Quando eu tinha 10 anos (1977), já respirava e transpirava futebol por todos os poros!
E sem videogame!
Como?
Ora, ouvindo jogos pelo rádio, assistindo a poucos pela TV, indo ao Maracanã, colecionando figurinhas, futebol de botão ou mesmo jogando em qualquer lugar: no colégio, clube, praia, no corredor de casa. Com qualquer tipo de piso, desde que se pudesse fazer um gol. Bola podia ser a própria, leve, pesada, costurada a mão, desbotada, de qualquer cor, de meia ou uma pequena amêndoa (tinha muitas no colégio que chamávamos de "coquinho")! Jogávamos de tênis, de preferência "kichute" (*), de chinelo ou descalço! Chuteira? Era difícil encontrar para comprar! E quando se encontrava; caríssima!
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| "Raiz" |
(*) Deixava um perfume gostoso após o uso...
Mesmo torcendo para o Fluminense da Máquina Tricolor (Rivellino, Paulo Cézar, Gil, Edinho, Pintinho, Dirceu e depois Marinho Chagas), eu ficava encantado com o futebol jogado por Zico, Roberto Dinamite, Reinaldo, Falcão, Carpegiani, Nelinho, Toninho Cerezzo, Mendonça, Zé Sérgio, Palhinha, Ailton Lira, Dicá, Oscar, Amaral e dos goleiros Leão, Carlos e Waldir Peres! Poderia continuar...
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| Dicá, Roberto Dinamite, Zico, Falcão, Ailton Lira, Reinaldo... |
Em 1977, meninos de 10 anos que cruzassem com algum ou alguns desses nomes na rua, ou ainda de outros não citados, fariam de tudo por um pedaço de papel e caneta ou lápis para conseguir algo equivalente, hoje em dia, a uma selfie: um autógrafo! Alguns mais fanáticos chegavam a ir até uma papelaria para plastificá-lo e "eternizar" aquele momento. Muita tecnologia.
Era véspera da Copa do Mundo 78. A primeira em que eu realmente entenderia a competição, conheceria melhor jogadores e seleções! A seleção brasileira era realmente o Brasil, que se classificou nas Eliminatórias após um primeiro triangular com Paraguai e Colômbia e depois um outro, jogado em Cáli, na Colômbia, vencendo Peru (1x0) e aplicando uma goleada histórica na Bolívia (8x0). O time era semelhante a esse aí abaixo, formado para um amistoso contra a Alemanha Ocidental, no Maracanã. Eu estava lá. Os então campeões mundiais fizeram 1 a 0 já no segundo tempo. Rivellino empatou no final! Veja se estava cheio...
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| Brasil 77: Zé Maria, Leão, Cerezzo, Amaral, Luis Pereira e Rodrigues Neto. Gil, Zico, Roberto Dinamite, Rivellino e Paulo Cézar. |
O tempo passou! Quase 50 anos! Muitas coisas melhoraram no Brasil e no mundo. Não preciso citá-las! Você sabe. Outras pioraram. Você também sabe.
Mesmo assim, vou citar uma das que pioraram no âmbito do nosso futebol, claro! Já há alguns anos, os clássicos entre os quatro grandes em São Paulo são jogados sem a torcida visitante. Um notório atestado de incompetência ou talvez preguiça, descaso, ou todos combinados, do poder público em garantir segurança para todos.
Ontem, em Itaquera, indiretamente e sem qualquer culpa, Neymar acabou sendo a ferramenta pela qual outra coisa que piorou muito em nossa sociedade se manifestasse em sua plenitude: a intolerância. E sempre por motivos fúteis.
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| 10 anos |
O jovem corintiano crescerá mas não sei quando verá algum jogador no seu ou em qualquer outro time, a quem poderá chamar de craque. Sinceramente, não sei.
Melhor fará se ficar no videogame, pedindo ajuda a seu pai ou avô para montar um time do tipo Brazil (com Z) Legends!
Vai ganhar tudo!
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| Ficará no videogame? |





Valeu, caro Osmar!
ResponderExcluirConcordo com vc sobre a seleção!
Os craques sumiram! Hoje são craques da grana e não da grama! Infelizmente!
Abraços
Valeu Sr Anônimo! O que não faz a troca de uma letrinha... rsrs! |Abraço!
ExcluirHá momentos em que o saudosismo se faz muito necessário. Até o chulé do kichute eu senti.
ResponderExcluirGrande garoto... inesquecível né não??? rsrsr! Valeu!
ExcluirQue texto! Quem viu os nomes que você citou e outros em campo, por certo, reviveu os áureos tempos do futebol orgulho. Quem não viveu, também por certo, pôde sentir, pelo se tão bem escrito artigo, o sentimento que reinava dentro dos campos, nas arquibancadas, pelo radinho colado ao ouvido ou salas de TV. Hoje sobra hipocrisia, ganância, estrelismo e ignorância por todos os lados. E eu quase nada entendo ou acompanho de futebol .... parabéns
ResponderExcluirMinha querida Gê! Que honra! Beijos!
Excluirsensacional
ResponderExcluirGrande Bruno! Ainda tem o seu kichute??? rsrs! Abraço
ExcluirSensacional!!! Perfeita analise dessa sociedade doente que estamos alimentando infelizmente...
ResponderExcluirE não estou vendo muito jeito de melhorar... Infelizmente! Grande abraço, Sr Anônimo!
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