sexta-feira, 12 de junho de 2026

O MAIS BEM PREPARADO

Vigor físico, fôlego, firmeza nas divididas, raça, impulsão, simplicidade e... sangue quente! Muitas vezes, fervendo!

E ainda com um nome de herói da mitologia grega, filho de Zeus, o Deus Supremo!

Hércules Brito Ruas, ou simplesmente, Brito!

Natural da Ilha do Governador, tradicional bairro do Rio (o mesmo de Nilton Santos), o garoto Hércules idolatrava Bellini, zagueiro do seu Vasco do coração e capitão da primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil em 1958. No ano anterior, já atuava pelos aspirantes de São Januário. Em 59, aos 20 anos, já estava no elenco principal.

O Início em São Januário

Após um breve empréstimo ao Internacional de Porto Alegre, defendeu o Vasco por 10 anos ininterruptos como zagueiro titular absoluto em mais de 400 jogos. A Taça Guanabara e do Torneio Internacional do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, ambos em 1965, e o Rio-SP de 1966 (em quádruplo empate com Botafogo, Santos e Corinthians) foram suas principais conquistas no clube. Grandes atuações lhe valeram chegar na seleção brasileira. Convocado para a Copa de 1966, assim como todos os jogadores, acabou vítima da desordem da então CBD. Estava em campo na derrota fatídica para Portugal. Continuou recebendo convocações e era uma das "Feras do Saldanha", em 1969.

Vasco 68: Pedro Paulo, Brito, Buglê, Fontana, Lourival e Ferreira. Nado, Danilo Menezes, Nei, Bianchini e Silvinho

No final deste ano, foi negociado com o Flamengo, cujo técnico era o polêmico e "terrível" Yustrich. Aqui valem duas passagens históricas muito bem narradas no excepcional livro-biografia do "Homão", de autoria do excelente jornalista gaúcho José Luis Costa, a quem tive a felicidade de conhecer no ano passado por ocasião do lançamento deste livro no Rio, no tradicional Bar Bigorrilho no Leblon!

O "Homão" era técnico da equipe principal do Vasco em 1959 e também coordenava as categorias de base, onde Brito jogava nos aspirantes. Na Final Carioca, contra o Botafogo, o árbitro Airton Vieira de Moraes, o "Sansão", metido a forte, expulsou Brito por reclamação. Em um segundo jogo, inconformado por não poder atuar, Brito o encontrou, por acaso, nas tribunas do Maracanã e deu-lhe umas "bolachas"! E ainda mandou: "- É pelo Yustrich"!

Quando chegou no Flamengo, havia enorme expectativa para vencer o carioca de 1970, que o clube não conquistava desde 1965. Quem era o técnico? Yustrich, que não tolerava estrelismos. Os métodos do Homão incluíam saber os endereços de todos jogadores para controlar, sobretudo os solteiros, festinhas e excessos! Brito jamais deu o seu. Yustrich não lhe dava chance de jogar. Nem no banco de reservas ficava. Curiosamente, o seu Vasco acabou campeão. Quando voltou do México, tricampeão mundial, foi pior. Yustrich não suportou as condecorações, homenagens, prêmios e até dispensas dos jogadores de seus clubes para festas sem fim. Brito pediu para sair do Flamengo, onde só atuou em 11 jogos, todos amistosos, e acertou com o Cruzeiro. 

Em jogo do Brasileiro, teve grande atuação no Mineirão, quando venceu o Flamengo por 3 a 1. Na saída, jogou a camisa azul no rosto de Yustrich! Vingado! Fez ótimo Brasileiro, ajudando o time mineiro a se classificar para o quadrangular final, vencido pelo Fluminense.

Cruzeiro 70: Vanderlei, Zé Carlos, Piazza, Pedro Paulo, Brito e Raul. Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.

Em 1971, novo time: Botafogo! E mais sangue quente. Em clássico contra o Vasco, não concordou com pênalti marcado contra si. Agrediu com um soco o árbitro José Aldo Pereira. Um ano de suspensão! Em 72, novamente campeão com a seleção brasileira na Mini-Copa, A Taça Independência, disputada aqui mesmo no Brasil, em final contra Portugal no Maracanã, 1 a 0, gol de Jairzinho.

Ficou no Botafogo até 1974, já com 35 anos, e aí rodou por Corinthians, Atlético-PR, Canadá, Venezuela, Democrata de Gov. Valadares-MG, até encerrar a carreira no River do Piauí, em 1979.

Botafogo 73: Miranda, Wendell, Osmar, Brito, Marinho Chagas e Carlos Roberto. Zequinha, Marco Aurélio, Fischer, Jairzinho e Dirceu.

Seu grande momento foi, sem dúvida, a Copa do Mundo de 1970. Eleito o melhor preparo físico entre todos os jogadores daquele Mundial. Tirou de letra a adaptação à altitude de mais de dois mil metros e formou uma dupla de zaga perfeita com Piazza, improvisado e mais técnico. Sempre puxava a fila nos treinamentos físicos e nas corridas pelas ruas históricas da cidade de Guanajuato, onde a seleção brasileira se preparou.

Sempre na frente!

Brasil 1x0 Inglaterra: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Félix, Clodoaldo e Everaldo. Jairzinho, Rivellino, Tostão, Pelé e Paulo Cézar.

Com a aposentadoria, se dedicou a projetos sociais do Estado do Rio, com o ex-colega de Botafogo e seleção, o atacante Roberto Miranda, e o ex-zagueiro Pinheiro, do Fluminense, para fomentar venda mais barata de remédios para populações carentes. Jamais deixou sua Ilha do Governador, jogando suas peladas, no churrasco e no chope amigo!

Brito vai reforçar o time de 70 que já está no Céu! Félix, Carlos Alberto Torres, Fontana, Everaldo, Joel e o Rei Pelé sabem que o mais bem preparado chegou!

Com chope para celebrar! 

E em plena Copa do Mundo!

Chope no Céu!


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