Na semana passada, as mídias brasileiras soltaram uma notícia a cerca de uma pesquisa feita tradicionalmente desde 1994, pelo Instituto Datafolha, sobre o interesse dos brasileiros, homem ou mulher, a partir dos 16 anos, em assistir aos jogos da Copa do Mundo.
Antes da Copa em que o Brasil conquistou o Tetra, 56% dos brasileiros manifestaram interesse em assistir aos jogos. Considerando a população do país na época, algo em torno de 155 milhões de pessoas, a extrapolação simples da amostragem chega a quase 87 milhões.
As pesquisas continuaram sempre por volta de dois meses antes das Copas seguintes, mantendo uma mesma metodologia de ouvir entre duas e três mil pessoas em todo o país. A evolução dos números é alarmante.
O percentual de interessados foi se reduzindo ao longo destes 32 anos. E não foi pouco. Após o desastre dos 7 a 1 de 2014, a Copa da Rússia, quatro anos depois, registrou um desinteresse de incríveis 53% dos entrevistados! Para o Catar 2022, houve pequena redução para 51% e agora para a Copa da América do Norte, um recorde negativo de 54% foi atingido!
Para comparar melhor esses números, os 56% registrados acima como interessados em 1994 caíram para irrisórios 17% agora em 2026, ano em que o Brasil tem por volta de 215 milhões de habitantes. Comparando agora, números absolutos, os 87 milhões de 94 diminuíram para 37 milhões, hoje!
A situação piora quando a pesquisa aponta que 31% não pretendem, de jeito algum, assistir a qualquer jogo do Brasil, ou seja, 67 milhões de pessoas, mais que os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro somados. Atente que em 1970, o fantástico ano do Tri, a população era de 90 milhões.
Mais um dado importante. Os maiores percentuais de interesse estão na faixa dos 16 aos 24 anos e mesmo assim, ainda diminutos: apenas 24%. Conforme a idade avança, o interesse cai: 20% entre 25 e 34, 13% entre 35 e 44, 14% entre 45 e 59 e 15% acima dos 60.
Se você acompanha alguns de meus textos por aqui, poderá encontrar alguns motivos que podem explicar este desastroso fenômeno que pulveriza o futebol brasileiro, contaminado pela política e pelo dinheiro público, pela parcialidade de decisões jurídicas esportivas, pela influência nociva e crescente de grandes conglomerados financeiros, de mídia manipuladora, de casas/sites de apostas, de empresários que dominam elencos desde as divisões de base nos clubes, muitos falidos que se travestem de SAF para encobrir sua incompetência administrativa, e, finalmente, de desrespeito ao torcedor, que até tinha um estatuto, meio fajuto, para chamar de seu, mas já substituído por uma chamada Lei Geral do Esporte em 2019 que, na prática, oficializa tudo de ruim que acabei de citar neste parágrafo.
Já escrevi aqui, lá em 2013, pouco antes da Copa das Confederações começar! Relembre aqui:
DAS FERAS DO SALDANHA AOS COADJUVANTES DA CBF
No ano seguinte, também escrevi aqui antes da Copa de 2014 começar!
Estes textos estão nos livros de minha trilogia "Futebol em Milhares de Palavras". Se você ainda não os tem... tenha! Agora! Rsrs!
Aos 14 anos, meses antes da Copa de 1982, ajudei a pintar calçadas e a decorar a Rua Miguel Lemos, em Copacabana! Comprei os discos compactos do Junior (Voa, Canarinho, Voa), do Moraes Moreira (Sangue, Swing e Cintura) e do Luiz Ayrão (Meu Canarinho)! Sei cantar todas até hoje! Familiares e amigos se reuniam para torcer em residências, bares ou na rua. Éramos todos Pacheco ou Araquém. Um clima de festa e união!
| Rua Miguel Lemos, Copacabana, 1982 |
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| Rua Paissandu, Flamengo, 1982 |
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| Santa Teresa, 1982 |
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| Rua Antonio Basílio, Tijuca, 1982 |
| "Mostra pra esse povo que és o Rei!" |
| "Essa tá no papo...!" |
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| O Showman! |
Fui para IA. Fizemos um debate filosófico sobre esta pesquisa. Entre réplicas e tréplicas, chegamos a um parágrafo conclusivo.
Indiferença é a falta de interesse, emoção ou cuidado, um estado neutro onde algo ou alguém perde relevância. O descaso é a negligência ativa, uma falta de compromisso e desrespeito com o impacto negativo gerado. A indiferença e o descaso, portanto, rompem conexões emocionais, sendo considerados mais destrutivos que o ódio por anularem a importância deste algo ou alguém!
Alô Professor Cortella! Ficou bom?
Fonte dos dados: exame.com de 20/04/2026, por Luiz Anversa.






















