Já escrevi aqui quando estive em Nantes, na França, para a Copa de 1998.
As equipes de Brasil e Marrocos estavam prontas para o pontapé inicial do segundo jogo da fase de grupos. Havia um time com camisa amarela e outro com branca e detalhes em vermelho. Uma senhora muito educada de Ribeirão Preto-SP (estava escrito em sua camisa amarela: "Ribeirão na Copa") que estava sentada logo acima de mim bateu nas minhas costas e perguntou se eu era brasileiro. Após minha confirmação, em seguida fez nova pergunta que me deixou um pouco tonto: "Por favor, rapaz, qual é o Brasil no campo?" Após dois ou três segundos de incredulidade, eu, que estava de camisa amarela, prontamente respondi: "o time de camisa amarela!" Ela me agradeceu e depois comemoramos juntos os três gols da vitória! Inesquecível!
| Dúvida Cruel |
Na Copa de 2014, também escrevi aqui sobre minha experiência em Fortaleza, assistindo a Brasil 2x1 Colômbia, nas Quartas, imediatamente antes dos 7 a 1! Estava com o grande André Guerreiro, "muso" deste blog! Tentamos engatar algumas musiquinhas de Maracanã mais apimentadas, vamos dizer assim, mas o máximo que ouvimos foi a decrépita "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor"! Marcha Fúnebre!
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| Tentamos... |
Todos sabem que essa passividade (e alguma ignorância) de torcida de teatro é uma característica básica daqueles brasileiros que pagam bem mais caro para assistir a um jogo do time da CBF, já há um bom tempo. A maioria não está acostumada a frequentar estádios de futebol. Entretanto, o que se viu ontem no amistoso de despedida no Maracanã contra a seleção do Panamá (que está na Copa) foi algo surreal.
No setor Norte Inferior, tradicional local da torcida do Flamengo, um bandeirão predominantemente vermelho com uns detalhes em preto e outros em branco começou a ser estendido sobre os expectadores. Um deles que estava na ponta de cima, de pé e vestindo a camisa do Fluminense, se recusou a sentar para impedir que o bandeirão fosse totalmente estendido. Pelas cores, ele pensou se tratar de uma bandeira do seu rival. Os mais precipitados, sobretudo os tricolores, começaram a invadir as redes sociais, mostrando os tradicionais memes com o "tricolor da resistência"! Foi até engraçado mas...
Não se tratava de uma bandeira do Flamengo!
Era uma bandeira de um dos patrocinadores da CBF, esse "delivery" que todo mundo conhece e utiliza com absurda frequência, popularizado na pandemia em 2020! Aliás, um dos doze participantes das cotas de patrocínio que farão a instituição arrecadar cerca de 1 bilhão de reais neste ano de 2026, recorde histórico e absoluto.
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| Resistência??? |
Já em 1995, uma polêmica também surgiu especificamente no Botafogo. Seu patrocinador master era uma marca de refrigerante de limão cuja cor predominante era o verde, com uns detalhes menores em vermelho e branco. Antes do início de um clássico contra o Fluminense no Maracanã, um bandeirão foi aberto na arquibancada, no qual 90% do pano era com a logomarca do refrigerante e apenas uma pequena faixa embaixo fazia menção ao preto e branco do clube. A torcida adversária não perdoou:
"E ô, E ô, a bandeira é tricolor!" Eu estava lá e também brinquei!
O protesto dos alvinegros foi imediato. O bandeirão foi logo recolhido e aposentado, muito provavelmente destruído. A própria camisa oficial de jogo foi alterada um tempo depois. Veja abaixo:
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| E ô! E ô!... |
Voltando ainda mais um pouco no tempo, a polêmica Copa União de 1987 fez com que a marca líder global de refrigerantes tivesse que mudar sua cor para entrar nas camisas do Grêmio e do Coritiba. Foi a patrocinadora da maioria das equipes e gremistas e coxas se recusaram a colocar o vermelho, oficial da marca! Foram de preto mesmo! Hilário!
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| Vermelho?... |
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| ... Nem Pensar! |
A despeito de sadias brincadeiras e disputas entre torcidas rivais, a CBF segue inovando. Cada vez mais longe da real torcida, seu time, repleto de jogadores que a maioria da galera não sabe onde começaram a jogar, muito menos onde jogam atualmente, loteia a arquibancada com seus milionários patrocinadores.
De fato, deve satisfação a eles! E somente a eles!
Novos tempos!
Apesar dos castigos,
Estamos crescidos,
Estamos atentos,
Estamos mais vivos!
(Emprestado de Ivan Lins e Vítor Martins!)























