segunda-feira, 30 de março de 2015

A INVASÃO

Até os idos dos anos 70 do século passado, não era comum o torcedor frequentar estádios de futebol, vestindo a camisa do seu time. As bandeiras sempre foram o foco. Ao contrário das camisas, para serem confeccionadas, bastavam alguns tecidos, linha, um mastro, mesmo que pequeno, e um bom ou uma boa costureira. Camisa era coisa para uns poucos privilegiados. A oferta era muito limitada, encarecendo o produto. Era preciso conhecer alguém de dentro do clube para obter a "preciosidade". Desta forma, o torcedor preferia poupar para ter o dinheiro do ingresso do jogo, sempre "baratinho". E, considerando as multidões que compareciam ao Maracanã, por exemplo, sempre na casa dos 100 mil, os clubes tinham 2 grandes fontes de renda: o ingresso e as excursões à Europa, durante a pré-temporada do Velho Continente. Às vezes, a venda de jogadores também colocava uma grana no caixa, sobretudo com alguns poucos, mais famosos, que foram para a Europa, antes dessa época, como Evaristo de Macedo, Canário, Didi, Julinho Botelho, Waldo, Amarildo. E mais tarde com Jairzinho, Paulo Cézar, Luis Pereira e Leivinha. Vender camisas ou qualquer outro dito produto oficial, definitivamente, não era fonte de receita.

Torcidas do Rio! Vamos botar a camisa?
Gradativamente, isso foi mudando. Ao final dos anos 70, ainda era raro encontrar torcedores com camisas oficiais, mas as "piratas" começaram a tomar conta do mercado. No entorno do Maracanã, já se viam os camelôs vendendo as camisas 10 do Flamengo (Zico) e do Vasco (Roberto), a 5 do Fluminense (Edinho) e a eterna 7 do Botafogo! Ao mesmo tempo, as torcidas organizadas, muitas fundadas há pouco tempo e quando ainda eram organizadas, lançavam seus próprios uniformes e iniciavam o processo de colorização da arquibancada.

E o processo não parou mais! Na Copa de 1974, a Adidas começou a aparecer nos uniformes da Alemanha/OC, Holanda, Polônia, Argentina, Suécia, Iugoslávia e até do Zaire! Quatro anos depois, estava na seleção brasileira e já vestia o Guarani e o Palmeiras, respectivamente, campeão e vice brasileiros deste ano, além do Internacional. No ano seguinte, Fluminense e Vasco.

Na virada dos 80, as camisas oficiais dos times brasileiros ainda não eram comercializadas. Em compensação, as do tipo "genéricas" eram encontradas com facilidade nas lojas esportivas, uma vez que não existia o conceito de produto licenciado oficial. E nessa década, outras marcas começaram a dividir o mercado com a Adidas: Penalty, Topper (na seleção em 82/86/90), Le Coq Sportif, Olympikus, Rainha.

Nos anos 90, vieram a Umbro (na seleção em 94), a Reebok e a Nike (na seleção de 98 até hoje). E junto, uma nova prática: a marca exposta como fonte de receita, ou seja, os clubes começaram a receber para vestir as marcas, via contrato de fornecimento. Então, naturalmente, surge o conceito do produto licenciado e o acesso às camisas oficiais, definitivamente aberto! Os preços, ainda hoje, continuam altos, mas as facilidades de pagamento, além do comércio eletrônico, fizeram - e continuam a fazer - com que este tipo de venda passasse a ter certa relevância na receita dos clubes. E, claro, os piratas continuam! Mais baratos, né?

Entretanto, junto ao acesso às camisas oficiais dos times brasileiros, também estava aberto o mercado internacional, cujos times vestem as mesmas marcas. Após a entrada do real, como nova moeda em 1994, e a estabilização da nossa economia, as viagens ao exterior passaram a ficar mais acessíveis à classe média brasileira e, para quem gosta de futebol, passou a ser um grande barato comprar camisas dos times e seleções estrangeiras nas lojas de lá! Imagina, trazer de presente para um filho ou sobrinho (ou comprar para si mesmo), uma camisa do Arsenal comprada em Londres, uma do Real comprada em Madrid, uma do Milan comprada em Milão, uma do PSG comprada em Paris! Maneiro demais! Presentaço!

As marcas não perderam tempo. Não há nada mais fácil hoje em dia do que entrar em qualquer site brasileiro de venda de artigos esportivos e adquirir camisas oficiais de times e seleções do mundo inteiro pelo mesmo preço dos brasileiros, pagando em reais, no cartão de crédito, em até 10 vezes sem juros, muitas em promoção, aplicando nome e número nas costas, com entrega a domicílio em 3 ou 4 dias! E o que aconteceu?

A tal da concorrência! E pra lá de desleal! Ao mesmo tempo em que o nosso futebol se afasta cada vez mais da torcida brasileira (ou alguém duvida que atualmente Londres não seja a "casa" da seleção?) e sua qualidade definha a níveis medidos pelos 7 a 1  da vida, somos "contaminados" pelos vinte e tantos campeonatos estrangeiros, cujos jogos são transmitidos ao vivo pela TV, com resenhas detalhadas, todos os gols da rodada, com direito a replay. E o pior (pra nós): os jogos são mesmo espetaculares, anos-luz melhores que os nossos!
As minhas - 2

As minhas - 1
Resultado: os meninos (e meninas) dos 6 (ou 5, ou 4) aos não-sei-quantos-anos comparecem à aniversários, churrascos ou treinos de futebol vestidos com as camisas do... Arsenal, Real Madrid, Milan e Paris SG, embora torçam para Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, aqui no Rio, claro!

O problema está cada vez mais próximo de nós! Aqui na minha casa mesmo! Não somente com meu filho de quase 10 anos, mas também comigo! Muito provavelmente, também ai na sua casa, amigo leitor! É uma invasão!


As do Pedro! Loucura!
É preciso resistir!

Papo para o próximo post!

segunda-feira, 23 de março de 2015

O CASCUDINHO GLOBALIZADO

Ontem levei meu filho para bater uma bolinha no clube, à tarde. Com 9 anos, sua canhota começa a ficar potente como a do pai... Hehehe!

Em uma metade do campinho, ele jogava com meninos da sua idade. Na outra, 4 adolescentes que aparentavam uns 15 anos disputavam um animado e típico "cascudinho". Os mais, digamos assim, antigos sabem do que se trata...

O que me chamou a atenção é que dois deles não eram brasileiros. Com certeza, faziam algum tipo de intercâmbio escolar por aqui, naquela tradicional troca de famílias. Cheguei mais perto para identificar que língua falavam. De fato, os meninos brasileiros não falavam português com eles.

Perguntei para um dos meninos brasileiros: São alemães? Sim! A resposta confirmou a suspeita.


Amigos, acreditem. Foi a dupla brasileira contra a alemã. Deixei de observar o jogo do meu filho por uns 5 minutos. Na foto, os alemães são os de camisa rosa e azul marinho. Não faço a mínima ideia de qual foi o placar final da peleja mas os visitantes jogavam com fisionomia séria, concentrados, balbuciavam o necessário, se deslocavam com rapidez pelo pequeno campo, não davam mais do que 2 toques na bola, acertavam a maioria dos passes, não cometiam faltas, não caíam no chão e jamais passaram impressão de cansaço, embora tenham ficado com aquele tradicional vermelhaço em seus pescoços!

A "nossa" dupla ria o tempo inteiro. Faziam firulas do tipo balãozinho e pedalada, que poderiam ser tentativas de drible, totalmente infrutíferas. Ensaiavam uns passes de trivela, raramente certos. Quando perdiam a posse de bola, caíam no chão, "cansados" e reclamavam um do outro, com xingamentos, na base da brincadeira. Faziam faltas leves, sem machucar, mas que impediam o prosseguimento dos lances da dupla alemã. Bagunça total.

E aí?

O amigo leitor é adepto da ideia de que era uma pelada, descontração total, e os brasileiros sempre precisam mostrar sua habilidade inata, seu jeito moleque de jogar o futebol pentacampeão mundial em qualquer campo, em qualquer idade, sob qualquer circunstância.

Ou..

... deixa pra lá... era só um "cascudinho"...

domingo, 22 de março de 2015

UM ATLÂNTICO DE DIFERENÇAS

O campeonato espanhol está longe da perfeição. Sobretudo no caráter técnico. A diferença de valores das cotas de TV em favor de Real Madrid e Barcelona em detrimento dos outros 18 clubes da 1a. divisão faz com que a disputa praticamente não exista, exceto entre eles. Atlético Madrid, Valencia e o Deportivo La Coruña incomodaram um pouco nos últimos 20 anos. Só um pouco. E, infelizmente, isso tem tudo para acontecer aqui no Brasil, quando, a partir do ano que vem, Flamengo e Corinthians assumirão de vez o papel de protagonistas que a Rede Globo sempre quis para suas "Novelas"! Pena!

O Mosaico do Barça
E hoje, teve "El Clásico", no Camp Nou! 100 mil torcedores no maior estádio da Europa! Poucos torcedores do Real estavam lá. Todos em segurança! Com a vitória por 2x1, o Barça abre 4 pontos de vantagem na liderança sobre os merengues, em segundo. Oh! Que coincidência! Contudo, este post não é para falar sobre "espanholizações" mas de diferenças!

É a maior rivalidade do futebol mundial atualmente! Duas seleções do mundo, frente a frente! E além das questões políticas separatistas da Catalunha, há o confronto Cristiano Ronaldo x Messi.

Mathieu faz o primeiro.
Do lado madrilenho, da seleção espanhola, o goleiro Casillas, o lateral Carvajal, o zagueiro Ramos e o hábil meiocampista Isco. O polêmico luso-brasileiro Pepe na zaga, técnico mas meio maluco!O brasileiro Marcelo na lateral esquerda. E há o tetracampeão alemão Kroos, vejam... o único volante do time! Ainda no meio, o croata Modric e três atacantes: o "Príncipe de Gales", Bale, o francês Benzema e CR7! No banco, há o colombiano James Rodrigues, artilheiro da última Copa, o mexicano Chicharito Hernandez, o zagueiro francês Varane, o bom brasileiro Lucas Silva (recém contratado junto ao Cruzeiro) e a revelação espanhola Gesé. O técnico é o italiano Carlo Ancelotti que foi um excelente meiocampista da Roma e da Azzurra!

Cristiano Ronaldo faz sua tradicional comemoração após marcar
CR7 pede silêncio! Fanfarrão!
Os catalães têm Messi e o "jefecito" Mascherano, da Argentina. Neymar e Daniel Alves, do Brasil. Luis "El Vamp" Suarez, do Uruguai. Rakitic da Croácia e Iniesta completam o meiocampo. A defesa com o goleiro Bravo, do Chile, o francês Mathieu e os locais da "Fúria",  Piqué (Como está a família, meu amigo?) e Jordi Alba. No banco, o ex-titular Busquets (da seleção), o veterano craque Xavi, o veloz Pedro (da seleção) e o brasileiro Rafinha (filho do brasileiro tetracampeão Mazinho). O técnico Luis Henrique, polêmicas à parte, foi excelente atacante do próprio Barça e da "Fúria".

Apresentados os artistas, o resultado não podia ser outro: espetáculo! O jogo não para. Ninguém erra passe, salvo quando pressionados por marcação que sempre se inicia no campo ofensivo do time que não está com a bola. Ninguém faz firula (nem Neymar), é possível identificar o caminho da bola, seguindo para frente! Os cruzamentos são passes certeiros, dribles curtos, toques rápidos, lançamentos e viradas de jogo precisos, ninguém nunca está parado. E afora as loucuras tradicionais de Pepe e Mascherano (nada é perfeito!), o jogo é disputado ao extremo, mas essencialmente limpo!

"El Vamp" comemora seu golaço!
Os goleiros se destacam, bolas na trave e os gols, belíssimos: Messi cobrou uma falta com a "mão" na cabeça de Mathieu, sem chance para Casillas. Modric, insinuante com jogo de corpo, enfiou uma bola rasteira na área para Benzema que, de primeira e de calcanhar, tocou para CR7 se esticar e colocar fora do alcance de Bravo. Ele manda os torcedores catalães fazerem silêncio! Figuraça! Bota mais lenha na fogueira! Daniel Alves, sim, Daniel Alves, acerta um lançamento primoroso para "El Vamp" Suarez dominar de "bate-pronto" e chutar no contrapé de Casillas.

O Barcelona venceu. Podia ter sido empate. O Real podia ter vencido. Todavia, quem ganhou mesmo foram todos os que gostam de futebol e o apreciam como um jogo de excelência, de trabalho em equipe, de liderança, de fundamentos, de organização, sem preconceitos, mas, em especial, de paixão e emoção, jogado por craques, com respeito às regras e aos adversários.

Hoje também teve Flamengo x Vasco, um dos grandes clássicos do futebol do Rio e do Brasil, que quase saiu do Novo Maracanã porque o campeonato carioca, há pelo menos uns 25 ou 30 anos, não pertence mais aos clubes - culpados por tudo -  mas a sua decrépita federação estadual, comandada neste período por somente 2 pessoas cuja qualificação mais adequada é o adjetivo "gângster". O campeonato já foi importante e razoavelmente bem organizado. Hoje é sinônimo de descrédito e falência moral e esportiva.

Nas arquibancadas, a torcida mostrou sua paixão como sempre! E somente graças a ela, nosso futebol sobrevive! Bem, e dentro de campo, parafraseando João Saldanha (*), se empolgação, garra e vontade ganhassem jogo, torneio de jiu-jitsu terminava empatado. O Flamengo venceu. Podia ter sido empate. O Vasco podia ter vencido. Ou o Fluminense. Ou o Botafogo. Ou o América (lembram dele?)...

Releio os parágrafos iniciais e fico envergonhado.

Deve ter sido por mais um gol da Alemanha...

(*) Certa vez, ao comentar sobre "trabalhos de macumba" no futebol, João Saldanha disparou: "Se macumba ganhasse jogo, campeonato baiano terminava empatado!"

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

40 ANOS DO ADEUS À VILA

2 de outubro de 1974.

O Santos recebeu a Ponte Preta em jogo válido pelo campeonato paulista. O jogo não valia muita coisa mas o Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, estava lotado. Como assim?

Era a despedida anunciada de Pelé. A da seleção brasileira já havia sido em 1971, em amistosos no Maracanã e Morumbi. Mesmo aos gritos de "Fica", o Rei do Futebol não esmoreceu. E três anos depois, foi a vez do Santos.

O fracasso na Copa da Alemanha, três meses antes, dava força a quem defendia a tese de que se Pelé estivesse na seleção brasileira, teríamos conquistado o tetra! Na verdade, com quase 34 anos, o Rei sabia que não teria condições físicas para que 100% de sua técnica prevalecesse sobre a força e a velocidade do novo estilo europeu. Foi inteligente, saindo por cima, tricampeão mundial, o único jogador, até hoje, a ostentar tal título. Esqueçam aquela desculpa de que não jogou por conta da ditadura militar. E em 1970? Não havia ditadura?

Pelo Santos, Pelé conquistou 25 títulos, além de outros torneios e troféus: 10 Paulistas, 5 Taças Brasil, 4 Rio-SP, 1 Brasileiro, 2 Libertadores, 2 Copas Intercontinentais, 1 Recopa Intercontinental. Em 18 anos na Vila, 1008 gols em 1114 partidas, ou seja, quase 1 por jogo. Números grandiosos. Do tamanho de sua estrela como atleta de futebol.


Voltando ao jogo, algumas curiosidades. Pelé jogou até os 28 minutos do primeiro tempo. Se você prestou atenção no vídeo acima, percebeu que Carlos Roberto Gallo (ele mesmo) defendeu a cabeçada do Rei, que estava lesionado e jogava no sacrifício. Após sua saída, o Santos venceu o jogo por 2x0, com gols de Cláudio Adão (ele mesmo) e um gol contra do zagueiro Geraldo que fazia dupla de zaga com Oscar (ele mesmo). A Ponte ainda tinha Tuta na ponta-esquerda, irmão do lateral-direito Zé Maria do Corinthians. O mais célebre duelo dos irmãos aconteceria 3 anos mais tarde quando o tabu de 22 anos sem título foi quebrado pelo alvinegro da capital. O jogo ainda ficou paralisado por 30 minutos no segundo tempo devido a um apagão. É! Apagões, já em 1974, eram normais!

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O Rei se prepara para entrar no campo da Vila pela última vez!
Marcado pelo garoto Oscar!
O adeus ao único time que jogou no Brasil!
Saindo dos campos para entrar na História do Santos!
O Santos jogou com Cejas,Wilson, Vicente, Bianchi e Zé Carlos; Léo e Brecha; Cláudio Adão, Da Silva, Pelé (Gilson) e Edu.
A Ponte Preta com Carlos, Zé Luiz, Oscar, Geraldo e Walter; Serelepe e Serginho (o no. 8, o primeiro a abraçar Pelé no meio do círculo central); Waldomiro, Waltinho (Brasília) e Tuta.
O árbitro foi Emidio Marques Mesquita.

Há 40 anos...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A CdPI DO PETROS

Me vêm rapidamente à cabeça, dois casos interessantes de jogadores brasileiros agredindo a arbitragem.

O bandeirinha aterrorizado
Serginho Chulapa, essa candura de centroavante, dando um "chutezinho" de leve, coisa boba, no bandeirinha de um jogo do São Paulo contra o Botafogo-SP, em Ribeirão Preto, em fevereiro de 1978. Foi reclamar de gol corretamente anulado por impedimento. Resultado: 1 ano de suspensão e a imprensa paulista ficou "viúva" daquele que queria como titular da seleção brasileira na Copa da Argentina. Aqui uma reportagem do Globo Esporte sobre o conjunto de sua obra, como jogador e técnico. A agressão citada está ali pelos 47 segundos. Confiram: SERGINHO E SUA OBRA

Perdigotos no árbitro
O segundo foi a famosa e infame cusparada de Neto no árbitro José Aparecido de Oliveira, em jogo em que o Corinthians foi derrotado pelo Palmeiras no Morumbi, por 2x1, em 1991. Neto foi merecidamente expulso por um carrinho desleal em César Sampaio. Acabou suspenso por 4 meses e, após comandar o Corinthians na conquista de seu primeiro título brasileiro no ano anterior, começou a entrar em declínio. Revejam o lance: A INFAME CUSPARADA DE NETO

Ladrão?? Não! Bebum!
Me lembro ainda do não menos famoso caso em que Junior Baiano, então no São Paulo em 1995, saiu de um jogo contra o Corinthians fazendo aquele gesto característico de que o polêmico árbitro Oscar Roberto de Godoy estaria bêbado! Godoy processou o zagueiro por difamação, calúnia e outras papagaiadas mais! Não deu em nada! Mas foi muito engraçado! Depois, Godoy virou comentarista de TV e o assunto se transformou numa espécie de tabu! E mais engraçado ainda foi quando Godoy começou a "apitar" jogos de showbol com a participação do Junior Baiano. Hilário! Será que rolaram umas cervejinhas depois dos jogos???

Penápolis, cidade do interior paulista, só era conhecida mesmo por ser a terra natal de Sabrina Sato. E o Penapolense tratou de colocar a cidade no mapa do futebol do estado, eliminando o São Paulo, nos pênalties, em pleno Morumbi, no campeonato paulista deste ano. O volante Petros foi o grande destaque do time. Bom no desarme, bom no toque e condução de bola. O Corinthians não vacilou e o contratou para o Brasileiro, onde vinha fazendo um bom campeonato. Aí...


O árbitro Raphael Claus é fraco tecnicamente. E neste lance, estava muito mal colocado e atrapalhou a jogada de Jadson, do Corinthians, no clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, na semana passada. Petros, no. 40, não gostou! Tomou as dores do companheiro e agrediu visivelmente o árbitro que, de costas, não podia mesmo constatar o dolo. Não citou agressão na súmula pois realmente não a viu. Poderia ter sido um "encontrão" casual; lance de jogo. Como o regulamento lhe permite alterá-la em até 24 horas, viu as imagens e foi aconselhado, corretamente, pela comissão de arbitragem a incluir o evento. Tudo dentro da lei e do bom senso.

Agrediu! Fim de Papo!
A suspensão de 180 dias imposta pelo STJD foi absolutamente correta e até me espantou por Petros jogar onde joga! Ainda caberá recurso no Tribunal Pleno mas torço para que seja mantida. O resto é disse-me-disse, chororô e picuinha de quem fica querendo proteger os times que a imprensa geralmente gosta de proteger! O cara agrediu! Ponto final para a CdPI do Petros!

O que? O amigo leitor ainda não descobriu o que é CdPI?

Cara de Pau Identificada!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O DENTISTA MASCARADO

Borer, de General a Marechal
Desde 1975, quando o presidente Charles Borer vendeu a sede de General Severiano e levou o clube para o distante subúrbio de Marechal Hermes, o Botafogo não tinha um mandatário dotado de tamanha incompetência administrativa.

A angústia começou em março do ano passado, quando o Engenhão foi interditado pela prefeitura do Rio, com risco de desabamento da cobertura. Ninguém viu o laudo mas o Maracanã acabava de ficar pronto. Uma licitação estranha para concessão foi ganha por quem o reformou e criou o estudo de viabilidade financeira contido no próprio processo de licitação do governo do Estado. Mauricio Assumpção, presidente do clube, se calou. Filiado ao PMDB, o mesmo partido do Prefeito Eduardo Paes, fechou o estádio e a exemplo de Fluminense e Flamengo, firmou contrato para utilização do novo Maracanã, muito menos rentável para o clube! Assim, o novo estádio garantia uma taxa de ocupação com três grandes da cidade!

O Dentista!
Assumpção contratou o veterano Seedorf e montou um bom time em 2013, quando venceu o carioquinha e foi 4o.lugar no Brasileiro, voltando à Libertadores em 2014, após 18 anos! Já sem o holandês, a campanha foi um fiasco, não se classificando na fase de grupos mas conseguiu bons públicos no Maracanã. Ao mesmo tempo, foi o único dos grandes do Rio a apoiar o retrógrado e vingativo Rubinho na reeleição deste à falida Federação Estadual de Futebol. Comandou uma patética eleição por aclamação com os clubes nanicos e as enfadonhas ligas municipais e o convidou a chefiar a delegação de seu time nas viagens ao Chile, Argentina e Equador pela Libertadores. Lamentável.

Assumpção conseguiu bons resultados com as divisões de base, lançando bons jogadores como Vitinho, Daniel, Sassá, Gegê, Dória e Gabriel. A maioria já se foi mas, no ano passado, o presidente anunciou uma reforma revolucionária em Marechal Hermes, um projeto de CT para estas categorias, coisa de primeiro mundo. O terreno continua nos escombros e a garotada alvinegra continua se virando em Caio Martins!

Na semana retrasada, em reunião de alguns clubes com a Presidência da República, afirmou que o Botafogo estava prestes a fechar as portas se a tal lei de responsabilidade fiscal do esporte não fosse aprovada em caráter de urgência (e ainda não foi). Entretanto, esqueceu de falar que, confiando nesta aprovação no início do ano, decidiu parar de recolher impostos, elevando a já enorme dívida do clube a patamares gigantescos. Receitas passaram a ser bloqueadas pela Justiça, o clube saiu do acordo do Ato Trabalhista, deixando jogadores do elenco de profissionais sem receber salários por mais de 3 meses e portanto, aptos a deixarem o clube em ações judiciais. Conseguiu um empréstimo no sindicato de funcionários de clubes, pagando somente os que têm salários menores. Dória, Gabriel e Emerson estavam garantidos por investidores. Bolatti, Lucas, Bolívar, Marcelo Mattos, "Tanque" Ferreyra e André Bahia ficaram sem receber. O técnico Vagner Mancini afirmou que nos seus 30 anos de futebol, nunca havia visto nada parecido. Ao final do jogo contra o Cruzeiro, o sempre polêmico Emerson "Sheik" chamou a diretoria do clube de incompetente. O presidente nada falou! Antes, contra o Flamengo, o time entrou em campo com uma faixa, em respeito aos seus torcedores, mas denunciando o atraso. A diretoria não sabia de nada. No último domingo, o time entrou na zona de rebaixamento do campeonato brasileiro. Torcedores ilustres se movimentam para levantar dinheiro e minimizar o colapso.

A diretoria não sabia!
Descobre-se que o pai de Assumpção tem firma contratada pelo clube para intermediar negociações com patrocinadores, ganhando percentual fixo mensal.  O presidente diz que o estatuto do clube permite e nunca ganhou nada com isso. Um destes patrocinadores se chama TELEXFREE, empresa que exercia uma espécie de "Pirâmide", multinacional condenada e proibida de funcionar nos EUA. O patrocínio dura somente alguns meses em 2014, após a falência também ser decretada no Brasil e os executivos, respondendo a processos. Com as receitas bloqueadas, as comissões à empresa de seu pai deixaram de ser pagas. Aaah...bom!

O Botafogo comemorou 110 anos em 12 de agosto. Que momento! A sessão solene do Conselho no Casarão de General Severiano teve pouco mais de 20 presentes. Assumpção não era um deles. Assim como também não estava em reunião importante na semana passada para decidir o que fazer em  relação às receitas bloqueadas.

Reunião conselho do Botafogo (Foto: Gustavo Rotstein)
A Sessão Solene! Cadê o Presidente?
O Presidente disse que não sabe até quando o clube resistirá nessa situação. Assumiu que a responsabilidade é dele e mesmo pressionado pra renunciar, afirmou que cumprirá seu mandato até o fim, em dezembro deste ano. Qual fim? Dele ou do clube? Ele deve ser punido, então? Quem o punirá? A Justiça? Os sócios do clube? Os jogadores? A torcida?

Pode ser que uma vitória no clássico contra o Fluminense, no próximo domingo, em Brasília alivie a situação do time mas não apagará esta sucessão de equívocos. E olha que o tricolor vem de vexame na Copa do Brasil.

O exemplo do Botafogo pode servir para qualquer outro grande clube no Brasil, cujas administrações sejam caracterizadas pelo mesmo amadorismo. Prefiro acreditar que Assumpção seja somente ruim. Muito ruim. Só isso. Embora não seja pouco!

Te cuida, Borer! O dentista é bom!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ECOS DO 7 x 1

Gilmar "Sports" Rinaldi anunciado como coordenador de seleções da CBF que, por sua vez, trouxe de volta Dunga, como técnico da seleção principal. O arrogante Gallo continua como técnico das seleções de base. Sequer classificou a seleção sub-20 para o Mundial da categoria, no ano passado. Bem verdade que venceu o Torneio de Toulon deste ano, mas a equipe sub-21 já empatou ontem em torneio na Espanha com o ... Catar!!!! Aliás, a seleção olímpica fará jogos nas mesmas datas que a principal, com certeza desfalcando sobretudo as equipes brasileiras nas competições nacionais, quando estes jogadores poderiam ser convocados pelo Dunga, conforme seu desempenho e oportunidade para teste. Não é tão difícil mas... Aaah! Só que quanto mais jogadores convocados, maior a quantidade deles na vitrine para o balcão de negociações!!! Agora fechou!

Ao anunciar o calendário para 2015, a CBF descumpriu promessa de pré-temporada de 30 dias e anuncia que estuda a possibilidade de rever a Lei Pelé, a que entre outras coisas, revogou a lei do passe, passando a tratar o jogador profissional como qualquer outro trabalhador, respeitando a Constituição e a CLT!

A Rede Globo, através do tricolor carioca Marcelo Pinto, diretor de esportes da emissora, bate o pé em remunerar Corinthians e Flamengo em 170 milhões de reais a partir de 2015 e muito menos para outros grandes do Brasil, sem nenhum critério razoável, começando o processo de "espanholização" do futebol brasileiro. Na Inglaterra, a TV paga uma quantia fixa para cada time (um terço da bolada), um segundo terço relativo à performance obtida no ano anterior e um último terço para a audiência que suas respectivas torcidas proporcionaram. Na Alemanha, o campeão do ano anterior leva sempre, no máximo, o dobro do que o último classificado vindo da série B. As verbas são proporcionais a estes extremos para remunerar do segundo ao penúltimo. Dois exemplos de justiça e bom senso.

Ao mesmo tempo, a Globo começa a "mexer seus pauzinhos" para ver se convence a CBF em voltar ao campeonato brasileiro com o "mata-mata", deixando vários times sem jogar por 1 ou 2 meses, comprometendo pagamentos, contratos de patrocínio, enfim, qualquer planejamento a médio ou longo prazos. A Globo não está nem aí se campeonatos com pontos corridos premiam a regularidade e a composição de bons elencos. E tão pouco liga para os argumentos de que o "mata-mata" já está presente na Copa do Brasil e que o mundo todo (com raras exceções) utiliza este sistema com comprovado sucesso há décadas.

A Rede Globo não pensa em mais nada que não seja audiência, principalmente após Andrés Sanchez, então presidente do Corinthians, "implodir" o Clube dos Treze, a pedido da própria, liberando renovação de contratos de transmissão individuais e não mais coletivos. No video abaixo, muito edificante, Sanchez chama o pessoal da Globo de "gangsters" mas ratifica sua amizade com eles e com Ricardo Teixeira! Uma candura!



Enquanto isso, o CRAC, de Goiás, anuncia sua retirada da série C por problemas financeiros. Os jogadores do Paraná Clube, na série B, estudam entrar em greve contra o atraso de salários, não entrando em campo na próxima rodada e há o caso do Botafogo, tema do próximo post.

Na gestão Patricia Amorim como presidente do Flamengo, o "Capitão" Leo, ex-chefe de torcida organizada, era presidente do conselho fiscal. Nesta semana, agrediu sócios no interior do clube mas o atual conselho não tomará nenhuma providência contra ele. A eleição no Vasco foi adiada devido aos tais sócios-fantasma com direito a voto, ressuscitados ou tratados como zumbis, desde Eurico Miranda. Algo semelhante ocorre no Santos. O que seria do Fluminense sem o patrocínio da Unimed? Alguns pequenos exemplos.

Ontem, o Brasil foi eliminado no Mundial Sub-20 Feminino, no Canadá. Perdemos por 5x1.

Adivinhem pra quem?