quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

TEM BARBA, CABELO E BIGODE BRANCOS E NÃO É O PAPAI NOEL (MAS É COMO SE FOSSE)

O meio-campista Afonsinho é um autêntico Papai Noel!

Ele trouxe o maior presente que todo jogador brasileiro sempre sonhou em receber, desde a profissionalização do futebol em meados dos anos 1930.

O passe livre!

E fez isso vinte e quatro anos antes da Lei Bosman e mais três antes da Lei Pelé no Brasil!

Afonsinho nasceu em Marília, interior de São Paulo, e foi contratado pelo Botafogo em 1966, revelado pelo XV de Jaú. Tinha um estilo clássico no meio de campo: ótima visão de jogo, toque de bola diferenciado, habilidoso e preciso lançador! Craque de bola!

Bom Moço?

1969: Moreira, Cao, Chiquinho, Moisés, Valtencir e Carlos Roberto. Rogério, Afonsinho, Ferreti, Jairzinho e Paulo Cézar.

De boa formação acadêmica, iniciou faculdade de Medicina no Rio, ao mesmo tempo em que cumpria os treinos em seu novo clube. Só que sua militância em movimentos estudantis começou a chamar a atenção do regime militar, então imposto em 1964, que o monitorava. Muitas de suas declarações não foram muito bem apreciadas dentro do próprio Botafogo. Aliás, todos os clubes possuíam profissionais oriundos das Forças Armadas: treinadores, preparadores físicos, médicos, enfermeiros, etc. E isso não foi coincidência.

Como tentativa de reduzir tais efeitos, por mais de uma vez, acabou emprestado ao pequeno Olaria com menos badalação e, claro, menos risco. Entretanto, quando voltou ao Botafogo, pela última vez em 1970, tinha um visual diferente: barba, cabelo e bigode enormes! Parecia um "guerrilheiro"!

Menos risco...

Guerrilheiro?
Seu treinador, o agora tricampeão mundial Zagallo, exigiu "cara limpa"! Um diretor de futebol do clube chegou a lhe dizer que parecia um cantor de iêiêiê, em clara referência aos Beatles que se separaram exatamente neste ano! Afonsinho não respeitou a ordem e foi suspenso internamente.

Tentou de tudo para ser negociado e o Botafogo jamais o liberou. São Paulo, Santos, Atlético-MG e Cruzeiro fizeram propostas. Importante ressaltar que, mesmo com contrato vencido, os clubes não eram obrigados a negociar qualquer jogador. Era a Lei do Passe.

Afonsinho reuniu os advogados Rui Piva e Raphael de Almeida Magalhães e foi ao STJD buscar seus direitos! Inovou, arriscou, suou e venceu. Em março de 1971, foi o primeiro jogador de futebol a ter o passe livre no Brasil. Fim da escravidão!

Deu seguimento à carreira, jogando no Vasco, Santos (com Pelé), Flamengo e América-MG. Após alguns anos de pausa para concluir a graduação e especialização em Medicina, encerrou a carreira no Fluminense aos 34 anos, em 1981. Já como médico, trabalhou no Instituto Pinel em Botafogo e em vários projetos sociais. Fixou residência na Ilha de Paquetá (onde mora até hoje), criou o time amador do Trem da Alegria, onde convoca ex-jogadores, jornalistas e amigos para promover eventos beneficentes.

1972: Cejas, Orlando Lelé, Oberdan, Paulo, Clodoaldo e Zé Carlos. Edu, Afonsinho, Alcindo, Pelé e Ferreira.
A trajetória de Afonsinho está muito bem contada no ótimo documentário de Lucio Branco e de nome óbvio: "Barba, Cabelo e Bigode" (2016). Seus companheiros de Botafogo, Paulo Cézar Caju e Nei Conceição, também estão inseridos ali. Imperdível!

Ontem, mais um célebre episódio do "Museu da Pelada", do grande Sérgio Pugliese, reuniu ex-jogadores no tradicional ponto de encontro do Leblon, no Rio, o Bar Bigorrilho (onde eu lancei a Trilogia Futebol em Milhares de Palavras), do botafoguense Rômulo que promete novidades. A conferir!

Quem estava? Ele mesmo: Afonsinho! Em resenha com seus contemporâneos Nei Conceição, Carlos Roberto e Moreira, além dos tricolores Pintinho (Rei de Sevilha) e o goleiro Nielsen.

Uma oportunidade única para ofertar minha trilogia e tirar uma foto com um dos grandes personagens do futebol brasileiro.

Um blog sobre futebol! No Natal! Com o "Papai Noel" dos jogadores brasileiros!

Feliz Natal e um ano novo realmente novo!

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