segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Os Doze de Uma Só: 2 - JUNQUEIRA



NOME: JOSÉ JUNQUEIRA DE OLIVEIRA
Apelido ou mais conhecido como: JUNQUEIRA
Nascimento: 26/02/1910 - Vargem Grande do Sul SP
Falecimento: 25/02/1985 - São Paulo SP
Uma Só Camisa: PALMEIRAS (Palestra Itália) SP
Período: 1931 a 1945 - 14 anos
Posição: Zagueiro Central (destro)
337 jogos: 211 vitórias, 73 empates
Gols: 0
Seleção Brasileira: 1 jogo - 0V 1E 0D

"Sempre fui cobiçado por vários clubes paulistas, cariocas e até argentinos mas nunca deixei o meu Palmeiras pois me ufano em poder envergar sua gloriosa camiseta esmeraldina. Lá em casa, todos são alviverdes e, se um dia eu sair daqui, pobre de mim, dormiria ao relento. Aqui iniciei, aqui fiquei reconhecido e famoso, salvo a modéstia. Meu ideal de vida, desde 1931, foi lutar, defender o Palmeiras até minhas forças permitirem. E aqui encerrarei minha carreira que alguns, bondosamente, qualificam de gloriosa."

Depoimento de Junqueira, em 1943, à revista oficial do Verdão!

Os primeiros versos do hino da Sociedade Esportiva Palmeiras nos dizem que "Quando surge o alviverde imponente, no gramado que a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente." E o refrão começa com "Defesa que ninguém passa."
Foi composto pelo maestro ítalo-brasileiro Antonio Sergi, o "Totó", muito popular no rádio, em 1949. Sem dúvida, deve ter se inspirado no seu zagueiro capitão do time, forte, alto, corajoso, técnico, recordista de títulos do campeonato paulista até hoje (7) e o primeiro a possuir busto no Parque Antártica, ainda como jogador, em 1943! Uma lenda eternamente viva!


Nascido na pequena Vargem Grande do Sul, quase na fronteira com a mineira Poços de Caldas, morava em Jacarezinho, Paraná, quando foi descoberto por Ernesto Giuliano, um dos fundadores do então Palestra Itália em 1914. Junqueira tinha 19 anos e começava aí sua história de pioneirismo no futebol paulista. Também teve convite do São Paulo mas permaneceu leal a quem chegou primeiro.

Conquistou o primeiro de seus títulos paulistas, ainda no Palestra Itália, em 1932, ano da Revolução Constitucionalista de São Paulo. O 9 de Julho é feriado estadual até hoje e não foi fácil para que as equipes paulistas mantivessem seus jogadores focados, somente treinando, enquanto um conflito armado acontecia. Muitos desistiram. Junqueira, mesmo com somente 22 anos, foi peça fundamental para que o Palestra não sofresse tanto com tais perdas, com o agravante de ser um período de transição do amadorismo para o profissionalismo, desejado pela maioria que, pela demora na definição, preferiu buscar outros mercados como Argentina, Uruguai e a própria Itália. Sua liderança e seriedade ecoou por todo o time. Influenciou a quase todos, clamando pelo amor ao clube e ajudando, assim, a reformular um elenco que venceria mais 4 Paulistas em 6 anos com grandes exibições e direito a uma histórica goleada de 8x0 sobre o arquirrival Corinthians! Era complicado passar por uma defesa comandada por ele e seu fiel colega de zaga, Carnera!


Continuando seu pioneirismo, estava em campo pelo Palestra na inauguração de dois estádios icônicos: o seu Parque Antártica, em 13 de agosto de 1933, quando venceu o Bangu pelo Torneio Rio-SP (do qual seria campeão) por 6x0, e no histórico 27 de abril de 1940, inauguração do Estádio do Pacaembu. Liderou seus colegas na primeira partida do mítico palco paulista, derrotando o Coritiba por 6x2, já com novo companheiro de zaga: Begliomini. Também no Pacaembu, Junqueira foi protagonista de um lance plástico, em 1942, na chamada Arrancada Histórica do título paulista. O Dérbi contra o Corinthians seguia disputado em 1x1. Em contra-ataque, no fim do jogo, atacante mosqueteiro entrou sozinho, encobriu o goleiro Oberdan e a bola morreria dentro do gol palestrino. Com velocidade impressionante, Junqueira conseguiu chegar no lance e como último recurso, deu uma "bicicleta" espetacular para evitar o gol e a consequente derrota! Está fotografado aqui embaixo!


O ano de 1942 também é histórico para o clube. Em plena Segunda Guerra Mundial, não poderia mais haver o "Itália", país inimigo, em seu nome. A troca do nome para "Palmeiras" não foi suficiente para que provocações deixassem de ser frequentemente dirigidas não somente aos torcedores e jogadores alviverdes mas a toda a imensa colônia italiana em São Paulo. Tempos difíceis.

A decisão do campeonato deste ano foi contra o São Paulo, justamente o clube que os torcedores mais provocavam, por conta do agora extinto "Itália". "Não são brasileiros". "Inimigos da liberdade". "Vamos lhes dar uma lição". Os próprios dirigentes sampaulinos promoveram um foguetório inexplicável na concentração alviverde. O Capitão Junqueira e o goleiro Oberdan entraram no gramado no Pacaembu, liderando os jogadores do Palmeiras que carregavam uma enorme bandeira do Brasil! O Alviverde surgiu imponente. A luta o aguardava. Versos do hino em prática. Os comandados de Junqueira já venciam por 3x1, no fim do jogo, quando um pênalti a seu favor foi assinalado. Poderia ter sido um clássico resultado de 4x1 se o São Paulo não tivesse abandonado o campo em protesto contra a marcação! O Palmeiras se vingava e Junqueira levantava mais uma taça! Essa, por demais, histórica!


Foi convocado uma única vez para a Seleção Brasileira, em 1940. Foi para Copa Rocca, aquela jogada contra a Argentina. Os 2 jogos ocorreram no Parque Antártica. O primeiro terminou empatado em 2x2, com Junqueira titular. Para o segundo, o veterano técnico do Brasil, Silvio Lagreca, mesmo paulista, cedeu às pressões da imprensa carioca para escalar o vascaíno Florindo no lugar de Junqueira. Os argentinos "passearam": 3x0! Coincidência... rsrsrs!



Após sua última partida pelo Palmeiras, um 3x3 contra o Corinthians, em 1945, Junqueira aceitou ser auxiliar técnico do célebre Osvaldo Brandão e levantou o caneco do Torneio Início de São Paulo, de 1946.

Jamais deixou de frequentar o clube até seu falecimento, aos 75 anos!


Ainda parafraseando seu hino, Junqueira transformou sua lealdade em padrão!
Mostrou que, de fato, sempre foi campeão!

E jamais dormiu ao relento...

Gostando da série?

Continuando a viagem... Oh Minas Gerais! Quem te conhece não esquece jamais...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

O NATURAL, O SINTÉTICO E O QUE REALMENTE INTERESSA



A discussão do momento no futebol brasileiro é sobre os gramados dos estádios.

Natural? Sintético? Híbrido?

É compreensível que a maioria entenda bem o conceito por trás dos dois primeiros mas não pelo híbrido que, ao contrário do que possa parecer, não é uma simples mistura de natural com sintético.

Consiste numa espécie de preparação do terreno arenoso com fibras sintéticas para "amarrar" os fios naturais de grama que virão a seguir, garantindo nivelamento do solo e consequente boa irrigação. Sem entrar muitos nos detalhes técnicos de como isso é feito, o fato é que, uma vez pronto, a bola rola apenas sobre grama natural.

A polêmica reuniu declarações de jogadores já veteranos, ainda em atividade, com larga carreira pela Europa que voltaram ao Brasil como Neymar, Thiago Silva e Lucas Moura. Todos sabem que por aqui o Allianz Park, o Engenhão (desculpe, Nilton Santos), Arena da Baixada e agora a MRV Arena são estádios com 100% de grama sintética. Lógico que o jogo fica diferente mas, sinceramente, não creio que isso seja um fator preponderante para definir que o time que joga ali tenha mais chance de ser campeão pois estaria mais bem condicionado.

Outro argumento cita a possibilidade do maior risco de lesão a uma prática esportiva de alto impacto e de contato físico. Nem quero entrar nesse mérito, embora até concorde, mas para conquistar títulos, qualquer time precisa muito mais do que um "fator campo". Precisa de jogadores. Daqueles bons! Ou muito bons! Ou ótimos (cada vez mais raros)!

Os campeonatos de maior prestígio da Europa são extremamente restritivos aos gramados sintéticos. Nem é necessário ir muito longe. Aqui ao lado na Argentina, também. Há ligas como a neerlandesa (dos Países Baixos) por exemplo, que subsidiam a manutenção de gramados naturais, bem mais complexa em regiões de inverno rigoroso. É um investimento feito tanto pela EreDivisie (a Liga dos Países Baixos) como pelo poder público local.

Já se sabe há algum tempo que a FIFA não proíbe campos sintéticos mas tem rígidos critérios técnicos para sua aprovação. Jogos de Copa do Mundo, UEFA Champions e até de Copa América são predominantemente realizados em gramados naturais.

O técnico português Abel Ferreira, supercampeão no Palmeiras, onde está há inimagináveis 5 anos, deu uma declaração de defesa do sintético, atacando os inúmeros gramados naturais brasileiros, péssimos em sua concepção original e sem manutenção adequada que também prejudicam o espetáculo, deixando jogadores expostos às mesmas lesões. Certíssimo. E é assim há muito tempo.

O Maracanã iniciou o ano de 2025 com gramado híbrido. Estudos apontam que, com grama natural, qualquer campo suporta cerca de 55 jogos por ano, sem prejuízo de qualidade e manutenções regulares bem executadas. O estádio dividido pela dupla Fla-Flu recebe cerca de 70 a 75 jogos no mesmo período. Estádios com grama natural e mando de campo de um único clube, como Morumbi e Itaquera, recebem de 30 a 35 jogos. A diferença é grande.

De qualquer maneira, a discussão é válida. Entretanto, pergunto: É prioridade no futebol brasileiro?

Que tal se a maioria dos jogadores não se juntassem a Neymar, Thiago Silva e Lucas Moura em torno de outras questões como, por exemplo, o nosso calendário, inchado com os decrépitos campeonatos estaduais que fazem aumentar a quantidade de jogos em gramados naturais ou sintéticos. Ou ainda o sistema de eleição da presidência da CBF. Também poderiam discutir sobre a profissionalização da arbitragem, a transparência e melhores critérios de decisão das equipes do VAR.

Mas então, passo a defender os jogadores: será que eles podem fomentar essas questões?

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Os Doze de Uma Só: 1 - PREGUINHO


Nome: JOÃO COELHO NETTO
Apelido ou Mais Conhecido como: PREGUINHO
Nascimento: 08/02/1905 - Rio de Janeiro RJ
Falecimento: 01/10/1979 - Rio de Janeiro RJ
Uma Só Camisa: FLUMINENSE RJ
Período: 1925 a 1939 - 14 anos
Posição: Meia-esquerda (canhoto)
175 jogos: 97 vitórias, 27 empates
Gols: 132
Seleção Brasileira: 5 jogos - 4V 0E 1D - 9 gols - Copa do Mundo 1930

"Eu nem sabia falar direito e o Fluminense já estava em minha alma, em meu coração e em meu corpo."

Trecho do discurso proferido por Preguinho, em 1952, ano do cinquentenário do Fluminense, ao receber o título de Grande Benemérito Atleta, que está na placa explicativa logo abaixo de seu busto, exposto na sede do clube. Mesmo antes de nascer, João era sócio do clube.



Preguinho foi muito mais do que um jogador de futebol, embora tenha sido assim que se notabilizou. Na verdade, disputou nada mais, nada menos do que dez modalidades esportivas diferentes, sempre representando o Fluminense: futebol, natação, polo aquático, saltos ornamentais, atletismo, vôlei e basquete, onde é, até hoje, o maior "cestinha" da História do clube. Ainda praticou remo pelo Clube Guanabara, pois o Fluminense nunca disputou tal esporte. Em todas essas, Preguinho conquistou títulos. Participou também de competições oficiais de hóquei sobre patins e tênis de mesa, desta feita, sem conquistas. No total, foram 55 títulos e 387 medalhas. Um dos maiores atletas brasileiros de todos os tempos!

João era filho do maranhense Henrique Coelho Netto, escritor, cronista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, detentor da cadeira no. 2. Foi um dos primeiros a escrever sobre futebol em jornais e periódicos. Apaixonado pelo Fluminense, chegou a invadir o antigo Campo da Rua Guanabara (atual estádio de Laranjeiras), para dar uma "bengalada" no árbitro que inventara um segundo pênalti contra seu time num Fla-Flu! A confusão foi generalizada, o jogo suspenso, marcado para nova data e vencido pelo Fluminense! Quando Preguinho alçou fama, Henrique repetia a todos que "Já escrevi mais de 100 livros e ainda sou apontado na rua como o pai do Preguinho".

A família ainda teve Emanuel, o Mano, irmão mais velho de João, que também jogou no Fluminense e teve fim trágico mas heroico. Em 1922, Fluminense vencia o São Cristóvão por 2x1, em Laranjeiras. Mano se lesionou com uma pancada fortíssima no estômago. Jogo era dificílimo, mesmo com dores, aguentou até o final e ajudou o Flu a segurar o resultado. Entretanto, não suportou uma hemorragia interna generalizada e faleceu. Moravam na antiga Rua do Roso, bem próxima da sede do clube. Hoje, essa rua se chama... Coelho Netto!

Preguinho estreou no Fluminense no Torneio Início do Rio de Janeiro de 1925, disputado em Laranjeiras. E teve emoção! Havia expectativa sobre o segundo filho de Henrique Coelho Netto e o Fluminense já havia vencido o Sirio Lybanez e o Sport Club Brasil. Final seria contra o sempre temido São Cristóvão (que seria o campeão carioca no ano seguinte) e nada de Preguinho aparecer!

Momentos antes da Final, Preguinho chegou todo molhado. Roupa de banho. De táxi. Vinha da Enseada de Botafogo, a quase dois quilômetros dali, onde havia conquistado a medalha de ouro para o Fluminense dos 600 metros de nado livre no mar! Secou-se, vestiu o uniforme do futebol e foi campeão do Torneio Início na vitória por 1x0. Dois títulos no mesmo dia! Que momento!

A partir de então, os torcedores tricolores se maravilharam com a desenvoltura, a habilidade, a velocidade, os potentes chutes de canhota e gols, muitos gols! O maior artilheiro do Estádio de Laranjeiras com 79! O primeiro a marcar com chute do meio do campo, contra o Botafogo, em 1930. O respeito e admiração chegaram com naturalidade. A liderança e comportamento exemplar o fizeram capitão do time e porta-voz na defesa do amadorismo contra o profissionalismo! Na virada para a década de 1930, essa discussão rendeu embates calorosos e prejudicou demais o futebol brasileiro.

Então, chegou a Copa do Mundo de 1930, no Uruguai. A briga era entre a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) que era encabeçada pelos cariocas, defensores do amadorismo, e a Associação Paulista de Desportos Atléticos, já profissionais. Ou seja, os paulistas recusaram a convocação para a Copa e nomes como Friendenreich, Feitiço e Amílcar desfalcaram o Brasil, embora Araken Patuska, do Santos, tenha aceitado jogar.

Coube, então, a Preguinho a liderança e a faixa de primeiro capitão da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo. É o segundo agachado da direita para a esquerda.



Aqui abaixo, foto oficial dos capitães de Brasil e Iugoslávia, no Estádio Gran Parque Central, do Nacional, em Montevidéu. Repare que Preguinho presenteou o árbitro peruano Aníbal Tejeda (no centro) e um dos auxiliares com um paletó do Fluminense! Eles não atuaram com o paletó, claro, rsrsrs, mas fizeram questão de sair na foto! Tempos românticos da FIFA!



O Brasil perdeu por 2x1, mas Preguinho marcou o primeiro gol brasileiro na História das Copas do Mundo. No jogo seguinte, marcou mais 2 na goleada por 4x0 sobre a Bolívia. Como a Iugoslávia também derrotou os bolivianos, se classificou para as semifinais. Eram os 3 no grupo! Abaixo, Preguinho disputa com o goleiro iugoslavo!


A discussão sobre o profissionalismo no futebol brasileiro se acirrou ainda mais e quando foi oficialmente instituído no Rio de Janeiro em 1933, Preguinho decidiu não mais atuar na equipe principal do Fluminense. Não admitia receber dinheiro para defender o clube que tanto amava. Havia um campeonato de segundas equipes, os chamados Quadros B, todos amadores. Preguinho continuou a jogar nesse time, sendo campeão e artilheiro em praticamente todos os anos até sua aposentadoria aos 34 anos.

Ao longo do tempo, recebeu várias propostas para escrever e atuar como comentarista de futebol em jornais e rádios. Recusou a todas pois, sincero, afirmava que jamais falaria mal do Fluminense mesmo que em determinado momento isso fosse verdade! Preferiu seguir no clube, como diretor e conselheiro. Era figurinha fácil na política interna. Todos os candidatos à Presidência buscavam seu apoio.

Quando Rivellino estreou no Fluminense, naquele sábado de carnaval, era seu aniversário de 70 anos e o jogo contra o Corinthians valeu a Taça Preguinho. Ele mesmo a entregou ao Riva!

A vida de Preguinho virou o excelente livro "Preguinho: Confissões de um Gigante"! Recomendo.


Por enquanto, livro! Mas valia a pena, um filme! 


Alô São Paulo! O segundo de uma só está chegando...

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

UMA NOVA SÉRIE: OS DOZE DE UMA SÓ!

Vivemos um tempo no futebol em que os jogadores não estão mais sozinhos nas suas carreiras. E isso independe de serem craques, muito menos se os craques não são tão craques ou se se transformaram em algo superior, pelo menos a si próprios: celebridades!

Falo do chamado staff, composto primariamente por empresário (ou empresa específica para tal), personal trainer, nutricionista, fisiologista, assistente administrativo/financeiro, assessoria de imprensa, gestão de redes sociais. Renovar contratos ou acertar transferências abrange o pagamento dessa galera. É isso mesmo! Não estranhe pois a carreira do jogador se converteu em uma pequena empresa e em muitos, muitos casos, nem tão pequena assim.

Essa transformação começou a se acelerar e tomar conta de todo o universo do futebol com a denominada Lei Bosman, de dezembro de 1995. O jogador belga Jean Marc Bosman teve seu contrato encerrado com o RFC Liége. Teve proposta para jogar no francês Dunkerque mas como o RFC detinha seu passe, não o liberou para se transferir. Após 5 anos de batalha judicial, conseguiu uma vitória no Tribunal de Justiça da União Europeia, baseada na então nova jurisdição de livre trânsito entre cidadãos europeus. Jogadores de futebol passaram a ser enquadrados na mesma categoria de trabalhadores comunitários no continente. Ao final de cada contrato, jogador passou a ter plena liberdade para transferência e ainda podendo assinar um pré-contrato em no máximo seis meses, com outro clube, antes do atual terminar. 

Jean Marc Bosman
Isso explica, em boa parte, o abismo técnico e financeiro que a Europa exibe atualmente sobre qualquer futebol em outro continente. Sob um olhar positivo, a Lei Bosman foi amplamente copiada por todo o mundo. Foi uma legítima e necessária abolição da escravidão do jogador em relação ao clube.

Já sobre um ponto-de-vista negativo, ficou mais difícil, quase impossível, ao longo desses últimos trinta anos, que um jogador criasse um vínculo, uma identificação genuína com qualquer clube e, por consequência, com sua torcida. Transferências passaram a ser bem rentáveis, distribuindo comissões. Uma festa!

A nova série OS DOZE DE UMA SÓ vai tratar exatamente do contrário. Você vai conhecer quem são os 12 jogadores brasileiros que vestiram apenas uma camisa de clube por toda a carreira. Saberá sobre seus números, conquistas, dramas, curiosidades, se jogaram na seleção brasileira e o que fizeram com a camisa amarela.

Você já deve ter percebido que a maioria jogou antes de 1995, certo?


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

CONTRASTES

Anteontem, 8 de fevereiro, é uma data bem marcante para o futebol brasileiro!

Dois eventos importantes!

1975.

Roberto Rivellino estreava pelo Fluminense em amistoso contra seu ex-time, o Corinthians, no Maracanã. O jogo valia muito para o presidente tricolor recém empossado, Francisco Horta. Ele precisava pagar pela maior contratação da História do futebol brasileiro até então! O mandatário corintiano, o folclórico Vicente Matheus, confiou que Horta colocaria fundos no cheque que havia recebido dias antes.

Eu diria que Horta inventou o cheque pré-datado, muito utilizado uns dez ou quinze anos depois, quando o Brasil entrou no ciclo vicioso da inflação! Um visionário!

Era tarde de um sábado de carnaval. Como levar o torcedor tricolor ao Maracanã? Horta apelou para um ilustre: Mestre Cartola! Angenor de Oliveira (seu nome de batismo) não titubeou! Aceitou o desafio e colocou a bateria da Mangueira na arquibancada. Mais de 40 mil tricolores compareceram à convocação! O cheque, então, finalmente tinha fundos!

Rivellino, o maior ídolo da história do clube paulista, foi injustamente considerado culpado por imprensa e torcedores do seu próprio time pela perda do título paulista do ano anterior, fazendo com que o Corinthians aumentasse para 20 anos seu jejum de conquistas! Rivellino foi destaque na Copa de 74, jogou muito, além de artilheiro da seleção com 3 gols. A pergunta é: Como ele, Zé Maria e outros jogadores medianos poderiam ganhar do Palmeiras de Ademir da Guia, Dudu, Luis Pereira, Alfredo Mostarda, Leivinha, Edu Bala, Nei...? Não havia mais clima para ele no Parque São Jorge! Ainda bem... rsrs!

Eu estava lá. Tinha 7 anos! Acompanhei a Copa de 74. Fiquei maravilhado com o futebol de Rivellino. Meu primo mais velho, botafoguense, fazia pressão para me levar! Mas nesse sábado de carnaval, meu pai, tricolor, me reservou a surpresa. Quando vi o Riva com a 10 tricolor, fazendo 3 na goleada por 4x1, não tive mais dúvida! Era o início da Máquina Tricolor!

 


2019.

Não me alongarei muito por aqui. Sinto náuseas!

Nem entrarei no fato de que somente na semana passada, a última das dez famílias dos meninos acertou sua indenização com o clube, seis anos depois. Se os valores estão altos, baixos, justos, injustos, não me cabe opinar. Não perdi um filho de 15 anos em tragédia como essa. Não tenho ideia de como seja levar a vida após isso.

O que me interessa, e creio que para qualquer cidadão de bom senso, é que até hoje, em um homicídio culposo (aquele em que não há dolo mas ainda um homicídio), não houve alguém indiciado, julgado e condenado. Por quê?

E não há previsão para tal!

Uma vergonha ultrajante e asquerosa.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

UMA CRUEL COMPARAÇÃO

O genial baixinho Romário (senador também) acabou de se lançar no You Tube, com seu canal: Romário TV. E já começou de maneira bombástica. Seu primeiro entrevistado foi ninguém menos que Neymar!

Nos últimos 18 meses, Neymar atuou em somente 7 jogos pelo Al-Hilal (e marcou somente 1 gol), para onde se transferiu por um valor que a quantidade de dígitos talvez não caiba neste singelo artigo. Desavenças com treinador (o português Jorge Jesus), lesões, cirurgia, fisioterapias, desavenças com treinador, lesões, fisioterapias! Outras coisas que também se repetiram foram festas, eventos, celebrações, festas, eventos, celebrações, sempre, claro, bem longe da Arábia Saudita! Muito próximo de rescindir seu contrato por lá, está praticamente acertado com o Seu Santos, em um contrato curto, seis meses, para readquirir ritmo de jogo e condição física. No próximo 5 de fevereiro, completará 33 anos e ainda pensa em jogar competitivamente pela Europa e disputar sua última Copa do Mundo no ano que vem. Não se espante com o S maiúsculo que usei no Seu Santos! Há rumores de que pode comprar a SAF do clube! A conferir.

Voltando à Romário TV. O bate-papo ia bem e o baixinho fez uma pergunta fatal. Falando sobre a seleção do Penta de 2002, Romário perguntou se Neymar tinha lugar naquele time e quem dos 3 Rs sairia para ele jogar: Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho ou Rivaldo.

Resposta foi imediata: Rivaldo!

Após a divulgação do vídeo, rebuliço na imprensa e redes sociais! Se a resposta foi combinada, não sabemos. Parece que não mas a repercussão foi óbvia e chegou até o citado!

Rivaldo não perdeu tempo: "Sinceramente reconheço o talento e a qualidade dele, e até acredito que teria condições de estar naquela seleção. Mas jogar no meu lugar seria outra história".

Além de 2002, Rivaldo esteve em 1998, vestindo a camisa 10. Marcou 3 gols em 7 jogos, foi protagonista para que o Brasil chegasse à Final! Um ano antes e após brilhar no Deportivo La Coruña, transferiu-se para o poderoso Barcelona, onde fez grandes jogos, muitos anotando golaços de voleio e de “bicicleta” e conquistando títulos! Em 1999, foi eleito melhor jogador do mundo pela FIFA, pelas revistas World Soccer, Balon d’Or e Onze d’Or. Mesmo após os 30 anos, conquistou mais títulos importantes no Milan e na Grécia e Turquia, onde fez muitos gols.

De volta a 2002, novamente protagonista com a 10, 5 gols nos 7 jogos do Penta, onde destaco aquele marcado contra a Bélgica nas Oitavas (quando o Brasil foi ajudado pela arbitragem) e contra a Inglaterra nas Quartas!

Nas duas Copas que disputou, foi indicado para a seleção de ambas, pela FIFA e pelos jornalistas. De origem humilde no Santa Cruz de Recife, jamais se deixou levar pelo sucesso, que o acompanhou em dois gigantes brasileiros, antes ir para a Europa: Corinthians e Palmeiras. Sempre foi profissional dedicado, sério, comprometido. E de grande talento na perna esquerda!

Ao tomar conhecimento da resposta de Rivaldo, Neymar tentou colocar panos quentes: “Todos os jogadores que disputaram Copa, se dedicaram e focaram 100%. Uns conseguiram o objetivo final, outros infelizmente não, e faz parte do futebol".

Contudo, continuou com ironia: "Sempre te respeitei e jamais vou tirar o mérito de quem você é pro futebol brasileiro. Foi apenas uma escolha entre os três. Você não quer que eu tire Ronaldo e Ronaldinho, né? ".

O fato é que se algum dos três tivesse que sair, seria, sem dúvida, Ronaldinho Gaúcho! Já escrevi aqui que o dentuço, então com 22 anos, somente se destacou no Penta contra a Inglaterra, quando fez grande assistência para o próprio Rivaldo empatar o jogo e depois bater aquela falta na virada que, na minha opinião, foi um grande lance de sorte e falha do Seaman, goleiro inglês! E mais: quase coloca tudo a perder ao ser merecidamente expulso por entrada violenta no lateral Mills, logo após seu gol. Brasil jogou maior parte do segundo tempo com um jogador a menos!

Não se discute o que Ronaldinho Gaúcho jogou até 2006. Foi um monstro! Na Copa de 2002, não! Foi coadjuvante. Entretanto, Neymar sabe que tirá-lo deste time não pegaria bem para repercussão e curtidas em suas redes sociais! Rivaldo tem muito menos prestígio (injustamente). Ou então, não viu ou não lembra o que narrei no parágrafo anterior. Será?

A ironia com que Neymar tratou a resposta de Rivaldo não causa qualquer surpresa dadas todas as polêmicas de sua carreira que cada vez mais gera mais dúvidas se está perto do fim ou se efetivamente já terminou. E muitos não têm coragem de contar isso a ele pois podem deixar de ganhar dinheiro e todas as regalias que ele traz. Muito embora já esteja milionário e não precise se preocupar em pagar contas pelo resto da vida. É uma celebridade.

Neymar poderia (ou deveria) responder ao Romário de maneira agregadora e até mesmo humilde, como por exemplo, afirmar que não jogaria no lugar de nenhum deles e que, apesar de haver disputado três Copas e falhado em todas, quer estar focado para que no ano que vem, escreva definitivamente seu nome na História do futebol brasileiro, ganhando a Copa de 2026 como protagonista e se colocando na mesma prateleira dos três citados!

Sempre se espera que o ser humano amadureça ao longo do tempo. Esse parece ser o processo natural de qualquer um, exceto o dele. Como seu ego não pode deixar de ser massageado se até mesmo o célebre craque Tostão afirmou que sairia da seleção de 1970 para que ele jogasse?

Sem que ninguém nos ouça: Tostão enlouqueceu?

Comparar as trajetórias aqui me faz lembrar o inesquecível e excepcional narrador esportivo Januário de Oliveira, criador de inúmeros bordões em suas transmissões:

Cruel! Muito Cruel, o Rivaldo! Porque ele sabe que é disso... é disso que o povo gosta!

E eu também!



quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

VOLTAMOS! RANKING DAS COPAS ATUALIZADO!

 

E o Blog volta, 3 anos depois, na onda da recém finalizada Copa do Catar, a Copa, após 4 tentativas frustradas, de Lionel Messi!

Apesar do jejum de 24 anos, tão grande como entre o tri e o tetra, o Brasil segue firme na liderança, contando com 2 pífias participações da Alemanha, em 2º. Lugar, em 2018 e 22. E algo bem preocupante: Brasil não vence um clássico (contra os campeões e Países Baixos), desde a Final de 2002, exatamente contra eles, a “Seleção do 7 a 1”!

Argentina ultrapassa a ultrapassada Itália, que já alcança 2 ausências seguidas em Copas. Contudo, os “Hermanos” podem ter dificuldade em construir time competitivo, sem Messi e Di Maria, 35 e 34 anos respectivamente. Com 48 seleções em 2026, a Itália deve se classificar (será que não???) mas sofrerá com a aproximação da França que, daqui a 4 anos, chegará com uma geração talentosa, mais experiente e Mbappe com 27 anos.

Inglaterra e Espanha em briga ferrenha. Os ingleses têm o melhor campeonato nacional do mundo e seguem em evolução desde 2018. Os espanhóis levaram um time bem jovem para 2022 e podem crescer, desde que seu novo técnico seja menos arrogante e tenha menos empáfia do que Luis Henrique.

Croácia e Portugal sobem vertiginosamente. Croatas já encostaram na arquirrival Sérvia, que leva o histórico da Iugoslávia, mas também terão dificuldade para se renovar. Com número de habitantes similar ao Uruguai, terá que continuar operando milagres para revelar novos valores. Portugal, sem CR7 e com novo técnico a ser anunciado, tem boa geração para continuar crescendo e ultrapassar Polônia e México. Detalhe: Portugal tem a 4ª. melhor relação PG/J, atrás de Brasil, Países Baixos e Alemanha.

Países Baixos conseguem estar dentro do bloco dos Campeões, mesmo sem nunca terem sido, à frente do Uruguai que se mantém firme na 9ª. posição desde 2010, ainda mais com a decepção belga em 2022.

Com o inédito 4º. Lugar, Marrocos foi a seleção que mais ganhou posições no ranking: 13! Ultrapassou a Nigéria e agora é a melhor da África. Classificar para a Copa no continente não é fácil mas Ziyech, Ounahi, Hakimi e Amrabat terão idade para comandar o time em 2026 e subir ainda mais.

O Catar foi a 80ª. seleção a participar de uma Copa do Mundo! Por conta de 1 gol marcado em 3 jogos, já estreou na 74ª. posição. Nada mal... rsrsrs!

Se quisermos, podemos escrever vários parágrafos, contendo várias análises! Escreva o seu!

Até EUA / Canadá / México 2026!


OBS: Lembrando para melhor entender o ranking:

1 - Classificação por Pontos Ganhos, considerando 2 pontos por vitória de 1930 a 1990 e 3 pontos a partir de 1994.

2 - Em caso de igualdade, por PG, entre 2 ou mais países, a FIFA adota os seguintes critérios de desempate, pela ordem:

    2.1: Maior número de Copas disputadas;

    2.2: Maior número de Vitórias;

    2.3: Melhor saldo de gols.