No fim do texto passado, citei o fato da maioria dos torcedores brasileiros não saber a origem e times atuais de grande parte dos convocados pela CBF para a disputa da Copa do Mundo que começa, pasme, na próxima semana! Sabia disso?
Ao longo dos anos, a imprensa e os torcedores discutiam pelo rádio, jornais, TV e nos botequins quem deveriam ser os convocados. Eram os tais 90 milhões de técnicos que existiam no Brasil (população do país na época), afirmação feita por João Saldanha em 1969, quando convocou suas feras para a disputa das Eliminatórias da Copa de 1970, naquele ano.
As Copas foram passando e as dúvidas e discussões continuaram. O que mudou efetivamente foi a quantidade delas. Cada vez menores. Sempre.
Os torcedores defendiam seus clubes! Queriam uma quantidade sempre maior de convocados! Era clubismo na veia. Pudera! Todos os jogadores atuavam no Brasil e as raras transações para a Europa simplesmente impediam convocações. Ora, além dos calendários distintos, a tecnologia rudimentar de comunicação não permitia que se acompanhasse por aqui a performance de um Julinho Botelho na Fiorentina, um Evaristo no Barcelona, um Amarildo no Milan, um Canário no Real Madrid ou mesmo um Manga no Nacional de Montevidéu, aqui pertinho. E ademais, os clubes produziam jogadores com talento suficiente para que fossem, meio assim, "esquecidos".
Terminei no último fim de semana de assistir à serie da moda na Netflix: "Brasil 1970, a Saga do Tri"! Você não pode perder! Uma produção espetacular que reproduz com riqueza de detalhes os anos de 1969 e 70, não somente pelo ponto de vista de futebol, mas o clima político, os costumes, os dramas individuais e familiares de jogadores e da comissão técnica, o envolvimento com a sociedade e a imprensa, além da reconstituição dos gols e dos grandes lances daquela Copa do Mundo! Bruno Mazzeo como Zagallo, Rodrigo Santoro como João Saldanha, Marcelo Adnet como o fictício narrador de TV, Eusébio Ferreira, e o estreante Lucas Agrícola, "cuspido e escarrado" como o Rei Pelé. Todos absolutamente fantásticos!
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| Zagallo, Pelé e João Saldanha! |
Já em 1966, a comissão técnica da então seleção brasileira, bicampeã mundial, se enrolou toda para definir quem estaria na Copa. O veterano Vicente Feola, campeão em 58, somente fechou a equipe às vésperas da viagem para a Inglaterra. Eram 44 que viraram 33 e depois 22. A falta de bom senso, o momento dos cortes e a consequente indefinição sobre o time titular afetaram o rendimento na Copa. Eliminados ainda na fase de grupos, com Pelé lesionado, uma grande decepção tomou conta da torcida.
Claro que Saldanha e depois Zagallo não cometeriam o mesmo erro. Todavia, dá para entender a confusão em que Feola se meteu quatro anos antes.
A quantidade de craques e de ótimos ou excelentes jogadores que atuavam por aqui era algo impressionante. Preste bem atenção na foto dos 22 que foram ao México 70.
Esta é a maior seleção de futebol de todos os tempos, eleita por jornalistas, ex-jogadores, ex-técnicos, torcedores em pesquisas de opinião por todo o mundo!
E agora vou colocar abaixo, jogadores que atuavam nos grandes times brasileiros em 1970 e que, evidentemente, não estiveram na Copa do Mundo. Preste atenção aos nomes e me ajude a contar (não conte os 22 ali da foto):
Santos: o zagueiro Djalma Dias (pai do Djalminha), o lateral esquerdo Rildo (Copa 66) e o ponta direita Manoel Maria.
Palmeiras: o meio-campista Ademir da Guia (Copa 74), o volante Dudu, o jovem zagueiro Luis Pereira (Copa 74), o ponta direita Edu Bala e o atacante César Maluco.
São Paulo (campeão paulista de 70): o volante Roberto Dias, o atacante Toninho Guerreiro e o ponta esquerda Paraná (Copa 66).
Corinthians: o meia-atacante Ivair, o ponta direita Paulo Borges e o jovem atacante Mirandinha (Copa 74).
Portuguesa: o jovem zagueiro Marinho Peres (Copa 74), o jovem meio-campista Basílio e o jovem atacante Leivinha (Copa 74).
Ponte Preta (vice paulista em 1970): o volante Roberto Pinto, o meio-campista Dicá e o jovem atacante Manfrini.
Botafogo: o volante Carlos Roberto, o meio-campista Afonsinho e o ponta direita Rogério.
Flamengo: o lateral esquerdo Paulo Henrique (Copa 66), o jovem meio-campista Zanata e o atacante Fio.
Fluminense (campeão brasileiro de 1970): os zagueiros Galhardo e Assis, o volante Denilson (Copa 66), o meia atacante Samarone, o atacante Flávio Minuano e o ponta esquerda Lula.
Vasco (campeão carioca de 1970): o lateral direito Fidélis (Copa 66), o meio campista Alcir e o atacante Silva "Batuta".
America: o zagueiro Alex e o meia atacante Edu Coimbra (artilheiro do Brasileiro de 1970).
Bangu: o jovem atacante Dé "Aranha" e o ponta esquerda Aladim.
Cruzeiro: o goleiro Raul, o zagueiro Mário Tito, o volante Zé Carlos, o meio-campista Evaldo, o ponta direita Natal e o meia atacante Dirceu Lopes.
Atlético-MG: o goleiro Renato (Copa 74), o zagueiro Vantuir, o volante Wanderley, o meia atacante Lola, o ponta direita Vaguinho e o jovem ponta esquerda Romeu.
Internacional: o goleiro Gainete, os volantes Tovar e Carbone, os meio-campistas Bráulio e Carpegiani (Copa 74), o ponta direita Waldomiro (Copa 74) e o atacante Claudiomiro.
Grêmio: o lateral direito Valdir Espinoza, o zagueiro Ari Ercílio, o atacante Alcindo (Copa 66) e o ponta esquerda Loivo.
Coritiba: o zagueiro Oberdan e o atacante Dirceu Kruger.
Atlético-PR: o atacante Sicupira.
Santa Cruz: o goleiro Wendell (Copa 74) e o jovem atacante Ramon.
Ufa! Deu 67! Confere? Ou seja, desconsiderando posições, 3 convocações completas! E ainda sobra 1.
Feola era feliz e não sabia!
Hoje, Carlo Ancelotti também é feliz. Até sabe disso mas deve ter tido alguma dificuldade para "encontrar" 26...





















