quem interessar possa, como já escrevi por aqui, a CBF marcou jogos interessantes para seu time: dois contra a Austrália (em Brisbane e Townsville) e outro contra a... Índia! Em Calcutá! Não ria! É sério... Em novembro, haverá outra data, essa de período tradicional, e mais dois também estão marcados para Singapura. O primeiro contra o Japão, quase algoz em 26, e outro contra... Singapura, ora bolas...

Esta "Super Data FIFA" inicia este texto apenas para ilustrar algo que será interessante checar neste período: os amistosos da seleção argentina! Três estão marcados, todos em território nacional: Bolívia, Burkina Faso e Benim. 

A despeito da qualidade técnica dos adversários, os jogos despertarão um interesse extra por dois motivos. Primeiro, será a despedida oficial de Lionel Messi de sua seleção. Segundo, as punições da FIFA começarão a serem cumpridas.

Mas... Calma! Relembre o festival de antijogo, desrespeito às regras, cretinice, violência e deslealdade dos jogadores e comissão técnica na Copa: Argentina e seu show de horrores!

Reglas? Nosotros las imponemos...

Paredes (5), en acción! Pobre vítima!

A los malos, nuestras espaldas!

As punições por faixa das Malvinas e atitudes comprovadamente racistas passam por multas pecuniárias à AFA (321 mil dólares) e individualmente aos jogadores Paredes (90 mil dólares e suspenso por 10 jogos), Molina (90 mil e 7 jogos), Almada (30 mil e 1 jogo) e ao auxiliar técnico, o ex-zagueiro Ayala (30 mil e 3 jogos). Um festival de agressões e uma patética virada de costas para a premiação da campeã Espanha! (O palmeirense "Flaco" Lopez foi o único a demonstrar dignidade e ficar de frente.)

Outra punição interessante à AFA. Seus dois primeiros jogos seriam apenas com 50% da capacidade dos estádios, necessariamente ocupada por mulheres, crianças e idosos e pelo menos um terço da multa (107 mil dólares) deveria ser aplicado em programas de conscientização social, patrocinados pela entidade, junto aos torcedores argentinos em geral, sobretudo, contra o racismo. 

Por que usei o Futuro do Pretérito no parágrafo acima (seriam e deveria)? 

Porque a AFA recorreu das punições, defendendo os jogadores, e abrandando as penas atribuídas a si. Paredes, um "animal" violento e descontrolado, achou a sua de 10 jogos exagerada. Na semana passada, atuando pelo Boca Juniors contra o São Paulo no Morumbi, pela Copa Sul-Americana, aprontou outra confusão gratuita no fim do jogo. O assessor jurídico da AFA, Andrés Urich, comemorou sua "vitória" em fazer com que as suspensões dos jogadores pudessem ser cumpridas em amistosos e em jogos de competições da Conmebol e não somente da FIFA, como inicialmente imposto. Esta, por sua vez, já havia aceitado incluir um denominado "período probatório", na prática,  para que a AFA ganhe tempo ao recorrer até a última instância do Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça, para anular todas as punições! Sem prazo para definição.

A tranquilidade de Lausanne com dias contados...

A AFA, na figura de seu presidente, o polêmico Cláudio "Chiqui" Tapia, comemora. Seus jogadores se sentem vítimas. Meu coração está em frangalhos! Muita pena deles! Os "europeus" da América do Sul são sempre perseguidos. Quanto preconceito!

Entendeu agora Bolívia, Burkina Faso e Benim?

Gianni Infantino não se manifestou sobre as punições! Já perdeu apoio da UEFA, quando quis terceirizar a venda de direitos comerciais da FIFA, no mês passado, sem avisar a ninguém. Concacaf,  Oceania e parte da África e Ásia também retiraram seu apoio. Haverá eleição em março de 2027 e sua vitória não é mais uma "barbada", como se diz no turfe, mas, certamente, um voto está garantido.

Advinha de quem!

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

PAREI... E AGORA?

Por décadas, responder a essa pergunta era um martírio para muitos, seguramente a maioria, dos jogadores profissionais de todo o mundo. Aqui no Brasil, mais ainda, mesmo para aqueles poucos que tiveram carreira de sucesso, jogando exclusivamente por aqui até meados dos anos 1980 ou, em parte, pelo exterior.

Após a Lei Bosman, a figura do empresário ganhou importância na gestão de carreira. Transferências para o exterior se proliferaram. Aqueles de boa fé, sem dúvida, contribuíram para que seus contratados pudessem constituir patrimônio, investindo dinheiro de maneira responsável e inteligente, ou seja, um completo gerenciamento de carreira, visando, sobretudo, um pós-carreira.

Apesar de tais avanços em mentalidade e cultura, as origens invariavelmente humildes do jogador de futebol no Brasil (e muitos pelo mundo afora) fazem com que esta pergunta do título seja sempre bem difícil de ser respondida. Evidentemente que, quanto mais dinheiro for acumulado ao longo de uma trajetória bem sucedida, maior será a probabilidade de respondê-la com segurança.

Já falei por aqui que vivemos tempos em que o desenvolvimento da ciência vem prolongando a vida do ser humano e esportistas profissionais ditos sérios se beneficiam diretamente disso com o avanço da medicina aplicada, da fisiologia, da fisioterapia, da nutrição. 

Assim, nesta última Copa do Mundo, tivemos alguns exemplos de jogadores como Cristiano Ronaldo (41), Modric (40 - fez 41 ontem) e Messi (39), atuando com destaque, seja fazendo gols ou inspirando seus companheiros, ao deixarem um legado histórico de liderança e conquistas, além de um reconhecimento não somente de seus torcedores mas de todos que apreciam o futebol em todo o mundo.

Já podem parar!

Sem dúvida, estes saberão o que fazer após pararem de jogar, embora tais datas ainda não estejam marcadas... rsrs! E já começaram a viver o futuro.

CR7, além da busca incessante pelo milésimo gol no Sauditão, diversificou bem seus investimentos. Criou marca própria de roupas, calçados, perfumes e rede de academia de ginástica. Entrou em sociedade com a Rede Pestana de Hotéis em quatro unidades em Lisboa, Funchal, Madri e Nova York. Co-fundador de uma rede de clínicas de transplante capilar. Investiu em duas start-ups de inovação e tecnologia em Inteligência Artificial e em uma fábrica de cerâmica e porcelana. E não esqueceu o futebol. Tem participação acionária no espanhol Almería e na LiveMode, proprietária da CazéTV!

Modric fundou, em sociedade com a esposa, uma empresa imobiliária em Madri. Como CR7, também tem participação em start-ups de tecnologia na Croácia. E no futebol, é acionista minoritário do galês Swansea, atualmente na Série B da Premier League, Inglaterra!

Já Lionel Messi foca muito, muito mesmo, e tão somente no futebol. Acabou de fechar acordo para ser o dono, nada menos, de um quarto time, o segundo na Espanha. Trata-se do Eldense, de Elda, província de Alicante, na Comunidade Valenciana, recém promovido à Série B do Espanhol. Antes, já era dono do Cornellà, na Catalunha, da quinta divisão, que revelou o lateral esquerdo Jordi Alba e o atual goleiro do Arsenal, David Raya, reserva de Simon na seleção espanhola. Aqui pela América do Sul, se associou ao uruguaio Luis Suárez (seu companheiro no Barcelona e atualmente no Inter Miami), no Deportivo LSM (Luiz Suarez Messi), de Montevidéu, na terceira divisão do Uruguai. E como não podia deixar de ser, seu irmão está à frente do Leones, time cuja sede está na periferia de Rosário, sua cidade natal, e jogando a quarta divisão argentina. Pra finalizar, fontes do tipo "tão dizendo" afirmam que uma cláusula secreta no seu contrato atual com o Inter Miami o tornará sócio de David Beckham, ao decidir parar de vez! A conferir!

Bom ter dinheiro! Em especial, quando se merece! Então...

Na semana passada, estive em São Paulo e passando pelo bairro do Campo Belo, deparei-me com uma casa de festas infantil, temática em futebol. Achei bem interessante. Dei uma olhadela mesmo por fora e não tive como não tirar esta foto.

Não é Lisboa! Não é Funchal! Não é B.Aires! Não é Rosário!

Sentiu falta do totem de alguém?

Ah... do Modric, né?!

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MEMÓRIAS DE UM KICHUTE TOLERANTE

Quando eu tinha 10 anos (1977), já respirava e transpirava futebol por todos os poros!

E sem videogame!

Como?

Ora, ouvindo jogos pelo rádio, assistindo a poucos pela TV, indo ao Maracanã, colecionando figurinhas, futebol de botão ou mesmo jogando em qualquer lugar: no colégio, clube, praia, no corredor de casa. Com qualquer tipo de piso, desde que se pudesse fazer um gol. Bola podia ser a própria, leve, pesada, costurada a mão, desbotada, de qualquer cor, de meia ou uma pequena amêndoa (tinha muitas no colégio que chamávamos de "coquinho")! Jogávamos de tênis, de preferência "kichute" (*), de chinelo ou descalço! Chuteira? Era difícil encontrar para comprar! E quando se encontrava; caríssima!

"Raiz"

(*) Deixava um perfume gostoso após o uso...

Mesmo torcendo para o Fluminense da Máquina Tricolor (Rivellino, Paulo Cézar, Gil, Edinho, Pintinho, Dirceu e depois Marinho Chagas), eu ficava encantado com o futebol jogado por Zico, Roberto Dinamite, Reinaldo, Falcão, Carpegiani, Nelinho, Toninho Cerezzo, Mendonça, Zé Sérgio, Palhinha, Ailton Lira, Dicá, Oscar, Amaral e dos goleiros Leão, Carlos e Waldir Peres! Poderia continuar...

Dicá, Roberto Dinamite, Zico, Falcão, Ailton Lira, Reinaldo...

Em 1977, meninos de 10 anos que cruzassem com algum ou alguns desses nomes na rua, ou ainda de outros não citados, fariam de tudo por um pedaço de papel e caneta ou lápis para conseguir algo equivalente, hoje em dia, a uma selfie: um autógrafo! Alguns mais fanáticos chegavam a ir até uma papelaria para plastificá-lo e "eternizar" aquele momento. Muita tecnologia.

Era véspera da Copa do Mundo 78. A primeira em que eu realmente entenderia a competição, conheceria melhor jogadores e seleções! A seleção brasileira era realmente o Brasil, que se classificou nas Eliminatórias após um primeiro triangular com Paraguai e Colômbia e depois um outro, jogado em Cáli, na Colômbia, vencendo Peru (1x0) e aplicando uma goleada histórica na Bolívia (8x0). O time era semelhante a esse aí abaixo, formado para um amistoso contra a Alemanha Ocidental, no Maracanã. Eu estava lá. Os então campeões mundiais fizeram 1 a 0 já no segundo tempo. Rivellino empatou no final! Veja se estava cheio...

Brasil 77: Zé Maria, Leão, Cerezzo, Amaral, Luis Pereira e Rodrigues Neto. Gil, Zico, Roberto Dinamite, Rivellino e Paulo Cézar.

O tempo passou! Quase 50 anos! Muitas coisas melhoraram no Brasil e no mundo. Não preciso citá-las! Você sabe. Outras pioraram. Você também sabe.

Mesmo assim, vou citar uma das que pioraram no âmbito do nosso futebol, claro! Já há alguns anos, os clássicos entre os quatro grandes em São Paulo são jogados sem a torcida visitante. Um notório atestado de incompetência ou talvez preguiça, descaso, ou todos combinados, do poder público em garantir segurança para todos.

Ontem, em Itaquera, indiretamente e sem qualquer culpa, Neymar acabou sendo a ferramenta pela qual outra coisa que piorou muito em nossa sociedade se manifestasse em sua plenitude: a intolerância. E sempre por motivos fúteis.

10 anos

Era um menino de 10 anos, como eu em 1977. Infelizmente, a decadência do futebol brasileiro não lhe permitiu que conhecesse craques às pencas como aquela galera que citei mais acima. Não quero comparar Neymar com eles, nem dentro, nem fora de campo. Entretanto, atualmente, é o único que poderia estar naquele seleto grupo. E já tem 34 anos, muito longe do ápice de suas formas física e técnica.

O jovem corintiano crescerá mas não sei quando verá algum jogador no seu ou em qualquer outro time, a quem poderá chamar de craque. Sinceramente, não sei.

Melhor fará se ficar no videogame, pedindo ajuda a seu pai ou avô para montar um time do tipo Brazil (com Z) Legends! 

Vai ganhar tudo!

Ficará no videogame?



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

VERSÃO BRASILEIRA

Sem querer denunciar idade... já denunciando, as primeiras séries de TV a que assisti eram transmitidas na Rede Globo e na extinta Rede Tupi, ali pelo início dos anos 1970, após terem sido lançadas nos EUA, na década anterior: "Batman" (Adam West e Burt Ward), "Jornada nas Estrelas" (William Captain Kirk Shatner e Leonard Spock Nimoy), "A Feiticeira" e "Jeannie é um Gênio", estas últimas, minhas deusas de infância, respectivamente, Elizabeth Montgomery e Barbara Eden! 

(Tudo bem! Também adorava o japonês Ultraman!)

Ao contrário de hoje, quando os streamings chegam a colocar dezenas de opções de idiomas para as legendas, todas as séries, desenhos animados e filmes de longa metragem na TV eram dublados em português. E não havia alternativa. Legenda? Só no cinema!

Assim, durante a abertura, sempre se ouvia um narrador falando, em português, os nomes dos atores principais, da produtora e, no final, o nome do estúdio responsável pela dublagem. Foram frases que ficaram famosas, envolvendo os dois maiores do país na época:

- "Versão Brasileira: Herbert Richers!" (No Rio) 

- "Versão Brasileira: AIC São Paulo!"

Claro que os dubladores também passaram a ganhar notoriedade. Orlando Drummond (o Seu Peru da Escolinha do Prof. Raimundo) dublou Scooby-Doo e Popeye, Isaac Bardavid (Esqueleto do He-Man, Wolverine e Freddy Krueger), Nizo Neto (filho do Chico Anysio e o Seu Ptolomeu da Escolinha) dublou o Presto da Caverna do Dragão e Matthew Ferris Buller Broderick em "Curtindo a Vida Adoidado". E ainda hoje, talentos como Guilherme Briggs (Buzz Lightyear do Toy Story), Cecilia Lemes (Chiquinha do Chaves), Miriam Ficher (Drew Barrymore, Cate Blanchett e Nicole Kidman) e da galera do Anime; Wendel Bezerra (Goku) e Glauco Marques (Zoro do One Piece)!

(Parágrafo escrito com a colaboração direta de meu filho Pedro. Sabe tudo de dubladores...)

Drummond Eterno

Tem futebol neste texto? Tem!

De uns bons anos pra cá, as dezenas de câmeras (e seus zooms maravilhosos) espalhadas pelos estádios de todos os continentes passaram a registrar detalhes nunca antes atentados nas transmissões pela TV: a leitura labial de jogadores, treinadores, equipe de árbitros e todos que possam estar ali pelo gramado.

Ora, se tem leitura labial... tem dublador!

Hoje em dia, as redes sociais possuem uma capacidade impressionante de criar, com rapidez, novos e competentes profissionais em antigas ou novas funções. O primeiro a aparecer fazendo ótima leitura labial de jogos de futebol foi Gustavo Machado. Agora, surge o Gabriel Velloso ou simplesmente, Velloso! Ambos, merecidamente, com milhões de seguidores!

Há alguns jogadores brasileiros, sobretudo veteranos, que fazem estágio, dentro de campo, para se transformarem em futuros árbitros pois gostam de "apitar" o jogo, junto com o(a) árbitro(a) de verdade! No último fim de semana, o Santos empatou com o Mirassol na Vila Belmiro, pelo Brasileiro, em 1 a 1. O Peixe possui um destes "estagiários" que, durante este jogo, desferiu uma série de ofensas, impropérios e palavrões para a árbitra Édina Batista, pedindo faltas, cartões aos adversários e reprovando sua atuação de maneira grosseira e, na maioria das vezes, injustificada.

Todavia, a estratégia parece ter dado certo pois a fraca Édina expulsou erradamente um defensor do Mirassol, em lance justamente com o "estagiário" e deixou de expulsar o próprio, em lance que valia um segundo cartão amarelo. E pior: não relatou qualquer evento relacionado aos xingamentos que recebeu na súmula do jogo.

Culpa de quem? Do Velloso que fez leitura labial, na minha opinião, perfeita do "estagiário" que não gostou do que foi divulgado, acusando-o de distorcer o que falou. Com muita educação, o dublador retrucou, afirmando que a técnica não é uma ciência exata, pode haver alguma divergência, e solicitou que o "estagiário" apontasse em qual parte do vídeo houve erro.

Até o momento em que escrevo este texto, não se tem notícia de que possíveis erros tenham sido apontados.

Naturalmente, o "estagiário" deve ter falado algo como "Data vênia, sra. Édina, permita-me discordar de tua marcação. Afinal, parafraseando Voltaire, não concordo com nada que marcaste mas defenderei até a morte o direito que tens de fazê-lo"! 

Velloso deve ter enlouquecido!

Não sei se Voltaire, célebre iluminista francês, salvará o "estagiário" de uma possível punição mais severa do STJD e muito menos se livrará Édina de pegar uma "geladeira", sem ser escalada por um bom tempo.

Alexander Voltaire...

... os salvará?

Agora, imagine o que era dito quando a mão na boca não era punida...

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADO

Ufa!

Praticamente um mês de férias! Eu daqui do blog e você de mim! rsrs

A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do mundo, superando os Jogos Olímpicos de Verão em audiência, mesmo tratando de um único esporte, obviamente por mais tempo e o mais popular de todos! E ainda reunindo menos países!

Assim que a Copa acabou, o calendário sul-americano não permitiu folga, como sempre, sobretudo com Brasil e Argentina, além das competições Conmebol. Os europeus ainda tiveram um respiro de vinte dias, começaram com amistosos e torneios tradicionais de pré-temporada, além de Supercopas nacionais que sempre costumam abrir oficialmente suas respectivas temporadas.

Nada disso é novidade para quem acompanha o futebol mundial. Novas datas-Fifa virão já no próximo mês. A Liga das Nações da UEFA vai começar com novo formato e a CBF já acertou três amistosos "importantes" para seu time iniciar o ciclo até a próxima Copa, na casa dos adversários: dois contra a Austrália e outro contra a... Índia! Não é rugby e nem cricket, ok? Viagens longas recheiam os programas de milhagens das companhias aéreas, né não?! (Como se os milionários astros estivessem preocupados com isso...)

Claro que se o centro financeiro do futebol está na Europa, além da importância de seu calendário, é razoável constatar que, por lá, times e seleções possam planejar suas temporadas de maneira extremamente profissional, sob todos os critérios: físico, técnico e, ao longo do tempo, logístico.

O longo prazo define etapas a cumprir no curto prazo, de acordo com o que se planeja, com flexibilidade para ajustes, conforme a realidade ou prática. Qualquer empresa que se preza, segue mais ou menos essa cartilha.

Continuidade mesclada a experiências aqui e ali. Testa um pouco e arrisca. Estresse controlado estimula produtividade. Confia em profissionais mais veteranos, oxigena com recursos oriundos de mercado e com os jovens, ávidos por conquistar espaço! Somente um vai ganhar mas os objetivos se alternam, conforme seus orçamentos.

Você pode estar pensando que desviei o foco do futebol e fui para o mundo corporativo... rsrs! Eu te entendo mas não fiz isso não!

Observe bem a imagem abaixo. Talvez não explique em sua totalidade o sucesso de um, muito menos o fracasso de outro e menos ainda, qualquer relação de causa ou efeito entre eles. Os nomes que estão em amarelo estiveram na Copa do Mundo de 2026.

Tirou sua conclusão?

Ainda não? 

Vou fornecer mais um dado importante para te ajudar: nesse jogo aí, há 5 anos, o time de amarelo venceu o de vermelho (2x1) e ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, disputado em 2021.

Agora já consegue! Escreva aí nos comentários!

Estamos de volta! Fique atento!