Roberto Baggio foi um dos grandes jogadores do futebol mundial!
Mesmo sem ter conquistado muitos títulos (mas dezenas de prêmios individuais), fez fama jogando em alto nível na Fiorentina, Juventus, Milan, Bologna, Inter, Brescia e, na Azzurra, muitas vezes, levando com gols e assistências, sua seleção a resultados relevantes e porque não dizer, surpreendentes. Com times "meia boca", a baggiodependência da Itália ficou latente na Copa do Mundo de 1994, mesmo tendo perdido aquele pênalti. Quatro anos antes, quando sediaram a Copa, ele tinha só 23 anos, sem muita responsabilidade, mas que não foi impeditivo de marcar um golaço contra a Tchecoslováquia. Em 1998, não estava bem fisicamente.
![]() |
| Perdeu o pênalti mas ganhou a idolatria! |
Ao longo de 18 anos como profissional, Baggio fez quase 300 gols, além de 27 em 56 jogos pela Azzurra. Simpático, educado, humilde. Ídolo incontestável.
Em 2011, foi indicado para diretor técnico da Federação Italiana! Após a conquista do Tetra em 2006, a Itália não conseguiu passar às Oitavas de Final da Copa de 2010, na África do Sul. Três empates pífios contra Eslováquia, Paraguai e Nova Zelândia lhe valeram o último lugar no grupo. Vergonha!
Baggio reuniu cerca de 50 especialistas entre treinadores, preparadores físicos, administradores esportivos, engenheiros, arquitetos, professores. Objetivo era elaborar um plano de ação para recuperar o futebol italiano, em projeto semelhante ao que a Alemanha fez após a Copa de 2002, quando perdeu a final para o Brasil. Foco: uma nova formação para o jovem jogador!
Baggio sempre foi um crítico contumaz da maneira como sua seleção jogava, inclusive com ele em campo. Muito atritos com o famoso treinador Arrigo Sacchi. Muita tática. Pouca técnica.
Entre as principais propostas, a criação de 100 centros de treinamento espalhados pelo país, geridos diretamente pela Federação. Milhares de jogos por ano para jovens de todas as idades. Formação de treinadores como um curso superior de graduação. Cada CT possuiria salas de aulas teóricas, academias de ginástica, piscinas, refeitório e hotel, além dos campos de jogo, claro. Grupos permanentes de estudo em medicina esportiva, fisioterapia, nutrição, marketing esportivo. A Itália deveria ser o exemplo de formação de jogadores. Aliar o dom natural ao aperfeiçoamento de fundamentos.
O documento foi finalizado com 900 páginas em aproximadamente um ano e entregue à Federação. Seu presidente à epoca, Giancarlo Abete, simplesmente o ignorou.
![]() |
| Ele tentou! |
"Tentei desempenhar o papel que me foi confiado mas não me permitiram. Trabalhei para reconstruir a partir das fundações para criar bons jogadores, boas pessoas. Apresentei meu projeto ... e ficou morto".
Baggio entregou o cargo ainda em 2013, antes mesmo da Copa 2014. Após nova eliminação ainda na fase de grupos no Brasil, o novo mandatário da Federação, Carlo Tavecchio, tampouco se interessou. Em 2018, Gabriele Gravina assumiu o cargo e pareceu nem saber da existência do documento. Há quatro dias, pediu demissão após a eliminação da terceira Copa do Mundo consecutiva. Um recorde mundial negativo!
![]() |
| Gravina, o Fracasso no. 3! |
Neste período de 12 anos, a Itália venceu surpreendentemente uma Eurocopa em 2021, que foi jogada em diversas cidades pelo continente. Na fase de grupos, atuou em casa, em Roma, venceu bem a Bélgica nas Quartas e, nos pênaltis, Espanha na semi e Inglaterra na Final em Wembley. Ganhou sem qualquer brilho. Aquele futebol chato. Marcação e contra-ataque. Tem sido assim há mais de 40 anos! Mesmo no Tetra em 2006, passou pela Austrália nas Oitavas com pênalti inventado no final do jogo. Jogou ótimo futebol apenas na semi contra uma jovem Alemanha e na Final, contra uma França muito mais técnica, precisou que o "troglodita" Materazzi xingasse a irmã do Zidane. Mesmo com um a mais durante a maioria esmagadora do jogo, só conseguiu vencer nos pênaltis.
Seu campeonato interno foi vencido pela Juventus por 9 anos consecutivos desde 2012, sem qualquer mínima disputa. A quantidade de estrangeiros aumentou de maneira relevante. Os de maior talento e categoria são minoria. A maioria deles está na Inglaterra.
Pela primeira vez, a seleção Sub20 da Itália chegou a uma final de Mundial da categoria em 2023, na Argentina. Acabou vice-campeã, perdendo para o Uruguai mas emplacou o Bola do Ouro do torneio: o meia atacante Casadei, revelado pela Inter e contratado pelo Chelsea, jogando a segundona inglesa pelo Reading. Além dele, outro meia atacante Pafundi, o zagueiro Guarino, o meiocampista Prati e o atacante Ambrosino também se destacaram. O que foi feito com esses jovens, quase três anos depois?
![]() |
| Onde está Casadei? |
A Itália se afunda em desculpas esfarrapadas sobre regulamentos mas se esquece que perdeu para a Noruega nessas Eliminatórias em 2 jogos cujo placar agregado foi 7 a 1. Placar clássico, né? E foi beneficiada em sorteio para repescagem. Ter ficado com Irlanda do Norte, Gales ou Bósnia era muito mais acessível do que com Turquia, Romênia, Dinamarca, Polônia, Suécia, Tchéquia ou Ucrânia.
As notícias vazadas sobre as discussões relacionadas às premiações para classificação são desculpas que também não colam. Ora, todas as demais 15 seleções da repescagem também receberiam o acordado com suas federações mas nenhuma delas já foi campeã do mundo. Muito menos, por quatro vezes.
Não dá pra saber se o Dossiê, uma vez aplicado, seria a salvação do futebol italiano mas Roberto Baggio dorme tranquilo quando repousa a cabeça no seu travesseiro mas compartilhará da mesma aflição e do mesmo desespero de seus tiffosi quando a bola rolar na abertura da XXIII Copa do Mundo de Futebol em junho próximo.
A Federação Italiana elegerá seu novo mandatário também em junho. Os clubes são os principais votantes. Ou o novo presidente dá aquele chamado choque de gestão ou então torce para que Gianni aumente o número de participantes para 2030! E olha que isto vem sendo veiculado por fontes próximas à FIFA.
Será que...? Não! Não creio...




espetacular, meus parabéns !!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirObrigado Sr Anônimo! Tamo junto! rsrs!
Excluir