segunda-feira, 10 de março de 2025
O CAMAROTE
domingo, 9 de março de 2025
Os Doze de Uma Só: 4 - CARLITOS
Foi um dos grandes protagonistas do famoso time colorado que ganhou a alcunha de "Rolo Compressor" nos Anos 1940. Nena, Alpheu, Ávila, Ruy, Adãozinho e o fantástico Tesourinha. Esse time foi Hexacampeão Gaúcho de 1940 a 45, Bi em 47 e 48 e novamente em 50. Havia também o campeonato citadino de Porto Alegre em que o Rolo Compressor também foi Hexa de 1940 a 45, Bi em 47 e 48 e novamente Bi em 50 e 51. Carlitos foi o artilheiro do estado em 1939, 42, 47 e 48. Em 1939, o Inter derrotou o Sokol por incríveis 13x1; 7 de Carlitos! Fazia gols com chutes potentes e oportunismo na área. Acreditava em todos os lances! Driblador rápido e insinuante.
Em 1945, seu gol mais famoso! O gol do "Plano Inclinado"! Era um jogo contra o Cruzeiro de Porto Alegre, que vencia por 3x2, no antigo Estádio dos Eucaliptos. Tesourinha fez um lançamento alto para a área adversária. O zagueiro cortou mal, para trás, encobrindo seu goleiro. A bola sobraria limpa para Carlitos que acabou correndo mais que a bola que acabou subindo mais do que previu. Carlitos parou quase na linha do gol, viu a bola descer atrás de si e jogou seu corpo para trás, fazendo um movimento elástico impressionante. A bola bateu no seu rosto e morreu mansamente no fundo do gol! Épico! O jogo terminou empatado em 4x4 e o gol entrou para a História!
Ainda serviu a Seleção Gaúcha por 11 anos, entre 1939 e 50. Em 20 jogos, fez 17 gols! Os campeonatos brasileiros de seleções eram bem populares mas Carlitos não conquistou nenhum.
sábado, 8 de março de 2025
AS YANKEES JÁ CHEGARAM
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| Mia Hamm, a Pelé das Mulheres! |
quarta-feira, 5 de março de 2025
A PLACA DO GOL E OUTRAS HISTÓRIAS
segunda-feira, 3 de março de 2025
ORFEU É DO OSCAR! É DO CARNAVAL! É DO FUTEBOL!
Eu estou vibrando sim! Ganhar Oscar é importante para o desenvolvimento de nossa cultura!
Mas será que foi mesmo a primeira vez?
Resposta: depende do ponto-de-vista!
Oficialmente, o filme "Orfeu Negro" (ou "Orfeu do Carnaval") representou a França, do diretor Marcel Camus, na festa de entrega de 1960 do mais importante prêmio do cinema mundial. E ganhou como melhor filme estrangeiro.
Também ganhou na mesma categoria, o Globo de Ouro e a Palma de Ouro no Festival de Cannes!
Entretanto, todos os atores são... brasileiros, exceto a "mocinha", a estadunidense Marpessa Dawn! Falado em português e baseado em peça teatral de Vinicius de Moraes ("Orfeu da Conceição") que também assina a trilha sonora com Tom Jobim. A canção-tema, "Manhã de Carnaval", é uma obra-prima de Luiz Bonfá e Antonio Maria. E mais: o filme foi todo rodado no Rio de Janeiro e fundamental para a divulgação mundial de um novo estilo musical genuinamente brasileiro que surgia: a bossa nova!
Mas afinal, o que isso tem a ver com futebol?
O protagonista: Breno Mello! Esse aqui do cartaz oficial do filme!
Durante as gravações em 1959, Breno era jogador do Fluminense! Isso mesmo! Olha aí embaixo! Em pé; Clóvis, Edmilson, Castilho, Jair Marinho, Altair e Pinheiro. Agachados; Telê Santana, Paulinho Omena, Waldo, Breno e Escurinho!
Gaúcho de Porte Alegre, nascido em 1931, começou a jogar no São José, o popular "Zequinha". Era meia-direita ou esquerda! Chamou a atenção pela habilidade e como bom finalizador. Acabou contratado pelo extinto Renner, onde foi destaque nos títulos estadual gaúcho e citadino da capital, ambos em 1954, acabando com a hegemonia da dupla Gre-Nal! Deu zebra! Aqui abaixo, é o segundo agachado da esquerda para a direita. Vale destacar também, o segundo agachado da direita para esquerda: Ênio Andrade, que depois se notabilizou como técnico campeão brasileiro pelo Inter, Grêmio e Coritiba!Em 1957, teve passagem rápida pelo Corinthians e depois pelo Santos, quando atuou no último jogo de Pelé como amador. O Peixe venceu o Rio Branco de Paranaguá-PR, fora de casa, por 3x2 e Breno fez um dos gols.Chegou ao Fluminense em 1958. Não era titular absoluto, revezava como meia com Maurinho. Em 1959, foi titular no Torneio Rio-SP, da foto acima. Estava inscrito para disputar o Campeonato Carioca na sequência mas...
O diretor Camus procurava um ator brasileiro para o papel principal do Orfeu. Breno foi descoberto jogando uma "pelada" na praia de Copacabana e após um jogo do Fluminense, foi abordado pelo advogado do diretor, Jose Leventhal, quando chegava em casa. Ele se encaixava perfeitamente nos perfis físico e étnico desejados. Venceu cerca de 300 candidatos, sem nunca ter tido qualquer experiência em cinema e, claro, decidiu pendurar as chuteiras aos 28 anos!
Aqui com o Presidente JK, Marpessa e Vinicius de Moraes, de óculos escuros!Depois do Orfeu, Breno ainda fez mais alguns filmes, o mais famoso, "Negrinho do Pastoreio", de 1973, quando contracenou com Grande Otelo.Ao abandonar as telas após seu último filme em 1988, viveu humildemente em Florianópolis, Novo Hamburgo e Porto Alegre, onde faleceu, vítima de infarto em 2008, deixando 5 filhos, 12 netos e 5 bisnetos.
Então...
Ganhamos um Oscar ou não?
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Os Doze de Uma Só: 3 - KAFUNGA
Nome: OTÁVIO LEITE BASTOS
Apelido ou mais conhecido como: KAFUNGA
Nascimento: 07/08/1914 - Niterói RJ
Falecimento: 17/11/1991 - Belo Horizonte MG
Uma Só Camisa: ATLÉTICO MG
Período: 1935 a 1954 - 19 anos
Posição: Goleiro
335 (ou 504) jogos: 208 vitórias (ou mais), 48 empates (ou mais)
Seleção Brasileira: Não (ou quase).
"Todos estavam na mesma emoção. É indescritível, mesmo depois de tantos anos. Eu sempre fui muito orgulhosa do meu avô. Todo mundo gostava muito dele no futebol e na TV. Foi uma honra muito grande eles reconhecerem isso, em nome do Atlético e do time de 1937. É muito gratificante ver as famílias de todos. Tinha pessoas chorando também. Pensei que os campeões estavam de fato entre nós!"
Depoimento de Marcia Bastos, neta de Kafunga, em evento na nova arena MRV, em setembro de 2023, para celebrar a oficialização, pela CBF, do Torneio dos Campeões de 1937, vencido pelo Atlético, como um campeonato brasileiro.
Neste ano, Kafunga, aos 23 anos incompletos, já era titular absoluto no gol do Galo. O Torneio também contou com Fluminense, Portuguesa-SP e Rio Branco de Vitória-ES, que havia eliminado o Fluminense de Niterói e a Liga da Marinha. Quatro campeões regionais de 1936 fizeram, então, a fase final e se enfrentaram em turno e returno. Com 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota, os mineiros saíram campeões.
Nascido na antiga capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, Niterói, Kafunga chamou atenção de olheiros de Minas ao se destacar em torneios amadores de sua cidade natal. O jovem Otávio já possuía seu famoso apelido, dado por seu avô, em referência à largura de suas narinas.
Kafunga não detinha grande técnica mas era arrojado, corajoso, ágil e de grande impulsão! Fez defesas surpreendentes e muitas mirabolantes como uma de "bicicleta" contra a Ponte Preta! Com muito carisma, desenvolveu grande amor ao clube, conquistando a torcida com declarações apaixonadas!
O Atlético foi um dos primeiros times brasileiros a excursionar pela Europa. O primeiro de Minas Gerais. Em 1950. Mesmo com a derrota na Copa de Mundo deste ano, o futebol brasileiro alcançou grande prestígio por lá. O Galo teve excelente retrospecto jogando na França, Alemanha, Áustria, Bélgica e Luxemburgo, enfrentando equipes tradicionais destes países, fechando com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Kafunga, aos 36 anos, foi o grande destaque. Como os jogos aconteceram em novembro e dezembro, inverno europeu, e a campanha foi vitoriosa, imprensa mineira criou logo o slogan de "Campeão do Gelo"! A volta dos atleticanos foi uma grande festa, com desfile em carro aberto por Belo Horizonte!
Levado para política por Juscelino Kubistchek, Kafunga incorporou seu apelido ao nome de batismo e foi eleito vereador em Belo Horizonte, sem precisar fazer qualquer campanha. A torcida o elegeu! Depois, trabalhou em vários cargos na prefeitura e no próprio clube.
Seu sucesso foi realmente estrondoso como comentarista de futebol. Nas rádios, jornais, televisão! Recordes de audiência. Não tanto para a torcida do Cruzeiro... rsrsrs. Ao contrário de Preguinho, como vc leu aqui, Kafunga não tinha a menor cerimônia em enaltecer o Galo em detrimento de seus rivais. Ao mesmo tempo, criou bordões inesquecíveis, engraçados, que são lembrados e usados até hoje:
- Jogador deu uma "despingolada": saiu rapidamente!
- O "lesco-lesco" do time foi irritante: falta de vontade de jogar!
- Jogador "destramelado": fala muito e joga pouco!
- "Vapt-vupt": rapidinho! (Alô Prof. Raimundo!)
- Não tem "coré-coré"! Gol "Barra Limpa"!: Gol Legal!
Passou tanto tempo no ambiente esportivo dos mineiros que Kafunga foi incorporado àquela expressão que se diz quando se quer qualificar algo ou alguém muito antigo: "Uai, sô! Esse trem é de mil novecentos e Kafunga!"
Ídolo!
Não teve Tutu, nem couve! Mas será que no próximo haverá chimarrão e churrasco?



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