Frase que o autor francês Antoine de Saint-Exupéry criou em "O Pequeno Príncipe", personagem épico, em 1943. Um dos maiores livros de todos os tempos já editados no mundo. Traduzido para dezenas de idiomas, ainda é um fenômeno de vendas, indicado para todas as idades, desde a formação de crianças até para treinamentos corporativos e de autoajuda para marmanjos. Antoine também desenhou as famosas aquarelas que ilustram não somente o livro mas toda uma gama de itens diversos que foram desenvolvidos pelo varejo ao longo de décadas, disponíveis para presentear àqueles que amamos!
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| Um marco da literatura contemporânea! |
Esse sentimento de devoção sempre é demonstrado por torcidas de futebol que passam a adotar jogadores como grandes ídolos de sua História. Seja por títulos conquistados, por carisma, por identificação, por talento. Jogadores assim, cativam! Ainda mais, se forem craques!
Com apenas 1,68 m de altura, aos 16 anos, o capixaba Geovani Faria Silva já era titular da Desportiva Ferroviária, time mais popular de seu estado. O garoto mostrava um estilo clássico no meio de campo, muita habilidade, dribles curtos, lançamentos precisos, além de liderança nata. Um jeito bonito de tratar a bola. Olheiros do Vasco no estado não demoraram muito para descobri-lo e a transferência para São Januário foi rápida.
Do banco de reservas, aos 18, comemorou o título estadual de 1982, quando o Vasco venceu o Flamengo por 1 a 0. Durante a campanha, um fato curioso o marcou. Na decisão da Taça Guanabara contra o mesmo Flamengo, o sempre polêmico árbitro José Roberto Wright aceitou uma proposta da Rede Globo para esconder um microfone sob seu uniforme para registrar o que era falado durante o jogo. Rendeu muita confusão depois, sobretudo porque Geovani, titular neste jogo, parecia ser seu grande alvo: "Cala a boca, Geovani... Joga a tua bola... Cala a boca"! Pareceu uma intimidação totalmente desnecessária. O Flamengo venceu por 1 a 0. E nunca mais experiências assim ocorreram. Ainda bem! Já há problemas suficientes com o VAR, hoje em dia.
Giovane começou a fama mesmo no ano seguinte. O Sul-Americano de Seleções na Bolívia foi sua primeira vitrine para mostrar o talento de sua camisa 8, quando a competição passou a ser transmitida pela TV. A Final contra a Argentina foi vencida pelo Brasil por 3 a 2, com grande atuação e terminada com muita confusão e a tradicional briga generalizada entre os eternos rivais.
No meio do ano, o Mundial da categoria no México. A Final, no lendário Estádio Azteca, foi a mesma do Sul-Americano: Argentina. E, novamente, Geovani comandou o Brasil, marcando de pênalti, o gol do primeiro título mundial Sub20 e, de quebra, ainda foi o artilheiro da competição. Era um time que revelou gente como o lateral Jorginho (America-RJ), o volante Dunga (Internacional), o meia atacante Gilmar (Flamengo), o ponta direita Mauricinho (Comercial-SP), o atacante Bebeto (Vitória-BA) e o ponta esquerda Paulinho (Fluminense) que sofreu o pênalti decisivo. Treinados por Jair Pereira. Bons tempos em que grandes jogadores eram revelados.(*)
A partir de então, o torcedor do Vasco passou a se acostumar com seu "pequeno" craque do meio de campo. O bicampeonato carioca de 1987/88 fez o adjetivo ganhar um substantivo: "príncipe". Saint-Exupéry ajudou. Era um grande time com Roberto Dinamite, Romário, Dunga, Tita, Mauricinho...
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| 1987: Paulo Roberto, Donato, Moroni, Dunga, Mazinho e Acácio. Mauricinho, Geovani, Tita, Roberto Dinamite e Romário! |
Carlos Alberto Silva, então treinador da seleção principal do Brasil, não demorou a chamá-lo. O Brasil ainda não havia conquistado uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e Seul 1988 era mais uma chance. Junto a Romário e Taffarel no gol, a boa performance não foi suficiente e veio novamente a Prata, assim como em 1984, perdendo, agora, a Final para a URSS. O novo treinador, Sebastião Lazaroni, ainda o chamou na conquista da Copa América, aqui no Brasil, em 1989. Na reserva, em quase nada contribuiu.
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| Baixinhos Cativantes |
A Europa era o caminho óbvio mas o desempenho não foi o esperado, embora torcida do italiano Bologna tivesse reconhecido seu talento. Lesões e dificuldade de adaptação contribuíram para o insucesso. Nova tentativa no alemão Karlshurer, sem muita glória. A volta ao Vasco trouxe mais dois Cariocas em 1992/93 quando surgiu o México, com o Tigres, onde tampouco emplacou. Voltou ao Vasco em 1995, sem muito brilho. Foi para o interior de SP (XV de Jaú), ABC de Natal e decidiu voltar às origens, atuando por vários times capixabas até encerrar a carreira por lá, aos 38 anos, em 2002, sem antes ser campeão pelo Serra em 1999 e de tirar a sua Desportiva da fila do Capixabão, no ano 2000.
Infelizmente, o câncer o atingiu. Ao longo dos últimos anos, sua situação clínica foi piorando. Deu tempo de Pedrinho, atual presidente do Vasco, homenageá-lo com uma placa quando foi jogar em Cariacica recentemente, no estádio Kleber Andrade. Merecia mais.
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| Merecia mais... |
Hoje, o "Pequeno Príncipe" de São Januário decidiu cativar mais torcedores no Céu! A esta altura, já deve ter ouvido de São Pedro umas boas-vindas, parafraseando Saint-Exupéry. Algo como...
... Parabéns pelo tempo que dedicou à bola e que a fez tão importante pois só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!
(*) Não percam ainda hoje às 17 horas. Os 26 de Ancelotti. Duvido que conheça todos ou onde jogam ou começaram a jogar! rsrsrs!





esplêndido...magnífico
ResponderExcluirBoa Sr. Anônimo Roman! rsrs! Valeu!
ExcluirAmigo, belo trabalho.
ResponderExcluirObrigado Sr Anônimo! Tamo junto!
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